Avaliação: Citroën C4 Cactus THP é SUV potente e confortável

O novíssimo Citroën C4 Cactus estreia no mercado de SUVs com belo design, bom espaço interno e grande vão livre do solo para dobrar as vendas da marca

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Esqueça o Aircross e o Picasso. O Cactus está chegando ao mercado brasileiro para renovar totalmente o conceito que o consumidor tem da Citroën. Oficialmente batizado como Citroën C4 Cactus, o primeiro SUV da marca pretende ser uma nova interpretação desse tipo de carro, mais habitável. Em relação ao Aircross, basta dizer que ele é “mais SUV”, e não um aventureiro. Em relação ao Picasso, é um carro muito mais convencional e amigável. Compacto por fora, grande por dentro, com um desenho contemporâneo e pensado para o consumidor brasileiro, o Cactus tem a missão de dobrar as vendas da marca e ser o “embaixador” da Citroën neste final de 2018 e em 2019, quando a empresa completa 100 anos.

São duas versões 1.6 VTi de 115/122 cv com câmbio manual de cinco marchas (Live e Feel) e duas versões com câmbio automático (Feel 1.6 VTi e Shine THP de 165/173 cv). O Cactus Feel 1.6 automático tem ainda mais duas configurações (Business e Pack). Já a versão Shine THP pode ter também a configuração Pack, que avaliamos em primeira mão durante uma semana, antes do lançamento oficial do carro. É uma oferta de versões bastante confusa, pois várias têm o mesmo nome, inclusive a mesma cilindrada de motor, mas resumindo são sete opções de compra, sendo duas com o motor 1.6 turbo. Todas as configurações automáticas usam a caixa EAT6, de seis marchas.

O Citroën Cactus é bonito e tem clara inspiração em dois carros ingleses: o Mini Countryman e o Range Rover Evoque. Muito mais do que o teto em cor diferente (isso é opcional), o Cactus exibe uma postura larga e assentada no chão, como os carros citados. O conjunto ótico dianteiro em três estágios é originário da própria Citroën e permitiu a integração das luzes diurnas (DRL) no emblema tipo Chevron. De traseira, ele lembra muito o Evoque, com uma proteção do para-choque surgindo debaixo do carro.

Mas o Cactus tem algumas soluções de design exclusivas e que antecipam os futuros carros da Citroën. Ao lado dos dois faróis de neblina (e também na traseira) existem duas fendas verticais que servem para deixar o carro mais “elevado”. Também existem três entradas de ar na parte inferior das portas, a barra de teto é “flutuante” e a coluna C, que lembra uma barbatana flutuante, é bem larga, com a assinatura “Cactus”. O rack de teto é funcional na versão topo de linha.

Na versão que avaliamos (Shine 1.6 THP Pack), as molduras dos faróis de neblina e os retrovisores estavam pintados na cor do teto. As rodas de liga leve de 17”, com belo desenho e acabamento diamantado, estão disponíveis nas duas versões Shine e na Feel Automática Pack. As demais versões Feel também têm rodas de liga leve de 17”, porém pintadas em cinza fosco. Só a versão de entrada (Live) têm rodas de 16” – e são de aço.

Ainda analisando o Cactus por fora, destacamos o grande vão livre do solo (225 mm, maior que o de quase todos os concorrentes), os bons ângulos de entrada (22º) e de saída (32º), bem como a generosa distância entre-eixos de 2,600 m. O resultado disso é um carro bastante amplo por dentro, com espaço suficiente para as pernas. Para não estragar o design, os estilistas da Citroën decidiram deixar o SUV com balanços bem curtos (ou seja, com as rodas bem próximas da extremidade). Assim, o porta-malas foi prejudicado e tem apenas 320 litros de volume (perde até para o do Ford EcoSport, que tem 356 litros). Porém, tem a vantagem de não carregar o estepe pendurado na traseira.

Para o motorista, o Citroën C4 Cactus traz várias facilidades, mas existe um pênalti na ergonomia. O volante de direção com assistência elétrica é levíssimo, tem empunhadura mais agradável do que a do C4 Lounge e design exclusivo. O quadro de instrumentos digital é igual ao do sedã e reforça a mudança de paradigma da Citroën, de não mostrar ponteiros para o motorista. Já a tela multimídia de 7” está muito bem posicionada e é facílima de operar, inclusive com alguns comandos no volante e botão para volume. O sistema conecta Apple CarPlay e Android Auto.

Outra coisa na qual o Cactus não lembra em nada o Aircross são os porta-objetos, muito bem planejados e eficientes. O pênalti na ergonomia se refere aos bancos dianteiros. Apesar de o volante ter ajuste de altura e profundidade, é difícil encontrar uma posição de dirigir que não provoque dor lombar. O assento é curto – e isso incomoda. Para escapar dessa cilada, foi preciso posicionar o volante bem para baixo e inclinar o encosto, que não é milimétrico, além do desejável. Em compensação, o acabamento dos bancos é muito caprichado e de bom gosto e uma parte do encosto aparece também em um detalhe vertical no lado direito do painel.

Com o aclamado motor turbinado de 173 cavalos, o Cactus THP tem ótimas acelerações e retomadas de velocidade vigorosas. O câmbio de seis marchas também agrada e mesmo no modo sequencial passa uma boa sensação de dirigir. Assim como nos melhores esportivos, as marchas sobem para trás e reduzem para frente, o que é muito melhor do que se vê na maioria dos carros (o contrário). É uma pena que o carro não tenha borboletas atrás do volante para trocas de marcha manuais, mas como a proposta do Cactus é mais o off-road do que a esportividade, não podemos considerar esse detalhe um pecado da Citroën. Aliás, em relação à maioria dos SUVs do mercado, apesar de não oferecer tração 4×4, o Cactus traz o sistema Grip Control, que permite ao motorista melhorar a performance do carro em condições de neve (ou chuva), lama e areia.

Esse sistema é oriundo do Peugeot 2008, que utiliza a mesma plataforma do Citroën Cactus na fábrica da PSA em Porto Real (RJ). Rodando, o Cactus nos pareceu menos estável e divertido do que seu “primo” 2008, apesar de ter um entre-eixos maior e de ter uma altura total menor. Isso é consequência do vão livre bem maior (225 contra 200 mm), o que elevou também o centro de gravidade do carro. Mais uma vez, porém, aqui destaca-se o caráter do Citroën Cactus, que não quer ser um crossover, mas sim um SUV. E em relação ao rival EcoSport, o Cactus consegue ser 13 mm mais baixo, apesar de ser 25 mm mais elevado do solo, além de oferecer maior sensação de espaço a bordo. E é mais estável.

Na configuração Pack, o Citroën C4 Cactus traz bastante tecnologia. Além dos já citados sistemas de “mãos livres” e Grip Control, o Cactus topo de linha tem sistema de alerta de colisão e frenagem automática – o carro freia sozinho de 5 a 80 km/h em caso de colisão iminente. Ele também tem alertas de saída de faixa e aviso de fadiga. No total, são 12 itens de auxílio à condução. Estranhamente, porém, o assistente de partida em rampa não funcionou bem durante nossa avaliação. A contrário de outros carros, que seguram o veículo por 3 segundos, o Cactus dava uma pequena descida e depois parava – alguma coisa não funcionava bem. O carro também não tem sistema start-stop, mas é possível colocar o câmbio automático nos modos Drive, Eco ou Sport, além do manual sequencial. Como pontos positivos podemos destacar a câmera de ré e os faróis de neblina com função cornering (acompanham o movimento das rodas dianteiras).

O Cactus com motor THP é especialmente atraente para quem aprecia boas relações de peso/potência e peso/torque. Apesar de ser ligeiramente menos potente do que o EcoSport Titanium com motor 2.0 (176 contra 173 cv), o Cactus ganha nas duas comparações. Tem 7,3 kg/cv contra 7,7 do EcoSport e dá um banho na relação peso/torque (responsável por deixar o carro ágil na cidade): são apenas 49,6 kg/kgfm do Cactus contra 60,4 do Eco e 73,3 kg/kgfm do Honda HR-V, um dos ícones da categoria.

Como “embaixador” da nova Citroën, o Cactus terá de quebrar paradigmas. Um deles é que o porta-malas volumoso é fundamental. Segundo o diretor de marketing da PSA, Antoine Gaston-Breton, o bagageiro é apenas o quinto item mais importante para o consumidor dessa categoria. O primeiro lugar é a habitabilidade – e nesse ponto o Cactus se sai bem. “A ambição da Citroën é que o C4 Cactus represente mais de 50% das vendas da Citroën em 2019”, afirma Gaston-Breton. Nesse caso, a Citroën dobraria suas vendas. De janeiro a julho deste ano, a marca ocupou a 13ª posição no ranking brasileiro; se as vendas dobrarem, a Citroën se colocará em 11º lugar, à frente até da Peugeot. Para isso, a Citroën renovou 60% de sua rede desde 2014 e hoje conta com 95 concessionárias – chamadas de Maison Citroën – que garantem a recompra do carro pagando 85% da Tabela Fipe após 30 meses, em caso de financiamento. A garantia do Cactus é de três anos.

O Cactus foi totalmente desenvolvido no Brasil e sempre foi pensado como um SUV. Já o Cactus europeu tomou outra vertente e fica mais próximo de um hatch médio. Para quem quiser um Cactus personalizado, a Citroën oferece três opções de cores de teto (branco, preto e azul) e seis cores de carroceria (dois tons de branco, dois tons de cinza, preto e azul esmeralda, o das fotos).


Ficha técnica:

Citroën C4 Cactus Shine 1.6 THP Pack

Preço básico: R$ 78.000*
Carro avaliado: R$ 99.000*
Motor: 4 cilindros em linha 1.6, 16V, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1598 cm³
Combustível: flex
Potência: 166 cv a 6.000 rpm (g) e 173 cv a 6.000 rpm (e)
Torque: 24,5 kgfm a 1.400 rpm (g/e)
Câmbio: automático sequencial, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: Pseudo MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,170 m (c), 1,714 m (l), 1,563 m (a)
Entre-eixos: 2,600 m
Pneus: 205/55 R17
Porta-malas: 320 litros
Tanque: 55 litros
Peso: 1.617 kg
0-100 km/h: 7s5 (g) e 7s3 (e)
Velocidade máxima: 212 km/h (g/e)
Consumo cidade: 10,4 km/l (g) e 7,2 km/l (e)
Consumo estrada: 12,6 km/l (g) e 8,9 km/l (e)
Nota do Inmetro: C
Emissão de CO²: 119 g/km
Classificação na categoria: B (Utilitário Esportivo Compacto)

*Preços estimados. Veja os valores oficiais no site da Motor Show

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