Dirigir ou não o Mercedes-Benz E 250, eis a questão

O Mercedes-Benz E 250 pode até se dirigir sozinho em certas situações. Um excelente carro, mas que como motorista ainda não é muito confiável...

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Chegando de Frankfurt, onde cobri o Salão e quase todo táxi é um Mercedes-Benz Classe E, foi estranho avaliar o sedã como um carro de luxo de R$ 339.900. Mas os taxistas de lá têm versões a diesel peladas, até com rodas de aço – muito diferentes desse E 250 Avantgarde, com acabamento e equipamentos superiores e capaz de se dirigir sozinho em algumas situações. Com a chave no bolso, a maçaneta destrava quando ponho a mão e o volante com ajuste elétrico se afasta para abrir espaço.

A cabine tem acabamento magnífico, iluminação indireta acolhedora com LEDs e espaço de sobra. O sistema multimídia, porém, desagradou. A qualidade sonora é ótima e há muitos recursos de conectividade, mas os comandos são confusos, o touchpad não entende o que você escreve e a integração com o Android Auto é ruim (tocando música, para pular uma faixa é preciso estar na tela do app; nenhum outro botão no console ou no volante permite a simples operação).

Aperto o botão do auxílio de estacionamento e ele sai da vaga do modo que entrou, acelerando, freando e esterçado totalmente por conta própria. Em movimento, o E 250 agradou ainda mais, mesmo nessa versão de entrada (aqui no Brasil). O 2.0 turbo garante desempenho excelente quando no modo Sport (0-100 km/h em 7s3), enquanto o câmbio de nove marchas reduz bastante ruído e consumo: o silêncio impressiona e na estrada é fácil superar 15 km/l no modo Eco (com roda livre). Para completar, a direção é precisa e as suspensões multilink com amortecedores adaptativos têm acerto primoroso, combinado conforto absoluto e ótimo comportamento em curvas.

Um carro tão bom de guiar que comecei a questionar o porquê de ser semi-autônomo – ainda mais depois que o deixei “assumir o volante”. Ajudando na baliza e no anda-e-para até vai lá, mas acima de 40 km/h, atrapalhado pelas pistas estreitas e mal sinalizadas, o Classe E ainda não é um bom motorista. Fica ziguezagueando dentro da faixa, freia sem necessidade… não dá pra relaxar.

Além disso, levei um susto quando guiado por ele. Estava sem as mãos no volante e passei por um guarda: podia ter sido multado, afinal nossa lei não prevê carros-robôs. Por essa e por outras, entre dirigir e não dirigir, fico com a primeira opção. Ainda mais em um sedã de tração traseira tão bom de guiar assim. Compraria esse E 250, sem dúvida, mas, se a marca permitisse, dispensaria a ajuda ao volante e pediria um bom desconto.


Ficha técnica:

Mercedes-Benz E 250 Avantgarde

Preço básico: R$ 329.900
Carro avaliado: R$ 329.900
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando continuamente variável, injeção direta, turbo, start-stop
Cilindrada: 1991 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 211 cv a 5.500 rpm
Torque: 35,7 kgfm de 1.200 e 4.000 rpm
Câmbio: automático sequencial, nove marchas
Direção: elétrica
Suspensões: multilink (d/t)
Freios: disco ventilado (d/t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,923 m (c), 1,852 m (l), 1,468 m (a)
Entre-eixos: 2,939 m
Pneus: 245/45 R18
Porta-malas: 540 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 1.680 kg
0-100 km/h: 7s3
Velocidade máxima: 240 km/h
Consumo cidade: 9,2 km/l
Consumo estrada: 12,2 km/l
Emissão de CO2: 132 g/km
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: B (Extra-Grande)


Contraponto

Por Evando Eboshita

Confesso que também adorei minha experiência com o Mercedes-Benz E 250. Mas, diferentemente do meu colega Flavio, eu não compraria o sedã alemão. O primeiro motivo é o seu tamanho: com quase 5 m de comprimento, o E 250 não está entre os carros mais práticos para quem enfrenta diariamente o trânsito pesado da capital paulista. E a situação piora ainda mais se considerarmos que minha vaga de estacionamento no prédio comporta, no máximo, um sedã médio sem que eu incomode a vizinhança.

Outro ponto que pesa contra o Classe E é o sistema de direção semi-autônomo, que funciona bem somente abaixo de 40 km/h. Eu não compraria um automóvel só pela comodidade de não precisar dirigí-lo em congestionamentos. Se tivesse que escolher um outro sedã da própria Mercedes, minha escolha recairia sobre o C 300 Sport, que é menor e custa quase R$ 100.000 a menos, porém é mais potente (245 cv ante 211 cv) e tão ajustado dinamicamente quanto o E 250. No meu ponto de vista, seria uma escolha bem mais racional para quem gosta de ter prazer ao dirigir.

COMPRE SE…
Você procura um sedã espaçoso, confortável e ágil, e que ainda garanta uma boa dose de prazer ao volante.
Quer uma ajudinha nos congestionamentos e nas balizas e uma introdução no incrível mundo do carro autônomo.

NÃO COMPRE SE…
Você pretende carregar bicicletas ou outros equipamentos muito volumosos; falta a versatilidade de um SUV ou uma minivan.
Você procura um design arrojado e diferente; nesse aspecto, o Mercedes-Benz Classe E ainda é um tanto conservador.

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