Avaliação: Fiat Argo HGT 1.8 surpreende em dirigibilidade

Eis o novíssimo Fiat Argo HGT. Com ele, o fabricante italiano quer voltar ao topo das paradas de sucesso no segmento de hatches “médios”

O provérbio “um começo bem feito é meio caminho andado” descreve bem o novíssimo Fiat Argo. Bem nascido, ele almeja dar continuidade à tradição da Fiat no segmento de hatches. E sua meta ambiciosa é de seduzir, principalmente os clientes de Chevrolet Onix e Hyundai HB20, atuais campeões de vendas no Brasil. Difícil? Paura non avere! (não tenha medo, numa tradução livre), pois o novo carro da marca italiana reúne qualidades técnicas e construtivas para tal.

O próprio nome Argo já antecipa um presságio de sua personalidade forte. Ele vem da mitologia grega, cujo significado remete ao mito de Jasão e dos lendários argonautas a bordo da nau Argo, construída pelo semideus Argos, a pedido da deusa Atena, em busca do Velo de Ouro (ou Velocino de Ouro).

À primeira vista, a novidade atrai por seu design tipicamente italiano, com linhas volumosas e equilibradas. Os traços do Argo foram idealizados primeiramente no Centro de Estilo da Fiat, na Itália, e depois finalizados no Brasil – aliás, o Argo sai da fábrica de Betim (MG).

A dianteira exibe traços marcantes e vincados, enquanto a traseira tem um “que” de Alfa Romeo Giulietta e Fiat Tipo europeu. No entanto, o Argo não é só belo, como também tem muita engenharia. “Uma fase diferente de construir carros”, explica Claudio DeMaria, diretor de pesquisa e desenvolvimento de produto. A plataforma MP1 é a do Punto, porém, completamente redefinida. Só para citar, foram utilizados na estrutura aços comuns (25%), de alta resistência (55%) e de ultra resistência (10%). Frente a frente com o Punto, a carroceria do Argo pesa 459,7 kg (42 kg a menos) e as suspensões, 85,8 kg (12 kg mais leves).

As dimensões são de 4,000 m de comprimento, 1,750 m de largura e 2,521 m de entre-eixos. Portanto, superiores às do HB20 (3,920 m, 1,680 m e 2,500 m, respectivamente) e do Onix (3,933 m, 1,705 m e 2,528 m). Já o porta-malas do Argo é de 300 litros, igual ao do HB20, mas superior ao do Onix (280 litros). O acesso à cabine do novo Fiat é facilitado pelos bons ângulos de abertura das portas dianteiras (70°) e traseiras (80°). E aí está uma boa vantagem do Argo sobre o Onix e o HB20. A cabine do Fiat possui boa distribuição, além de bom espaço para cabeça, braços, ombros e pernas de quem viaja no banco traseiro. O Argo corrigiu um problema de habitabilidade do Punto, que era apertado.

A qualidade dos materiais, das texturas e dos cromados transmitem ares de requinte. O quadro de instrumentos possui leitura descomplicada e, dependendo da versão, pode ter tela TFT de 3,5” ou de 7”. Os comandos estão bem posicionados e as cinco saídas de ar resfriam rapidamente o seu habitáculo. O volante possui base achatada, oferecendo boa pegada, e a coluna de direção pode ser ajustável amplamente em altura e profundidade. Os pedais (próprios do Argo e não emprestados de outro carro) possuem uma boa posição para fazer o punta-tacco – manobra de acelerar e frear ao mesmo tempo para fazer reduções de marchas.

A central multimídia possui tela flutuante de 7 polegadas, remetendo aos modelos alemães da BMW e da Mercedes-Benz. Esse equipamento traz conectividade Android Auto/Apple CarPlay e é um opcional só nas configurações 1.0 (nas demais, é de série). O sistema de áudio é composto por seis alto-falantes, dos quais quatro 6×9 (40W RMS de potência) e dois tweeters (falantes de agudos). Nesse momento, você deve estar se perguntando: “Por que a Fiat não importou o Tipo da Europa?” Um dos motivos estaria no preço final ao consumidor. Afinal, o Argo ocupa o lugar dos Palio 1.4 e 1.6 (fica somente as versões 1.0) e de toda a linha Punto.

Aliás, o Bravo também nos deu adeus. Por isso, o Argo precisa ter valor competitivo: a família oferece as versões Drive 1.0 (confira aqui a avaliação com o Argo 1.0), 1.3 e 1.3 GSR, Precision 1.8 e HGT 1.8, ambas manual ou automática. Se você é saudosista, com certeza lembrou dessa sigla tão popular no Brava 1.8 de 132 cv. Ela retornou para substituir a nomenclatura Sporting. A expectativa é vender 5.000 unidades/mês. Os preços ficam entre R$ 46.800 e R$ 70.600. Já o mix de vendas deve ser: Drive 1.0 (35%), Drive 1.3 (30%), Drive 1.3 GSR (10%), Precision 1.8 manual (5%), Precision 1.8 AT (10%), HGT manual (5%) e HGT AT (5%).

Debaixo do capô das versões Drive estão motores Firefly 1.0 tricilíndrico ou 1.3 de 4 cilindros associados tanto a uma caixa manual quanto a uma automatizada GSR de cinco marchas (que estreou recentemente no Mobi Drive). As Precision e HGT usam o propulsor 1.8 VIS de 139 cv de potência (etanol) do Jeep Renegade, mas com alterações na coxinização e na tomada de ar. A transmissão automática é do fabricante japonês Aisin e, segundo a Fiat, já empregada tanto na picape Toro quanto no Renegade. Já no quesito manutenção, o óleo recomendado para os motores 1.0 e 1.3 é de especificação 0W20SN, enquanto no 1.8 é usado o de SMSW30.

Houve uma preocupação com a eficiência energética. Por isso, todas as configurações adotaram o sistema start-stop (desliga o motor durante breves paradas, como nos semáforos), indicador de troca de marchas (GSI, Gear Shift Indicator), alternador, eletro-ventilador e bomba de combustível inteligentes (funcionam sob demanda), pneus com baixa resistência ao rolamento (dos fornecedores Pirelli, Continental, Dunlop ou Goodyear), spoilers e apêndices aerodinâmicos, que passam a funcionar a partir dos 60 km/h. O Cx (coeficiente aerodinâmico) do Argo é de 0,34, portanto melhor que o do Onix (0,35) e pior em relação ao HB20 (0,33).

NA PISTA

Como já dissemos, a sigla HGT retornou. E foi nela que tivemos a oportunidade de realizar as primeiras impressões. Facciamo un giro! O motor 1.8 aspirado acorda cedo, permitindo arrancar da imobilidade com facilidade. A caixa automática de seis marchas garante conforto e ganhou calibração específica. Uma dirigibilidade prazerosa, que é evidenciada pelas trocas/reduções eficientes e livres de trancos, mesmo ao mudar sequencialmente em giros mais altos pelas borboletas do volante. Saindo da versão HGT automática e embarcando na manual, as boas impressões que tivemos se tornaram ainda melhores.

Diferentemente do Punto, a alavanca de câmbio do Argo tem um curso curto, além de engates mais leves e precisos. A relação da transmissão manual é a do Renegade/Toro, enquanto o diferencial é alongado. Esse conjunto faz do Argo um carro divertido de dirigir. O novo Fiat tem o propulsor mais potente que os modelos da Chevrolet e da Hyundai. A relação peso/potência do Argo HGT é de 8,9 kg/cv contra 10,1 do Onix 1.4 e 8,4 do Hyundai HB20 1.6. E, como tudo que acelera uma hora precisa parar, essa tarefa fica a cargo do sistema de freios semelhante ao do Renegade, com discos de 284 mm no 1.8 (257 mm no 1.0), pinças de dois pistões e tambores traseiros de 203 mm.
O acionamento satisfaz pela progressividade e não é “bruto”, como era o do aposentado Punto.

As suspensões, assim como o bloco 1.8, são elogiáveis. Se o conjunto do Punto era firme demais, o do Argo encontrou o perfeito balanço entre conforto e desempenho. Houve um grande trabalho da engenharia e cada versão tem um acerto específico. A do HGT transmite um feeling mais agressivo, com alterações na carga da mola, dos amortecedores e na barra estabilizadora, diminuindo a rolagem da carroceria. Durante nossa avaliação, o Argo contornou rapidamente as curvas, oferecendo muita estabilidade. As mudanças de trajetória também são feitas de maneira segura e as respostas ao esterço são rápidas – para garantir esse resultado, a caixa de direção do Argo HGT possui uma calibração diferente, se comparada às das configurações Drive e Precision.

Caso algo dê errado, o Argo oferece a conhecida sopa de letrinha dos itens de segurança. Os airbags laterais estão disponíveis nas versões Precision e HGT, mas são opcionais. Essa versão esportivada oferece outros itens extras vendidos em dois pacotes. O primeiro inclui ar-condicionado digital, rebatimento elétricos dos retrovisores, partida sem chave, retrovisor interno eletrocrômico, sensores de chuva e crepuscular. O segundo, bancos de couro e rodas de liga leve aro 17. Dizem que na vida não podemos criar muitas expectativas. Entretanto, com o Argo elas foram correspondidas. Pois é, a Fiat tem em mãos um produto para colocá-la de novo no primeiro lugar do segmento de hatches médios – mas ele brigará também com os compactos.


Ficha técnica:

Fiat Argo HGT 1.8 16V manual

Preço básico: R$ 64.600
Carro avaliado: R$ 73.600
Motor: 4 cilindros em linha 1.8, 16V
Cilindrada: 1747 cm3
Combustível: flex
Potência: 135 cv a 5.750 rpm (g) e 139 cv a 5.750 rpm (e)
Torque: 18,8 kgfm a 3.750 rpm (g) e 19,3 kgfm a 3.750 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,000 m (c), 1,750 m (l), 1,505 m (a)
Entre-eixos: 2,521 m
Pneus: 195/55 R16
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.243 kg
0-100 km/h: 9s6 (g) e 9s2 (e)
Velocidade máxima: 190 km/h (g) e 192 km/h (e)
Consumo cidade: 11,4 km/l (g) e 7,8 km/l (e)
Consumo estrada: 13,3 km/l (g) e 9,2 km/l (e)
Emissão de CO2: 110 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: B (compacto)

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