Avaliação: Chevrolet Prisma LTZ sofre com a concorrência interna

O Chevrolet Prisma é um sedã honesto. Mas por pouco mais do que custam suas versões topo de linha há oferta melhor – da mesma marca!

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O Prisma é o sedã mais vendido do Brasil, e não por acaso. Em uma semana com ele, quase não tive do que reclamar. Para agradar aos jovens, é um sedã metido a cupê: autodeclarado “sport sedan”, tem um design que esconde o terceiro volume. De novo, a linha 2018 tem só a colocação dos logos. Sempre 1.4, com câmbio manual vai de R$ 55.790 (LT) a R$ 60.990 (LTZ). Automático, custa R$ 61.150 (LT) e R$ 67.050 (LTZ avaliado). No uso cotidiano, esse Prisma agradou.

Os bancos confortáveis têm boas partes em couro sintético, a central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay é ótima – embora devesse ficar mais no alto –, e há vidros um-toque com abertura e fechamento por controle remoto, câmera de ré e rodas de liga aro 15, entre outros itens. No trânsito pesado de São Paulo, gostei muito da transmissão de seis velocidades, rara no segmento. Uma automática de verdade, sem os trancos das robotizadas, a monotonia dos CVTs ou os “buracos” das de quatro marchas. Pena que seu motor 8V, um tanto fraco e ultrapassado, por vezes force a transmissão a segurar demais as marchas para o carro não perder o embalo.

O porta-malas grande deu conta das idas ao mercado e ao parque, com crianças, bicicletas, etc. A cabine, nem tanto: a cadeirinha do Mathias, 5 anos, coube atrás do meu banco, mas com o bebê-conforto da Stella, 5 meses, fiquei apertado, “em cima” do volante. Principalmente na estrada, isso me cansou rápido, apesar do bom isolamento acústico – ajudado pela sexta marcha, que deixa o motor a baixas 2.800 rpm a 120 km/h (marcando bons 16,5 km/l). Foi na estrada com carro cheio também que suas deficiências mecânicas se acentuaram: o motor revelou mais fraqueza, forçando reduções de marcha e trazendo ruído para a cabine. E odiei as trocas manuais, que exigem mudar para M e usar o botão na alavanca.

Quando faço essas trocas, normalmente é algo repentino, como numa aproximação de curva. E esse processo é lento. Mesmo assim, é um bom carro. Se eu o compraria? Não esse LTZ, porque, afinal, o Cobalt mora ao lado. Mais espaçoso na cabine e porta-malas e com motor 1.8 mais forte e igualmente econômico, o sedã compacto-médio da Chevrolet é vendido na mesma concessionária e custa só R$ 1.520 a mais na versão LTZ. É preciso abrir mão da câmera de ré – mas ganha-se isofix para prender melhor as cadeirinhas das crianças. Senti falta no Prisma.


Ficha técnica:

Chevrolet Prisma LTZ AT

Preço básico: R$ 55.790
Carro avaliado: R$ 68.450
Motor: 4 cilindros em linha 1.4, 8V
Cilindrada: 1389 cm3
Combustível: flex
Potência: 98 cv a 6.000 rpm (g) e 106 cv a 6.000 rpm (e)
Torque: 13 kgfm a 4.800 rpm (g) e 13,9 kgfm a 4.800 (e)
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,282 m (c), 1,705 m (l), 1,478 m (a)
Entre-eixos: 2,528 m
Pneus: 185/65 R15
Porta-malas: 500 litros
Tanque: 54 litros
Peso: 1.085 kg
0-100 km/h: 12s9 (g) e 12s2 (e)
Velocidade máxima: 180 km/h (e)
Consumo cidade: 11,9 km/l (g) e 8,1 km/l (e)
Consumo estrada: 14,7 km/l (g) e 10,2 km/l (e)
Emissão de CO2: 102 g/km
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (Compacto)


Contraponto

Por Evandro Enoshita

Flavio tem razão quando diz que o Prisma é um carro honesto. Afinal, o sedã compacto é um desses automóveis que reúne qualidades suficientes para atender aos desejos do casal com filhos (o caso dele) e do casal sem filhos (o meu caso). Mas não basta ser honesto. Ainda mais com o preço de tabela de R$ 67.050 nessa versão LTZ com câmbio automático. O espaço interno é adequado para mim, que ando com o banco traseiro vazio na maior parte do tempo. Mas me desagrada a posição de dirigir alta demais – e olha que eu costumo ser criticado aqui na MOTOR SHOW por deixar o assento dos carros de testes sempre nas posições mais elevadas! Outro aspecto que me incomoda é o acabamento interno. Melhorou bastante na reestilização do ano passado, mas ainda traz detalhes incômodos, como o desnível na junção entre o painel e as portas, além das saídas de ventilação muito sensíveis, de aspecto simples. Apesar dos pesares, confesso que curti o tempo que eu passei com carro. Mas a atração ainda não é grande o suficiente para terminar em um casamento.

COMPRE SE…
Você roda quase que só na cidade e quer descansar o pé esquerdo, mas sem conviver com os trancos dos automatizados.
Busca um carro automático econômico e conectado, mas não pode gastar muito dinheiro (nesse caso, opte pela versão LT).

NÃO COMPRE SE…
Você precisa de muito espaço dentro da cabine e faz questão de ter o sistema isofix prender melhor as cadeirinhas das crianças.
Você roda muito na estrada ou anda sempre com o carro bastante carregado – nesse caso, recomendamos um motor maior.

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