O BYD King nunca desbancou o Corolla, e isso é fato. Porém, a rivalidade com o japonês não atrapalhou sua vida por aqui, que segue com vendas agradáveis (é vice-líder do segmento), e conjunto que agrada quem busca um sedan médio, tipo de carro cada vez mais raro no mercado nacional. E, nessa linha 2026, o King melhorou… 

+Kia K4: veja 5 coisas que já sabemos sobre os novos hatch e sedan médios

+Análise: BYD Dolphin Mini é mesmo o verdadeiro líder de vendas no varejo brasileiro?

BYD King GS 2026 – Foto: Lucca Mendonça

King 2026: melhorias bem-vindas

Nessa versão GS avaliada (R$ 176 mil), ganhou pacote ADAS, com vários assistentes de condução e babás eletrônicas que fazem ele frear sozinho, manter a velocidade com relação ao carro da frente, contornar curvas sem ajuda do motorista, farol alto que se acende automaticamente, e por aí vai. Enfim, recebeu uma série de itens de assistência à direção que ele deixava de lado até então, e, no geral, seu pacote ADAS tem calibração satisfatória, como noutros BYD. Não é perfeito, mas atende bem. 

PreviousNext

No design, só essa belíssima cor azul marinho, que puxa para o roxo a depender da luz, e as rodas aro 17 diamantadas com raios finos, que lembra o jogo que equipava os Ford Verona Ghia lá dos anos 90. Um conjunto que, cá entre nós, deu um belo realce no conjunto visual do King, que agora se destaca bem mais na multidão. De quebra, veio, finalmente, a opção do interior preto, mais discreto (e que suja menos), melhorando o aspecto a bordo do carro (a sobriedade dos sedans fala mais alto). 

PreviousNext

Mesma motorização. Mas…

Se você olhar para a ficha técnica, tudo igual. O motor elétrico dianteiro é quem manda na jogada, com quase 200 cv de potência e torque de sobra (33 mkgf), enquanto o 1.5 a gasolina (110 cv) entra como adicional de potência ou supre a missão de carregar as baterias (gerador). Essas, por sua vez, têm os mesmos 18,3 kWh de capacidade nessa versão GS. Suspensões são independentes só na frente (eixo arrastado atrás), freios a disco estão nas quatro rodas, e a direção elétrica tem peso configurável. Nada muda. 

PreviousNext

Porém, ter a companhia do King 2026 por uma semana, e 450 km percorridos entre cidade e estrada, provam o contrário. O sedan médio chinês evoluiu além do que os olhos podem ver, e que a BYD pode informar. Na realidade, isso é graças a velocidade de adaptação dos chineses, que sempre vão retocando seus produtos e adequando os carros para cada mercado (muitas vezes a pedidos do próprio consumidor). Boa! 

BYD King GS 2026 – Foto: Lucca Mendonça

O BYD King 2026 ficou mais acertado nas suspensões. O conjunto anterior, além de mais barulhento em pisos ruins, não era muito amigo de buracos, valetas, lombadas e afins, reclamando um pouco e batendo seco em algumas ocasiões. Agora, o sedan parece mais adequado ao nosso solo lunar, com maior absorção de impactos e operação nitidamente mais silenciosa e, aparentemente, robusta a longo prazo. Molas e amortecedores seguem focados no conforto, o são o mais macios possível. 

PreviousNext

Macio

Esse acerto suave das suspensões, claro, deixa o rodar do BYD King extremamente prazeroso, e em pisos bons, ele parece até flutuar. Porém, em contrapartida, sua dinâmica acaba sendo um pouco prejudicada com isso: ele inclina mais em curvas rápidas, tem rolagem lateral de carroceria um pouco maior, e uma tendência maior de sair de frente no seu limite. Os pneus Giti, igualmente macios, contribuem para isso. 

PreviousNext

Ainda assim, é um carro seguro e bom de guiar, e se mostra fruto de um projeto refinado com bons acertos de câmber e cáster de suspensão, por exemplo: mesmo em altas velocidades, roda tranquilo e em linha reta, sem passarinhar ou mostrar descontroles. O mesmo vale para quando ele encontra um desnível de pista: sedan comportado. 

BYD King GS 2026 – Foto: divulgação

Mais eficiente

Onde mais o BYD King 2026 evoluiu? Gerenciamento de energia! Ponto que conta, e muito, num híbrido plug-in. Um trabalho discreto, mas eficiente, de engenharia, como a BYD aplicou no Song Plus após a reestilização. Explico: agora, a atuação do motor 1.5 a gasolina está mais discreta, afinal a reserva de energia das baterias, mesmo com a carga zerada pelo indicador do painel, é maior. Com isso, o motor elétrico conta sempre com energia suficiente para impulsionar o carro, e precisa menos da ajuda da unidade a combustão. O consumo de gasolina, felizmente, teve leve redução.  

PreviousNext

Não espere, porém, uma melhor autonomia (que já era exemplar). O BYD King rende suficientemente bem, inclusive na estrada, onde um PHEV não tem seu habitat natural. Na estrada, mantendo velocidade ao redor de 110 km/h, foi possível rodar mais de 80 km apenas no modo elétrico, superando tranquilamente a autonomia do Inmetro (78 km urbanos). Enquanto isso, num percurso 85% urbano, foi possível passar dos 100 km. E ainda há mais 48 litros de gasolina para queimar… 

PreviousNext

E rodando sem carga?

Com carga vazia nas baterias? Em teste prático, ele percorreu 80 km de estrada com 0 km de autonomia elétrica pelo painel (mas ainda uma boa reserva de energia), e fechou média de consumo em 4,9 litros a cada 100 km (algo ao redor dos 20 km/l de gasolina), de acordo com seu painel de instrumentos. Para rodar exatos 448 km, o BYD King queimou 12 litros de gasolina e duas recargas de bateria (que entregaram, juntas, cerca de 185 km de autonomia elétrica): fechamos a conta com cerca de 1.050 km de alcance total, se todo o tanque de gasolina fosse queimado.  

Outras qualidades

PreviousNext

No mais, é conhecido BYD King. Não é o projeto mais moderno da BYD, mas nunca deixou de receber atualizações pontuais. É espaçoso para até quatro adultos e uma criança (com enorme folga no banco traseiro), oferece porta-malas com interessantes 450 litros, acabamento elogiável em toda a cabine, um poderoso pacote de itens de série (falta só teto-solar e retrovisor interno fotocrômico), e uma vida a bordo acertada, com bancos dianteiros ergonômicos, direção precisa, excelente manobrabilidade (pequeno raio de giro) e bastante silêncio.  

PreviousNext

BYD King é bom de preço

Seu preço, enquanto isso, cativa. Por menos de R$ 180 mil, ele entrega mais luxos que o Corolla Hybrid, seu arquirrival R$ 30 mil mais caro. O BYD King ainda pode ter o selo de “Made in Brazil”, já que é montado desde o final do ano passado na fábrica de Camaçari (BA), por mais que o nível de componentes nacionais seja bem baixo.

PreviousNext