Avaliação: Chevrolet Cruze Sport6 é hatch para nos fazer esquecer dos SUVs

O Chevrolet Cruze Sport6 RS é o único hatch médio de marca generalista à venda no Brasil, e custa o equivalente a um SUV compacto. Vale a pena?

Chevrolet Cruze

Há pouco mais de dez anos, tive um Chevrolet Astra Hatch “Locomotiva”. Gosto dos hatches médios tanto pelo estilo quanto pela boa dirigibilidade, graças ao baixo centro de gravidade. Mas os SUVs chegaram e dominaram o mercado, deixando órfãos os fãs dos dois-volumes. Por sorte, ainda há este Chevrolet Cruze Hatch, ou Sport6, último dos moicanos entre as marcas generalistas — que agora chega na versão RS.

Como o meu saldo bancário não permite investir de R$ 200.000 a mais de R$ 300.000 em alemães como Audi A3 Sportback, BMW Série 1 e Mercedes-Benz Classe A, este Chevrolet Cruze é a única opção de reviver esse passado nostálgico dos hatches (e pensar que tivemos Fiat Bravo, Ford Focus, Peugeot 308, Volkswagen Golf…).

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Esta mais nova versão do Chevrolet Cruze Sport6 – como a marca resolveu chamá-lo, em vez de “hatch” – exibe a pegada da sigla-sobrenome RS (Rally Sport), que foca na estética.

Me saltaram aos olhos o novo para-choque dianteiro, os faróis com máscara negra, a grade cromo escurecida, a gravata preta, o spoiler de teto e o desenho das rodas aro 17. muito arrojado. Já a cabine tem costuras vermelhas nos bancos e uma elogiável posição de dirigir, além de comandos à mão e um sistema multimídia de 8” fácil de usar.

Não sou casado nem tenho filhos, então o porta-malas de 290 litros do Chevrolet Cruze  deu conta do recado, mesmo sendo menor que o do Renault Sandero (320 litros).

No passeio do final de semana, os ocupantes do banco traseiro elogiaram a praticidade do wi-fi “nativo” e os 2,700 m de entre-eixos, mas reclamam da falta de tomadas USB e de uma saída de ar dedicada.

Para mim, faltaram itens do antigo Chevrolet Cruze Premier, como banco elétrico, carregador por indução, assistente de faixa, estacionamento autônomo e alerta de ponto cego, além de alerta de colisão com frenagem automática.

A condução é animada pelo casamento feliz do motor 1.4 turbo com o câmbio automático de seis marchas. As respostas vêm em baixos e médios giros, a direção é rápida ao esterço e as suspensões tem calibração específica, contribuindo para a dinâmica. O difusor frontal, porém, raspa facilmente em lombadas e valetas. Voltamos aos SUVs.

Vale a pena? Eu, certamente, prefiro o Cruze RS a um Tracker Premier 1.2 (R$ 149.950), para ficar na mesma marca. A versatilidade não é igual, mas prefiro um carro bem afiado do que um “altinho”. Quanto à revenda ser mais difícil, penso que devemos comprar o carro que desejamos, e não seguir o que é ditado pelo mercado.

Rafael Poci Déa | Repórter

Contraponto

● Se dependesse de nós, jornalistas automotivos, acho que os SUVs seriam minoria no mercado. A maioria dos meus colegas, se confrontada com a opção, pelo mesmo preço, entre um SUV ou um hatch – ou mesmo um sedã – ficaria com um dos últimos.

Afinal, meio que via de regra, como acontece aqui, os SUVs acabam sendo mais caros: assim, em vez de ter um carro com plataforma mais refinada e sofisticada, o consumidor comum acaba comprando um SUV compacto que usa base e mecânica mais simples – no caso, pelo preço do Chevrolet Cruze, como mostrou bem o Rafael, plataforma do popular Onix e motor 1.0 turbo contra base de carro médio e motor 1.4. Tecnicamente, não há porque comprar o SUV.

Mas cada um sabe o uso que vai fazer do carro. A bicicleta cabe melhor no SUV? Pode ser. Dá para andar mais tranquilo de SUV na estradinha de terra? Nem sempre a distância do solo tem diferença significativa.

Eu, como bem disse o Rafael, também prefiro um carro mais afiado e refinado mecanicamente, e ficaria com o Cruze. SUV, para mim, só se for 4×4, para encarar aventuras de verdade, bem longe da cidade e dos obstáculos da garagem do shopping.

Flávio Silveira | Editor

COMPRE SE…

  • Você aprecia carros “no chão”, mais compatíveis com uma condução afiada, sem a rolagem da carroceria nas curvas em alta velocidade.
  • Você quer um carro com visual diferente – não só pela carroceria que virou raridade, mas pelos detalhes exclusivo dessa versão RS.

NÃO COMPRE SE…

  • Você tem família e leva muita bagagem, pois o porta-malas do Chevrolet é menor do que o de muitos hatches compactos.
  • Você enfrenta estradas de terra nos finais de semana. A altura livre do solo é pouca, e a dianteira raspa com bastante facilidade.

Considere também esses concorrentes

Jeep Renegade Longitude T270 4×2 (R$ 138.410)
O SUV tem motor turbo de 185 cv, porta-malas de 385 litros e 19,2 cm livres do solo. Mas não é 4×4 e sofre nas curvas.

Mercedes-Benz A250 (R$ 332.900)
Por mais que o dobro do preço, ele tem motor 2.0 turbo de 224 cv e atinge os 100 km/h em apenas 6,2 segundos.

Chevrolet Cruze Sport6 RS

Preço básico R$ 152.280
Carro avaliado R$ 154.180

Motor: quatro cilindros em linha 1.4,16V, injeção direta, turbo, duplo comando com variação (admissão e escape)
Cilindrada: 1399 cm3
Combustível: flex
Potência: 150 cv a 5.600 rpm (g) e 153 cv a 5.200 rpm (e)
Torque: 235 Nm a 2.100 rpm (g) e 240 Nm a 2.000 rpm (e)
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,448 m (c), 1,807 m (l), 1,484 m (a)
Entre-eixos: 2,700 m
Pneus: 215/50 R17
Porta-malas: 290 litros
Tanque: 52 litros
Peso: 1.336 kg
0-100 km/h: 9s (e)
Velocidade máxima: 214 km/h
Consumo cidade: 11,1 km/l (g) e 7,6 km/l (e)
Consumo estrada: 13,5 km/l (g) e 9,4 km/l (e)
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: A (Grande)


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