” Construa seus sonhos”. A marca BYD pode ser chinesa, mas o nome vem do inglês: Build Your Dreams. E o produto mais atraente ao mercado, obviamente, é o SUV BYD Tan – o primeiro elétrico e com sete lugares à venda no Brasil.

Falando em sonho, o da BYD, como o de muitas outras marcas chinesas, é crescer no Brasil. Enquanto a Great Wall comprou a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP), a BYD, dizem, estaria de olho na planta da Ford em Camaçari (BA). A marca acha que é cedo, talvez queira testar o mercado com modelos como o Tan, importados de menor volume e maior “qualidade percebida” – esse termo que o marketing adora – para “construção de imagem da marca” (de novo o build).

E, se a corrida do carro a combustão os chineses começaram muito atrás do resto da indústria – os primeiros carros chineses no brasil eram sofríveis, e a maioria ainda fica aquém de modelos “tradicionais” –, a do carro elétrico ela começou mais próxima e, agora, com o BYD Tan, já se iguala, em vários pontos, aos demais. É a impressão que temos ao observar o belo design de crossover-SUV, não descaradamente copiado como os primeiros chineses, embora tenha um “quê” de Land Rover Velar.

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BYD Tan Acertos e exageros

E tal sensação se reforça ao entrar na cabine. Como nos melhores modelos alemães de luxo, banco e volante com ajustes elétricos abrem espaço para você se acomodar – naquela altura de SUV, que tanto agrada a coluna dos clientes mais “maduros”. O acabamento interno impressiona, e agrada mesmo a quem já tem BMW, Audi e cia.

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A cabine tem acabamento em couro marrom e capricha nos materias nobres, mas o que chama mais a atenção é a enorme tela multimídia giratória (mas não tão funcional). Abaixo, opções do cluster digital e o carregador por indução

O interior do BYD Tan abusa da variedade de materiais, beirando o exagero: no painel e portas, há três “níveis”: Alcantara, aço escovado e black piano. É até difícil achar plásticos rígidos – estão só nas partes abaixo dos joelhos e em alavancas e botões do consoles central, que destoam um pouco da qualidade geral.

Com 4,87 m de comprimento, 1,95 m de largura e 1,72 m de altura, não falta espaço na cabine: motorista e passageiro têm bancos aquecidos e ventilados com ajustes elétricos (manual para comprimento do assento), enquanto os passageiros da segunda fileira viajam com extremo conforto, em bancos generosos e macios.

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Na segunda fileira de bancos, não falta espaço para três adultos viajarem com conforto. Já os bancos da terceira fileira são, como sempre, mais para uso de crianças. Além de terem ajustes elétricos, os bancos do motorista e do passageiro possuem ventilação e aquecimento. O porta-malas é enorme, com 940 litros sem usar os assentos extras (medida até o teto)

Já os dois lugares extras do BYD Tan são feitos para crianças, que ficam meio afundadas ali – mas quem tem carros de sete lugares sabe bem como podem resolver problemas de “logística familiar” (e o teto panorâmico ajuda a tirar a sensação de claustrofobia).

Um “detalhe” que chama a atenção no interior é a enorme tela central com 15,6”. Além do tamanho, destaca-se por ficar meio saltada “para fora” do painel – para girar. Isso mesmo, por meio de botões (nela e no volante), você pode ajustá-la. Vantagem? Quase nenhuma, na prática.

BYD Tan

Muito modelos têm telas menores e mais funcionais: aqui, a oferta de informações é limitada, a resolução não é tão boa e Android Auto e Apple CarPlay, por enquanto, funcionam de modo improvisado, com imagens até grandes demais.

Poder elétrico

BYD Tan

Ao volante, principalmente pelo porte e peso exagerados, a primeira reação, para quem nunca guiou um elétrico, é de surpresa. O BYD Tan ganha velocidade com desenvoltura impressionante. São dois motores, um por eixo, com um total de 517 cv e 680 Nm – o torque sempre disponível, como em todo elétrico. Mesmo com 2,5 toneladas, acelera de 0-100 km/h em incríveis 4,6 segundos, com velocidade máxima de 186 km/h.

Peguei o BYD Tan em Campinas e segui pela Rodovia dos Bandeirantes no limite de 120 km/h, quase constantes. Depois de rodar 102 quilômetros, cheguei em casa com 30% da bateria gastos – uma média de 4 km/kWh, que resultaria em autonomia total de cerca de 350 quilômetros, bem próxima da oficial. Pelo PBEV-Inmetro, são 395 quilômetros na estrada, cenário menos favorável aos elétricos (e longas 15 horas para ser carregado em um Wallbox, mesmo de 22 KW).

Curioso é que a média não melhorou na cidade, onde registrou praticamente consumo igual, mesmo aumentando a regeneração de energia de frenagem (ela podia ser mais forte: não há modo “um pedal”). Foi o cenário onde o SUV mais agradou, onde sua proposta elétrica faz mais sentido, e onde mais aproveitei os recursos para a “família” como lugares adicionais, tampa traseira motorizada que se abre ao passar o pé debaixo do para-choque e etc. Bastante alto e imponente, com rodas aro 22, o Tan chama a atenção nas ruas.

Para devolver o SUV, fiz o caminho longo. Nas serras da Rodovia Fernão Dias, e depois na de Morungaba, a impressão inicial foi a de se estar em uma “banheira” nada estável, mas depois a estabilidade surpreendeu: mérito das suspensões sofisticadas, com braços de alumínio, mas também do centro de gravidade mais baixo.

Você sente a grande massa querendo seguir reto, mas basta pisar mais fundo para o SUV se segurar ao solo. Nem notei a atuação do ESP – a tração elétrica se encarrega de tudo, e os freios Brembo atuam exemplarmente antes das curvas.

Outro ponto de destaque foi o conforto em estradas de terra. Além de absorver muito bem as irregularidades do piso, o Tan subiu uma ladeira íngreme com pedras soltas sem reclamar, com tração exemplar. No último trecho de asfalto, testei os sistemas semiautônomos. E aí está um ponto onde o SUV ainda fica atrás dos rivais: o modo de direção assistida assusta em velocidades altas, pois os movimentos do volante não são sutis (na cidade, onde o sistema é até mais útil, agradou, mas ainda não passa tanta segurança assim).

No fim, o Tan é enorme e confortável: a sensação é de estar em um daqueles tradicionais mega-SUVs que priorizam a vida a bordo. Não tem o toque especial e revolucionário que elétricos como o BMW iX (leia aqui a avaliação) oferecem. Vale a compra? Em medidas, potência e etc., equivale a modelos mais caros e ainda tem a vantagem dos sete lugares No geral, porém, não tem a mesma sofisticação. Mas está quase lá.

BYD Tan EV

Virada chinesa R$ 519.990
Carro avaliado R$ 519.990

Motores: elétricos síncronos com ímãs permanentes, um dianteiro e um traseiro
Combustível: a bateria
Potência: 245 cv (d) + 272 cv (t) = 517 cv
Torque: 330 Nm (d) e 350 Nm (t) = 680 Nm
Câmbio: caixa redutora com relação fixa
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados e perfurados (d/t)
Tração: integral
Dimensões: 4,870 m (c), 1,950 m (l), 1,725 m (a)
Entre-eixos: 2,820 m
Pneus: 265/40 R22
Porta-malas: 940 litros (até o teto, cinco ocupantes) / 235 litros (atrás da terceira fileira)
Tanque: 75 litros
Peso: 2.479 kg
0-100 km/h: 4s6
Velocidade máxima: 187 km/h (limitada eletronicamente)
Consumo cidade: 4,5 km/kWh (teste MS)
Consumo estrada: 4 km/kWh (teste MS)
Emissão de CO2: zero g/km
Consumo nota: b*
Autonomia: 340 km (teste MS) / 437 km (PBEV, combinado)
Recarga: 15h (wallbox 22, 11 ou 7,2 kW), 30 min (DC 50 kW, de 30 a 80%), 1h20 min (de 0 a 100%, DC 110 kW)
Nota do Inmetro: B*
Classificação na categoria: B*


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