Avaliação: F-Pace é o carro que faltava na Jaguar


Talvez seja por causa da convivência com o Porsche Cayenne, que já soma 14 anos. Ou então já digerimos a antipatia visual do Bentley Bentayga, aceitamos resignadamente que haverá um Lamborghini com mais de 1,5 m de altura e festejamos qualquer coisa depois da grosseria estética que é o Mercedes-Benz GLE Coupé. Fato é que, a essa altura, um SUV da Jaguar não parece tão estranho quanto se imaginaria. Pelo contrário.

O F-Pace estreou no ano passado, durante o Salão de Frankfurt, mantendo intactas as linhas do conceito C-X17, revelado na edição de 2013 do evento alemão. Chega agora ao país por preços que começam em R$ 309.700 (versão Prestige, 2.0 turbodiesel), passam pelos R$ 360.900 da R-Sport (3.0 V6 de 340 cv) e chegam aos R$ 406.300 da S, com o mesmo 3.0 V6, mas aqui com 380 cv. Há também a First Edition, de R$ 416.400, pintada no exclusivo Caesium Blue. Dessas, apenas 19 vieram para o Brasil – a marca não sabe quantos ainda restam disponíveis.

Segundo a Jaguar, seus principais rivais são o BMW X4 (a partir de R$ 299.950) e o Porsche Macan (a partir de R$ 319.000), embora também estejam um pouco mais distantes do centro do seu radar modelos como Audi Q5, BMW X3 e Mercedes-Benz GLC.

TRANSPLANTE

Demora um pouco até que os candidatos a assumir o volante saiam do transe e abram a porta do carro para entrar. O F-Pace conseguiu juntar a frente do XF com a traseira do F-Type e fazer isso parecer normal. Geralmente esses transplantes não  dão certo, mas aqui soou natural – a única estética possível para um SUV da marca, inclusive.

Há o DNA evidente de um utilitário esportivo de luxo, mas sem truculência. A linha do teto mais próxima da linha de cintura dão elegância ao novo Jag.

Lá dentro, o visual é praticamente idêntico ao dos novos XE e XF. Quem chega ao F-Pace vindo desses modelos por sentir falta de algum ineditismo. Contudo, a marca espera que a maioria dos compradores do F-Pace sejam novos clientes – que, portanto, nunca sentaram num carro da marca inglesa.

Tudo o que se espera de um Jaguar está ali: requinte, alta qualidade e sobriedade. A tela da central multimídia chama atenção pelo tamanho (são 10,2”), mas não se resume a isso. É fácil de ser operada e os mapas do sistema de navegação são exibidos em 2D ou 3D.

Na versão avaliada, R-Sport, o painel é digital. A tela de 12,3” é configurável – o conta-giros pode assumir o posto central, por exemplo, quando se opta pelo modo dinâmico de direção. Em um dos temas visuais, o conta-giros ainda pode exibir a rotação em números, e não com um ponteiro varrendo o círculo.

O F-Pace inaugura ainda o Configurable Dynamics, que permite ajustes na transmissão, na direção e no motor conforme o humor do condutor, indo do modo mais confortável ao mais esportivo. Tudo operado através da central multimídia.

Quanto ao espaço, os ocupantes do banco traseiro não sentirão necessidade de mais do que há disponível para pernas e ombros, enquanto os da frente, mesmo que com o braço apoiado no console central, não se esbarrarão.

COMO ANDA

O V6 de 340 cv não se resume a um deleite sonoro, com seu ronco grave, levemente metálico. Dificilmente algum dos futuros donos do SUV achará pouco chegar aos 100 km/h em 5,8 segundos, como promete a marca. No modo “Eco”, as trocas do câmbio automático de oito marchas são suaves e certeiras no tempo de mudança. No esportivo, têm-se a mesma precisão nas trocas, mas a suavidade é substituída por um leve soco a cada passagem de marcha.

A direção não é afiada como a do Macan, mas tem fornece respostas satisfatórias do que está acontecendo com as rodas.

A suspensão é primorosa sobre asfalto liso. O motorista parece sentir cada músculo do carro se movimentando para fazer as curvas. Mas, sobre solo judiado, ela incomoda os ocupantes, que a julgarão dura demais. O problema está no retorno dos amortecedores.

A competência dinâmica também se deve à estrutura do modelo, 80% em alumínio, material mais leve e rígido.

HERESIA?

Mas, afinal, um SUV combina com a Jaguar? Se o Cayenne pode ter sido uma heresia para os amantes da Porsche, o mesmo não pode se dizer do F-Pace. Há uma diferença entre uma marca que sempre fez cupês e conversíveis radicalizar com um SUV e outra que, além de cupês e conversíveis, também é notória por seus sedãs e até peruas – essas, de certo modo antecessora dos SUVs no papel de carros familiares.

Afinal, talvez não haja heresia maior para a Jaguar do que o X-Type, o Jaguar com alma de Ford Mondeo e o primeiro com tração dianteira. Perto daquele sedã dos anos 2000, o F-Pace é um pecado muito menor.

No fim das contas, o F-Pace nos lembra um slogan da Jaguar dos anos 1960, “Elegância, Espaço e Ritmo”. O que nos leva à pergunta: se ele tem os três, por que demorou tanto?

Ficha técnica

JAGUAR F-PACE R-SPORT 3.0 V6

Preço básico: R$ 309.700
Carro avaliado: R$ 360.900
Motor: 6 cilindros em V, 3.0 24V, duplo comando variável, compressor volumétrico e injeção direta de combustível
Cilindrada: 2995 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 340 cv a 6.500 rpm
Torque: 45,9 kgfm a 4.500 rpm
Câmbio: automático, modo sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensão: Double Wishbone (d) e Integral link (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)?
Tração: integral, com vetorização de torque
Dimensões: 4,731 m (c), 1,936 m (l), 1,651 m (a)
Entre-eixos: 2,874 m
Pneus: 255/50R20
Porta-malas: 508 litros (estimado) – 1.598 litros com banco rebatido
Tanque: 63 litros
Peso: 1.820 kg
0-100 km/h: 5s8 (estimado)
Velocidade máxima: 250 km/h
Consumo cidade: não divulgado
Consumo estrada: não divulgado
Nota do Inmetro: não divulgado