Avaliação: elétrico Volvo C40 estreia no Brasil e marca história da Volvo; nós já o aceleramos

O Volvo C40 é o primeiro modelo do fabricante sueco oferecido em todo o mundo apenas como elétrico. Ele chega ao Brasil para fazer companhia ao XC40, e nós já o testamos

Volvo C40

O Volvo C40 entra em pré-venda no Brasil, conforme anúncio que será feito hoje, 8 de fevereiro, às 19h (e publicaremos os detalhes aqui no site). Mas nossa parceira italiana Quattroruote já andou no carro. Antes de entrar nos detalhes, um pouco de contexto. Em 2030, todos os Volvo serão elétricos. Em 2040, a empresa se tornará neutra em carbono e “circular” – com produção só com materiais reciclados.

Sim, o fabricante sueco levou a sério a questão da mudança climática e está adiantada nos planos de zerar a pegada de carbono global até 2050 – com uma até exagerada antecedência, considerando as intenções reveladas por alguns países na recente COP 26. A fábrica de Gante, Bélgica, onde nascem o XC40 e o V60, terá mais da metade da produção representada por carros elétricos já este ano, com capacidade aumentada para 35 mil unidades por ano.

E é precisamente aqui que começa minha jornada para descobrir um carro que um dia, de alguma forma, contará um pedaço da história da transição energética da marca escandinava. Na verdade, este novo Volvo C40 não é o primeiro carro elétrico da marca – já há o XC40, que agora passou a ser vendido só na versão Recharge Pure Electric (leia aqui a avaliação completa) no Brasil –, mas o Volvo C40 é o primeiro já nascido para ser apenas elétrico. Uma diferença conceitual sutil, porém importante para o posicionamento da marca como “inovadora e limpa”.

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Volvo C40: entre o passado e a última moda

O nome começa com C porque ele pode ser considerado o herdeiro espiritual dos cupês Volvo que se sucederam ao longo dos anos: quem se lembra deles provavelmente verá uma pitada do DNA estilístico do C30 ou do 480 em sua traseira. Mesmo que não se lembre, você notará que o estilo do crossover é uma interpretação do conceito SUV-cupê (crossover com teto inclinado — leia mais aqui sobre o conceito), com linha de cintura elevada, teto em cores contrastantes para baixar visualmente o centro de gravidade, janela traseira bem inclinada e uma série de elementos interessantes.

Volvo C40

Há um discreto aerofólio no porta-malas, apêndices separados no teto e luzes de LED com uma portinhola na parte superior – tudo combinado a novos projetores de “LED pixel” com 84 diodos de matriz ativa que iluminam tudo que você precisa, mas sem perturbar os outros motoristas.

Volvo C40
Os dois motores empurram forte: são 408 cv e 660 Nm. O sistema de regeneração também é poderoso

Ao abrir a porta, o acesso ao Volvo C40 é bem fácil (razão pela qual muitos gostam de SUVs) e a visão é a habitual, tranquilizadora e acolhedora como em tantos outros Volvo. Minha atenção, porém, recai imediatamente para os detalhes que o diretor de design de interiores me contou na noite anterior. O mais curioso é o das inserções no painel, que à noite parecem ganhar vida e ficar com a aparência de um mapa topográfico, enquanto o aspecto sustentável é bem representado pelo estofamento em couro (que não é de couro propriamente dito; leia box) e pelos materiais reciclados em todo o estofamento.

Volvo C40

 

Assistente inteligente

Após ajustar o assento elétrico, me vejo em uma posição bastante elevada, com o Volvo C40 já pronto para andar: como no XC40, para o carro se mover basta selecionar o modo D na transmissão de relação fixa. Uma olhada na tela central me diz que tenho autonomia de 420 quilômetros, mas ela pode aumentar ou diminuir conforme meu estilo de dirigir. Isso é óbvio, mas o computador de bordo prevê com precisão a amplitude desta faixa, informando um valor mínimo e máximo de autonomia – uma ferramenta muito útil e nada óbvia, que pouquíssimos carros elétricos possuem atualmente.

Por falar em assistência inteligente, um dos aspectos mais agradáveis ​​a bordo é o software de informação e entretenimento, desenvolvido em conjunto pela Volvo e Google (o Android Automotive que já elogiamos tanto no XC40).

Equivale a poder contar com um dos mais eficientes assistentes de voz do mercado para gerenciar tanto o microcosmo digital vinculado à sua conta do Google quanto algumas funções do carro, como ajuste de temperatura ou identificação de pontos de interesse e destinos de navegação; o Google Maps está disponível, mas em versão dedicada, com funções estendidas para a condução elétrica, como planejamento de viagem com cálculo automático de paradas para recarga, com base na autonomia restante.

Parte da informação, como as do sistema de navegação, encontro diante dos meus olhos em um grande painel digital com gráficos bem decifráveis – onde, no entanto, sobre a energia disponível, há só a porcentagem de carga da bateria, mas não a quilometragem restante: esta só aparece no menu da tela central.

É positivo que a interface seja cristalina e o sistema, muito responsivo às entradas, pois outra função que deve ser ativada a partir da tela central é o modo “direção com um pedal”, que permite o máximo de regeneração de energia ao aliviar o pé direito e dispensa o pedal do freio na maioria das paradas.

Este sistema não é muito confortável, mas, segundo o engenheiro de P&D, trata-se de uma escolha filosófica do fabricante sueco: o cliente, se decidir usar esta função, dificilmente voltará a desligá-la. Duvidoso, na minha opinião – prefiro um comando no volante para mudar quando quero, de acordo com o trânsito.

Mas esqueço disso na primeira aceleração: a força dos dois motores elétricos é daquelas que te pressionam contra o banco (408 cv e 0-100 km/h em 4,7 segundos), e logo optei por usar a regeneração máxima em função do percurso, principalmente urbano, onde o anda e para é uma constante – uma dádiva de Deus, no caso de carros elétricos: durante a viagem, vejo um consumo que gira em torno de 5 km/kWh: um valor alinhado com a autonomia declarada, o que me leva a pensar que os 420 quilômetros, com bateria cheia, pode ser uma meta realista.

Volvo C40

De qualquer modo, se precisar recarregar rapidamente o SUV em um carregador super-rápido, não devo gastar muito tempo, graças à capacidade de receber 150 kW em corrente contínua. O carregador CA de 11 kW de bordo, por outro lado, permite que a bateria seja totalmente carregada em uma noite (cerca de oito horas).

De volta à estrada, o C40 dispensa os sons de ficção científica gerados artificialmente, e o silêncio a bordo é notável: o isolamento acústico da cabine foi muito bem cuidado, assim como a calibração dos amortecedores, dedicados ao conforto, mas, ao mesmo tempo, capazes de suportar adequadamente a carroceria nas curvas.

Entre os elementos que funcionam bem, estão também os sistemas de auxílio ao motorista. O C40 oferece o nível 2 de direção assistida, com uma direção suave e eficaz e ACC com stop and go. Tudo de série, até porque o SUV tem uma configuração única.

Por fim, se você já leu aqui na MOTOR SHOW a sobre o novo XC40 100% elétrico e achou esta nova avaliação um tanto repetitiva, compreendemos perfeitamente – afinal, além de ter o mesmo conjunto mecânico, esta novidade compartilha muitas das qualidades da cabine que elogiamos na avaliação do SUV. O que é ótimo, pois os elogios não foram poucos – e este novo Volvo difere dele basicamente pelo visual mais esportivo e “na moda” e pelo fato de ser oferecido, desde o seu “nascimento”, apenas nesta versão elétrica.

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A lei dos veganos: animais a salvo

Abaixo, um detalhe do estofamento ecológico para bancos, volante e demais partes da cabine e dos revestimentos azuis dos painéis das portas, túnel central e tapetes. Para fazê-los, são usadas garrafas de plástico recicladas (PET). Partindo do pressuposto de que as fazendas – especialmente as intensivas – impactam no desmatamento e no abastecimento de água, além de serem uma importante fonte de emissões de gases de efeito estufa (15% do total mundial), a Volvo decidiu que a partir do C40 todos seus carros elétricos serão “animal free”.

Volvo C40

O couro até agora usado para estofamento dos bancos, volante ou outros elementos deixarão de utilizar derivados de origem animal. Tudo a bordo do Volvo C40 que parece ser de couro, até mesmo quando tocamos com as mãos, na verdade se chama “Nordico”: trata-se de um composto feito com fibra obtida de material reciclado, biomassa de florestas escandinavas e até mesmo de rolhas. Os painéis de portas e tapetes também vêm da reciclagem de garrafas PET. É um primeiro passo para a economia circular que a Volvo pretende implantar nos próximos anos, que inclui também o envolvimento de todos seus fornecedores diretos, que terão de demonstrar que possuem rígidos requisitos de sustentabilidade.

Raio-X do Volvo C40: opção única

O Volvo C40 segue o esquema quase obrigatório dos carros elétricos atuais, com sua bateria de 75 kWh colocada sob o assoalho e moldada de forma a aproveitar ao máximo o espaço: alguns módulos, por exemplo, são colocados sob o banco traseiro, enquanto outros ficam no centro, em posição longitudinal. Os dois motores idênticos de 150 kW (204 cv) e 330 Nm cada um possibilitam a tração nas quatro rodas.

As únicas diferenças notáveis ​​dizem respeito à disposição da eletrônica de potência de controle, que na frente está acima do próprio motor, enquanto na parte posterior é colocada atrás dele. Em carregadores de corrente alternada, o C40 aceita até 11 kW, enquanto conectado a uma estação HPC de corrente contínua a bateria pode ser carregada a 150 kW. Como é tradição nos modelos da Volvo, a segurança passiva e ativa também é essencial. E, como nos outros modelos da marca, a máxima é limitada a 180 km/h.Volvo C40

Volvo C40


Volvo C40 Recharge

Preço básico: R$ 419.950
Carro avaliado: R$ 419.950

Motores: elétricos, um dianteiro e outro traseiro, síncronos, com ímã permanente
Combustível: a bateria Potência: 204 + 204 cv = 408 cv de 4.350 a 18.900 rpm
Torque combinado: 330 + 330 Nm = 660 Nm
Câmbio: automático, caixa redutora com relação fixa
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e multilink (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco (t)
Tração: integral
Dimensões: 4,44 m (c),1,87 m (l), 1,59 m (a)
Entre-eixos: 2,702 m
Pneus: 235/45 R 20 (d) e 255/40 R20 (t)
Porta-malas: 413 litros (dianteiro: 31 litros)
Bateria: íons de lítio, 78 kWk (75 utilizáveis)
Peso: 2.207 kg
0-100 km/h: 4s9
Velocidade máxima: 180 km/h (limitada eletronicamente)
Consumo médio: 4,6 km/kWh (oficial, WLTP)
Emissão de CO2: zero g/km
Consumo nota: A
Autonomia: 444 (WLTP)
Tempo de recarga: 8h30 (wallbox 11 kWh) / 37 min (DC 150 kW, 10-80%)
Nota do Inmetro: A*
Classificação na categoria: A* (SUV Grande)

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