Avaliação: O Citroën C3 mudou, mas o melhor você não vê


Lançado no Brasil em 2012, o Citroën C3 de segunda geração ganhou neste período algumas poucas mudanças pontuais e mantinha-se até praticamente inalterado em relação às primeiras unidades que ganharam cidadania brasileira. Mas isso acaba de mudar. O hatch da marca francesa estreia na linha 2017 um contemporâneo motor 1.2 flex de três cilindros, seguindo a onda do downsizing.

É uma grande notícia para os fãs do C3. Importado da França, o propulsor batizado de PureTech é o mesmo que acaba de ser adotado pelo Peugeot 208 (modelo com o qual o Citroën C3 compartilha o conjunto mecânico e plataforma na fábrica da PSA no Brasil), trazendo sofisticações como o duplo comando de válvulas variável na admissão e no escape, coletor de escapamento integrado ao cabeçote e sistema de partida a frio sem tanquinho de gasolina. O propulsor substitui o 1.5 de quatro cilindros (basicamente uma variação de cilindrada aumentada do 1.4 dos C3 de primeira geração) nas versões Origine, Attraction e Tendance.

Olhando só os números, a impressão é de que o consumidor saiu perdendo. Enquanto o motor 1.5 desenvolvia 89/93 cavalos e 13,5/14,2 kgfm (gasolina/etanol), o novo 1.2 despeja 84/90 cv e 12,2/13 kgfm. Na prática, porém, o resultado é bem diferente. O C3 ficou mais esperto porque antigo propulsor tinha bom desempenho até 3.500 rpm, mas perdia rendimento a partir dessa faixa de giros. Já o novo motor é mais elástico e responde bem em baixas e altas rotações. O resultado é a maior facilidade em ganhar e manter altas velocidades e também retomadas mais tranquilas, mesmo acima da faixa de torque máximo.

Outro ganho do motor 3 cilindros foi no consumo de combustível. Na cidade, o C3 1.5 fazia 8/10 km/l na cidade e 11,8/14,6 km/l na estrada (etanol/gasolina), enquanto o novo 1.2 faz 10,6/14,8 km/l na cidade e 11,3/16,6 km/l na estrada. Números pouco inferiores aos do Peugeot 208 com o mesmo motor (que atualmente é o flex mais econômico do País). De resto, o C3 sofreu poucas alterações: a transmissão manual de cinco marchas é a mesma, mas ganhou uma relação de diferencial mais longa (para aproveitar melhor o torque e contribuir para a redução no consumo). Suspensão, direção (com acerto mais voltado ao conforto) e visual permanecem sem mudanças.

A versão de entrada do hatch com o novo motor 1.2 é a Origine (R$ 46.490), que sai de fábrica com ar-condicionado, direção elétrica e travas/vidros dianteiros elétricos. A versão Attraction (R$ 49.990) acrescenta o rádio com conexão bluetooth, rodas de liga leve, faróis de neblina, luzes diurnas de LED e vidros elétricos traseiros. A mais cara é a Tendance (R$ 52.690), que, além dos itens anteriores, traz o para-brisa Zenith.

Central multimídia e ar-condicionado digital são itens opcionais, vendidos por R$ 1.850. As versões equipadas com o motor 1.5 correspondiam a uma fatia de 55% do total de vendas da linha. Com o motor 1.2, a expectativa da Citroën é de que as versões mais acessíveis do carro atinjam uma participação de 65%. Entre janeiro e maio deste ano, o C3 somou 4.937 unidades comercializadas.

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Ficha técnica:

Citroën C3 PureTech 1.2 Tendance

Preço básico: R$ 52.690
Carro avaliado: R$ 55.930
Motor: 3 cilindros em linha 1.2, 12V
Cilindrada: 1199 cm3
Combustível: flex
Potência: 84 cv a 5.750 rpm (g) e 90 cv a 5.750 rpm (e)
Torque: 12,2 kgfm a 2.750 rpm (g) e 13 kgfm a 2.750 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco sólido (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,944 m (c), 1,708 m (l), 1,521 m (a)
Entre-eixos: 2,460 m
Pneus: 195/60 R15
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 55 litros
Peso: 1.110 kg
0-100 km/h: 12s3*
Vel. máxima: 174 km/h*
Consumo cidade: 14,8 km/l (g) e 10,6 km/l (e)
Consumo estrada: 16,6 km/l (g) e 11,3 km/l (e)
Nota do Inmetro: A
Emissão de CO2: 84 g/km
Classificação na categoria: A (Compacto)