Avaliação: Caoa Chery Tiggo7 fica um degrau acima dos rivais

Veja como anda o novo SUV da marca chinesa, que começa a ser vendido nesse semestre custando a partir de R$ 106.990

É evidente que os carros chineses evoluíram nos últimos anos. Prova disso são modelos como o Caoa Chery Tiggo7, um novo SUV que oferece um interessante pacote de itens de série, amplo espaço interno e um motor turbo com desempenho condizente com a sua proposta. Ele chega às concessionárias nas versões T (R$ 106.990) e TXS (R$ 116.990), querendo roubar clientes principalmente do Jeep Compass, mas também de outros rivais, como o Kia Sportage. A expectativa da marca é vender de 400 a 500 unidades/mês, metade de cada versão.

Construído sobre a plataforma modular T1X, o SUV médio tem proporções generosas: 4,505 m de comprimento, 1,837 m de largura e 1,670 m de altura, com entre-eixos de 2,670 m – igual ao do Sportage e maior que o do Compass (2,636 mm). Já o porta-malas tem 414 litros, e vai a 1.100 litros rebatendo o banco traseiro. Embora o nome Tiggo7 possa sugerir sete lugares, há espaço para cinco – a tarefa de levar dois passageiros adicionais fica a cargo do Tiggo8.

A personalidade do SUV da Caoa Chery aparece nos faróis em forma de bumerangue, na grade côncava e na porção superior do para-choque pintada em preto ( solução aplicada somente em nosso mercado). Atrás, o desenho da tampa do porta-malas junto das lanternas horizontais e bipartidas remetem ao Kia Sportage. Ao abrir a porta é notória a evolução em relação a outros chineses, com destaques para a escolha dos materiais, com áreas macias nas laterais de porta e no painel e montagem bem executada.

O Tiggo7 TXS avaliado oferece teto solar panorâmico, bancos do motorista e passageiro com aquecimento (o do condutor ajustável eletricamente), ar-condicionado de duas zonas, câmera 360° e airbags laterais e de cortina, entre outros itens. Já a central multimídia com tela de 9” e conectividade Android Auto/Apple CarPlay, as quatro entradas USB, os sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, o monitor de pressão dos pneus, os controles de tração e estabilidade e o assistente de partida em rampas também estão disponíveis na versão T. O Tiggo7 recebeu cinco estrelas no C-NCAP, que avalia a segurança dos carros na China.

Sob o capô está um motor 1.5 turboflex com bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando variável (VVT) e coletor de admissão variável (VIS). Toda a calibração para o Brasil foi realizada pela Bosch. Embora o Tiggo7 seja menos potente que o Jeep Compass 2.0 (166 cv com etanol), ele agrada, principalmente nos baixos e médios giros. Na China, o Tiggo7 é comercializado com opção de propulsor aspirado 2.0 e câmbio manual de seis marchas da Aisin – marca que fornece transmissões automáticas para Volkswagen e Peugeot, por exemplo.

O turbocompressor HoneyWell tem 0,9 bar de pressão, fazendo o SUV partir da imobilidade sem esforço, mas a relação peso/potência de 9,54 kg/cv faz faltar um pouco de ânimo nas ultrapassagens. Porém, ao cravar o pé no pedal do acelerador o câmbio de dupla embreagem (Getrag) reduz três marchas de uma vez para ajudar o SUV a ganhar velocidade. Em trajetos urbanos em baixa velocidade, a transmissão faz trocas rápidas e breves. O SUV ainda tem dois modos de condução: Eco e Sport. O primeiro privilegia a economia de combustível, com respostas mais comedidas ao pedal direito, enquanto o Sport soma pitadas de esportividade ao fazer mudanças em giros mais elevados.

A direção elétrica é comunicativa, mas falta ajuste de profundidade da coluna e a empunhadura do volante podia ser melhor. As informações do computador de bordo aparecem na tela de 4,8” do quadro de instrumentos e a orientação dos ponteiros do velocímetro e do conta-giros é incomum (um horário, outro anti-horário): em um primeiro momento você estranha, com o tempo se acostuma.

A suspensão traseira do tipo multilink, com rodas independentes, coopera na dinâmica do SUV e na pouca rolagem de sua carroceria nas curvas. Mesmo equipado com belas rodas aro 18”, o conjunto filtra e absorve muito bem as irregularidades do piso. Merece elogio também o isolamento acústico, com baixo nível de ruído, seja do motor nas esticadas ou do vento (ruído aerodinâmico). O pedal de freio tem acionamento progressivo e os discos são de 320 mm na frente e 310 mm atrás.

No fim, o Tiggo7 tem preço bom – alguns rivais de porte similar igualmente equipados saem por mais de R$ 150,000 – e, ainda, características mecânicas e dinâmicas bastante elogiáveis. Como dissemos, os carros chineses estão evoluindo muito rápido. Que tal dar uma chance?


Ficha técnica:

Caoa Chery Tiggo7 TXS

Preço básico: R$ 106.990
Carro avaliado: R$ 116.990
Motor: 4 cilindros em linha 1.5, 16V, duplo comando variável, coletor de admissão variável, turbo
Cilindrada: 1498 cm³
Combustível: flex
Potência:150 cv (e) e 147 cv (g) a 5,500 rpm
Torque: 21,4 kgfm a 4.000 rpm (g/e)
Câmbio: automatizado, dupla embreagem, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,505 m (c),1,837 m (l), 1,670 m (a)
Entre-eixos: 2,670 m
Pneus: 225/60 R18
Porta-malas: 414 a 1.100 litros
Tanque: 57 litros
Peso: 1.432 kg
0-100 km/h: 11s5
Velocidade máxima: 185 km/h
Consumo cidade: 9,7 km/l (g)e 6,6 km/l (e)
Consumo estrada: 10,9 km/l (g) e 7,6 km/l (e)
Emissão de CO²: 132 g/km
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: C (Utilitário Esportivo Grande)

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