10/04/2026 - 8:00
O BYD Dolphin Mini 2026 chegou no segundo semestre do ano passado com algumas melhorias, então eu decidi dar a ele uma segunda chance – já que o havia reprovado na estreia, principalmente pelas suspensões moles demais, até perigosas: na época, a recomendação que dei foi de investir um pouco mais e levar o Dolphin GS, maior e melhor.
Agora, passei uma semana ao volante do BYD Dolphin Mini da linha 2026 para ver se o subcompacto elétrico que emplacou mais de 7.000 carros em março e chegou ao “top 10” de vendas do Brasil – incluindo todos os modelos, inclusive a combustão – se redimia.
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Oficialmente, o preço da configuração GS de cinco lugares é de R$ 119.990, e a marca chinesa cita apenas as mudanças estéticas, como as rodas com novo desenho e a inédita cor Azul Glacier da unidade avaliada e fotografada.
Na cabine, também há novidades nas cores, como nos bancos, painéis das portas e o console revestidos de vinil azul. Opção de gosto questionável: minha filha Stella, do alto de seus 9 anos, não gostou: “Todo mundo sabe que não se combina azul com laranja.”

Suspensão do BYD Dolphin Mini 2026: o que mudou na prática?
A principal novidade deste BYD Dolphin Mini 2026 é positiva, e soluciona justamente aquele que era o seu ponto mais negativo — algo que os olhos não veem, mas o motorista e os passageiros sentem: a suspensão traseira, após as críticas, foi revista (embora a marca tenha preferido fingir que nada mudou, como quem não aceita críticas ou não reconhece erros).
Se antes motorista e ocupantes do Dolphin Mini levavam sustos ao passar em ondulações, elevações súbitas e desníveis na pista – quando a excessiva maciez (tipicamente chinesa) das suspensões deixava a traseira “solta”, com sensação de falta de segurança e um risco real de perda da trajetória, agora as suspensões estão muito bem calibradas.
A prioridade continua sendo o conforto, e, como um subcompacto urbano, o Dolphin Mini ainda não é um carro para fazer curvas rápidas. Mas o fato é que está mais “plantado” ao solo e, ao volante, até passa a sensação de um veículo maior: “Tem um rodar macio que parece de ônibus leito”, elogiou minha esposa no banco do passageiro.

Espaço interno e conforto: o BYD Dolphin Mini é bom para a família?
Já as crianças no banco traseiro, acostumadas ao Renault Kwid E-Tech, mostraram sentimentos mistos: não enjoaram como da primeira vez no BYD – o que mostra como a suspensão era ruim e comprova como foi melhorada.
O Mathias, de 13 anos, gostou do espaço extra (são 2,50 metros de entre-eixos, 8 cm a mais que no Kwid), mas a Stella se queixou de novo: não enxerga o mundo exterior, pois as janelas são pequenas e altas demais, devido à escolha de design com cintura alta. Por fim, ambos concordaram que um quinto passageiro sofreria ali atrás com eles.
Eu também experimentei o banco traseiro e de fato há bom espaço para as pernas (tenho 1,74 metro de altura). Mas o que me incomodou mesmo ali atrás foi o fato de que você fica sentado meio afundado e com as pernas muito altas, por culpa do assoalho alto (afinal, a bateria fica ali embaixo). E isso cansa em trajetos mais longos ou demorados.
Consumo e autonomia: como o Dolphin Mini 2026 se comporta na cidade
As cidades são cenários perfeitos para os subcompactos elétricos, onde fazem muito mais sentido com seu rodar limpo e silencioso, com menor poluição do ar e sonora, e pelo porte contido, que facilita achar vagas e manobrar.
Neste ponto, a câmera de ré é excelente, com alta resolução e guias que mostram a trajetória, mas as demais, 360 graus, são meio inúteis, com imagens que não dão uma boa noção de espaço e limites do carro.
Achar uma boa posição ao volante é fácil, graças ao amplo ajuste (elétrico!) do banco do motorista e do ajuste — este limitado — de altura e de profundidade da coluna de direção. Assim, a ausência de ajustes de altura para os cintos de segurança não faz tanta falta para o motorista, mas faz para o passageiro.

Entre os três modos de direção do BYD Dolphin Mini 2026, preferi usar o Normal. O Eco deixa as respostas meio letárgicas e o Sport dá uma boa “puxada” de 30 a 80 km/h, mas não melhora tanto as saídas — sempre controladas para evitar perda de aderência — e não faz sentido pela proposta do carro.
Na verdade, eles nem fizeram muita diferença no consumo urbano, que durante o teste ficou entre 7 km/kWh (bairros com subidas) e 11 km/kWh (regiões planas), com média de 8 km/kWh. Pena que o computador de bordo permita ver só “últimos 50 km” ou “total”.
Já a recuperação de energia cinética, ou frenagem regenerativa, tem dois níveis. Nenhum permite dirigir com um pedal só: o baixo deixa o carro solto como um equivalente a combustão, enquanto o alto, que eu preferi na cidade, atua como um freio motor suave, recuperando mais energia e poupando os freios.
Falando nisso, curiosos são os erros de tradução: no painel, aparece “feedback alto” e “feedback baixo” (o mais bizarro é o equalizador do som, que traduz o gênero musical “Rock” literalmente, como “Pedra”).
Ainda na cidade, o Dolphin Mini agrada por recursos que facilitam a vida. É possível ativar o modo que, como nos modelos da Volvo, você entra no carro e o motor é ativado automaticamente (basta pisar no freio, engatar D e sair). Mas tome cuidado para não engatar a ré: a alavanca de câmbio continua com operação confusa (fica abaixo da tela, em um seletor estranho), que pode causar erros.
Práticos também neste uso são os sistemas de auto-hold para os freios, a ativação e desativação automática do freio de mão, o carregador de celular por indução e o regulador de velocidade – embora ainda faltem sistemas de auxílio ao motorista (Adas).

Desempenho na estrada: o motor de 75 cv do BYD Dolphin Mini 2026 dá conta?
Se os 75 cv e 135 Nm do motor dianteiro garantem agilidade na cidade, não se pode dizer o mesmo na estrada, que não é o cenário ideal para o BYD Dolphin Mini 2026 – tampouco uma “área proibida”.
O conjunto é suficiente para se circular sem medo em estradas de pista dupla e/ou onde não há necessidade de ultrapassagens – e sem abusos, pois acima dos 100 km/h ele entrega menos do que um carro 1.0 aspirado.

A velocidade máxima é limitada a 130 km/h, mas na faixa de 100 km/h o fôlego já cai bem, e ele fica devendo na hora das retomadas. E, em trechos de subida, tem até dificuldade em manter 110/120 km/h.
Nessa velocidade, o consumo ficou entre 5,5 e 6 km/kWh – fazendo a autonomia cair dos 370 quilômetros do uso urbano para a faixa de 200 quilômetros (o que representa dirigir menos de duas horas e parar para carregar por quase uma hora).
No uso rodoviário, também incomodou a grande suscetibilidade a ventos laterais, exigindo correções no volante – ainda assim, ele se comporta como um carro maior do que é graças aos bons sistemas de direção, suspensão e freios. Digamos que o Dolphin Mini serve bem apenas às viagens mais curtas.

Pontos negativos e defeitos do BYD Dolphin Mini 2026
Após uma semana de testes, posso dizer que o BYD Dolphin Mini 2026 é um carro urbano extremamente atrativo, e os números de emplacamentos estão aí para provar que ele, de fato, conquistou o consumidor. É de longe o elétrico mais vendido do Brasil, graças à combinação de preço, pacote de equipamentos e dirigibilidade. É um carro que eu até teria, mas não é perfeito.
Para não dizerem que não falei dos defeitos, ele continua com muitas das falhas de antes: não tem limpador traseiro (em chuvas pesadas, não se enxerga nada), há um excesso de comandos que podem ser feitos somente pela tela central (nada prático, mas um problema geral com a moda das telas gigantes), só tem alto-falantes dianteiros, não oferece estepe e o porta-malas acomoda só 230 litros e não em tampão (não coube uma compra de supermercado média).

Agora, o mais grave dos problemas práticos que constatei durante essa semana: as portas têm um desenho incomum e se abrem até muito embaixo, raspando em calçadas um pouquinho mais altas. As crianças chegaram a precisar sair pelo lado da rua em algumas situações, quando a porta simplesmente não abria.
BYD Dolphin Mini 2026 vs Geely EX2: qual elétrico comprar?
Rever tais detalhes negativos é essencial para manter a competitividade. A guerra dos elétricos chineses está com tudo: a BYD tem a vantagem de ser gigante e já ter iniciado a montagem no Brasil, mas há novos rivais como o Geely EX2, maior e bem mais potente, que custa quase o mesmo valor — e a BYD precisa segurar seu consumidor.
Tudo bem que a Geely já veio ao Brasil e logo foi embora, pois os produtos eram ruins. Mas, agora, ela é a dona da Volvo e trouxe um modelo bastante evoluído e atraente, que deve dar trabalho ao Dolphin Mini – pelo menos eu o considero uma compra melhor, como explico na avaliação dele que fiz no começo deste mês (clique aqui para ler).
Só falta a Renault Geely começar a produzir o EX2 logo no Brasil (está investindo parte dos R$ 3,8 bilhões anunciados para isso) ou conseguir trazer mais unidades da China. No momento, uma das únicas — porém grande — vantagens do Dolphin Mini sobre o EX2 está na capacidade de entregar mais carros.
FICHA TÉCNICA
BYD Dolphin Mini 2026
Carro avaliado (GS): R$ 119.990
Motor: elétrico síncrono, dianteiro Combustível: eletricidade Potência: 75 cv Torque: 135 Nm Câmbio: automático, caixa redutora de relação fixa Direção: elétrica Suspensão: MacPherson (d) e eixo de torção (t) Freios: disco ventilados (d) e discos sólidos (t) Tração: dianteira Dimensões: 3,780 m (c), 1,715 m (l), 1,580 m (a) Entre-eixos: 2,500 m Pneus: 175/55 R16 Porta-malas: 230 litros Bateria: LFP (Blade), 38 kWh Peso: 1.239 kg 0-100 km/h: 14s9 Velocidade máxima: 130 km/h (limitada) Consumo cidade: 8,7 km/kWh (teste MOTOR SHOW) Consumo estrada: 6,6 km/kWh (teste MOTOR SHOW) Autonomia (Inmetro): 280 km Recarga máxima: 6,6 kW AC e 40 kW DC
NOTA GERAL: 8,5





















