Avaliação: Dá para conviver com o elétrico Renault Zoe diariamente?

Como é ser “proprietário” do Renault Zoe, o hatch compacto 100% elétrico, que oferece 300 km de autonomia e custa R$ 149.990


Passei uma semana ao volante do elétrico Renault Zoe. Guiar um carro a bateria é (sempre) uma experiência interessante. Seja pela mudança nos hábitos quanto pela consciência limpa de andar sem emitir poluição na atmosfera. Há pouco tempo experimentei o eco friendly chinês JAC iEV20. Agora, é a vez do Renault Zoe.

Cinco anos depois e alguns cabelos a menos, retorno ao simpático Renault Zoe, com preço de R$ 149.990, visual de nave espacial e capaz de oferecer 300 km de autonomia.

Ando mais de 40 km para ir/voltar da redação e o trânsito é de arrancar os cabelos. De início, o “tanque cheio” me permitiria realizar todas as tarefas, mas e ao longo da semana?

A total ausência de ruídos do Renault Zoe deixou mais evidente o ronco dos caminhões/ônibus e das motocicletas com escape aberto “enrolando o cabo” no corredor. Para a minha sorte, o áudio da renomada Bose, com seis alto-falantes, subwoofer (falante de grave) e amplificador de sete canais abafou as interferências externas. 

A posição de dirigir parece a de outros Renault e o banco do motorista não possui regulagem de altura – a coluna de direção oferece a de altura/profundidade. Por quase R$ 150.000, o acabamento exibe plásticos duros nas portas e na região do painel, o ar-condicionado é similar ao do trio Sandero/Logan/Stepway e o famigerado comando satélite aparece na coluna de direção.

Entre os itens de série do Renault Zoe, estão presentes luzes diurnas de LED (DRL), quatro airbags (frontais e laterais), quadro de instrumentos digital, controles eletrônicos de tração/estabilidade e assistente de partida em rampas.

O hatch compacto elétrico da Renault mede 4,084 m de comprimento e 2,588 de entre-eixos. São dimensões similares ao do Sandero, com 4,070 m e 2,590 m, só para comparar.

Vida de popstar
A bordo do Renault Zoe, você vira uma celebridade. É parar nos semáforos ou estacionar para alguém puxar conversa. A curiosidade é compreensível, pois a novidade divide as atenções ao lado de outros elétricos, como os JAC iEV20 (R$ 129.900) e iEV40 (R$ 169.900) e o Nissan Leaf (R$ 195.000).

O motor é alimentado por um conjunto de baterias instalado no assoalho. Estão disponíveis 92 cv de potência, mas é o torque instantâneo de 22,43 kgfm, que arranca sorrisos e leva o Renault Zoe de 0 a 100 km/h em 13,5 segundos. A velocidade máxima é de 135 km/h.

Esse conjunto permite guiá-lo “na casquinha” sem exigir do pedal do acelerador. Em grande parte do tempo, andei no Eco Mode, que otimiza o desempenho e o funcionamento do ar-condicionado deixando as respostas mais brandas em prol do consumo. Mesmo assim, o Renault Zoe não fez feio nas subidas íngremes do meu bairro e o fluxo de energia é acompanhado pela tela tátil de 7” da central multimídia R-Link Evolution.

Ao tirar do Eco Mode, o Renault Zoe entregou um fôlego capaz de grudar as minhas costas no encosto do banco. E dificilmente alguém te alcançará partindo da imobilidade. Após o breve momento de empolgação lembrei, que dirigir um elétrico é estar com um “olho no computador de bordo e o outro no medidor da bateria”.

À medida, que acelerava, o nível da bateria não despenca bruscamente e a regeneração de energia ocorre nas frenagens/desacelerações – é possível obter dois ou três quilômetros nas descidas mais longas.

As suspensões trabalham bem em nosso asfalto e a modulação do pedal do freio poderia ser melhor. Como não faz barulho é preciso atenção extra com os pedestres. Embora um sinal sonoro é emitido abaixo de 30 km/h.

Hora de abastecer 

Enfim, eis que chegou a hora! O marcador de combustível cravava 80 km de autonomia e um amigo me indicou uma estação dentro de um supermercado. Na vaga destinada aos veículos elétricos estava um carro “normal”, que foi convidado (gentilmente) a se retirar. Entretanto, o equipamento estava inoperante. Tempo e trabalho perdidos!

No dia seguinte, tentei carregar o Renault Zoe perto do trabalho e…nada feito. Outro equipamento “fora de combate”. A tomada do Tipo 2 está sob o logo do fabricante na dianteira e 80% da carga é obtida em 1h40 (carregadores de 22 kW).

Devolvi o carro com 45 km de autonomia e apesar dos percalços dá para conviver com o Renault Zoe. Desde que você tenha onde recarregá-lo.


RENAULT ZOE INTENSE
Preço básico: R$ 149.990
Carro avaliado: R$ 149.990

Motor: Elétrico síncrono, dianteiro
Combustível: Bateria
Potência: 92 cv entre 3.000 e 11.300 rpm
Torque: 22,43 kgfm de 250 a 2.500 rpm
Câmbio: automático, uma marcha
Direção: elétrica
Suspensão: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)  
Tração: Dianteira
Dimensões: 4,084 m (c)1,730 m (l), 1,562 m (a)
Entre-eixos: 2,588 m
Pneus: 195/55 R16
Porta-malas: 334 litros
Bateria: Ions de lítio, 41 KWh
Peso: 1.480 kg
0-100 km/h: 13s5
Velocidade máxima: 135 km/h
Consumo cidade: 34,9 km/l  (PBEV)
Consumo estrada: 27,8 km/l (PBEV)
Autonomia: 300 km (WLTP)
Recarga: Cinco horas (7,7 KWh), 80% da carga em 1h40 (22 KWh)
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (Médio)