Avaliação: Fiat Argo Trekking no uso cotidiano

O Fiat Argo Trekking é uma opção interessante entre os hatches aventureiros, principalmente, pelo conjunto mecânico e as suspensões


O segmento de aventureiros era desconhecido antes da perua Fiat Palio Weekend Adventure. Lançada em 1999, com visual robusto e um jingle divertido (lembrado, até hoje!), ela inaugurou um estilo, que continua “firme e forte” entre os brasileiros. O Fiat Argo Trekking segue essa fórmula e o sobrenome surgiu na “picapinha” Fiorino. 

Ele é oferecido em duas opções: motor 1.3 e câmbio manual de cinco marchas (a partir de R$ 61.490) ou 1.8 com caixa automática de seis (R$ 69.990). O valor inicial é ligeiramente maior que do Ford Ka FreeStyle 1.0 (R$ 58.190) e inferior ao do Hyundai HB20X Vision (R$ 62.990).

O que ele traz de diferente?
O visual descolado exibe apliques plásticos na carroceria, rack de teto, adesivos nas laterais, na tampa do porta-malas e no capô (semelhante ao do Jeep Renegade), teto, aerofólio e capas dos retrovisores em preto brilhante. Os logotipos escurecidos vieram da Toro BlackJack e a ponteira de escapamento emprestada do Argo HGT.

A cabine possui bancos com tecidos exclusivos, costuras laranja e logotipo Trekking bordado nos encostos. As três saídas de ar remetem aos carros da Mercedes-Benz e o logotipo do volante é escurecido. Baseado na versão Drive 1.3 GSR (de Gear Smart Ride), entre os itens, traz ar-condicionado, banco do motorista e coluna de direção reguláveis em altura, multimídia de 7” com Android Auto/Apple CarPlay e sistema de monitoramento da pressão dos pneus.


Quem viaja atrás encontra bom espaço graças aos 2,541 m de entre-eixos. Apenas o quinto passageiro não vai muito confortável por conta da largura da carroceria de 1,724 m. A tampa do porta-malas é leve e o compartimento de bagagens de 300 litros é menor frente ao Renault Stepway (320), por exemplo. No entanto, acomoda bem as compras do supermercado/shopping e outras tralhas do dia a dia.  

São opcionais: a câmera de ré (R$ 990) e as rodas de liga leve de 15” (R$ 2.000). A carroceria pode vir na cor preto Vulcano (sem custos) ou em bitom sólida (R$ 900), metálica ou perolizada – as duas últimas, por R$ 1.750.  

Convivência diária


O Argo Trekking voltou à nossa garagem. Anteriormente, o testamos à época do lançamento (veja aqui) e, posteriormente, ele saiu vencedor do comparativo contra Ford Ka FreeStyle e Renault Stepway (leia mais).

Sem dúvidas, um dos pontos altos é o motor 1.3 8V com variador de fase na admissão/escape e até 109 cv de potência e 14,2 kgfm de torque, quando abastecido com etanol. Ele não pede rotações altas para deslanchar e agrada pela força a partir de baixas rotações e o comportamento elástico. A relação peso x potência de 10,37 kg/cv também favorece no desempenho.

Uma sexta marcha faz falta na estrada, no entanto, segundo a última atualização do programa de etiquetagem veicular (PBEV), em março deste ano, o Fiat crava 8,5 km/l (cidade) e 9,6 km/l (estrada), com etanol, enquanto 12,1 km/l e 13,5 km/l, respectivamente, quando abastecido com gasolina. 

A posição de dirigir junto do câmbio manual de cinco marchas, com engates macios e precisos, ajudam na ergonomia. No uso urbano, o pedal de embreagem possui acionamento leve e curso curto, que não cansa nos congestionamentos. Os comandos estão bem posicionados à mão, porém, a falta do ajuste de profundidade da direção e dos airbags apenas frontais são dois pênaltis. 

O pedal de freio progressivo melhorou comparado aos Fiat do passado e ainda ajuda a direção leve ao esterço em baixas velocidades. Os pneus Pirelli Scorpion ATR (50% Onroad e 50% Offroad), de medidas 205/60 R15, rodam quietos no asfalto e uma boa capacidade de tração no fora-de-estrada. 

As suspensões merecem um capítulo à parte e, comparado ao restante da família, elas são erguidas em 40 mm, dos quais 22 mm vieram dos pneus e 18 mm das molas e amortecedores. Altinho, com bons ângulos de entrada (21º) e de saída (34º) permite vencer valetas ou lombadas sem medo. O bom curso de suspensão no conforto e o vão livre de 187 mm possibilita enfrentar um off-road light. 

Vale a pena? Se você curte esse estilo, deseja um carro altinho ou não quer pagar por um SUV,  o Argo Trekking é uma opção interessante.


FIAT ARGO TREKKING
Preço básico: R$ 61.490
Carro avaliado: R$ 66.230
Emissão de CO2: 104 g/km
Com etanol: não é flex
Nota do Inmetro: B

Fiat Argo Trekking
Motor: quatro cilindros em linha 1.3, 8V, variador de fase na admissão e escape
Cilindrada: 1332 cm3
Combustível: flex
Potência: 101 cv a 6.000 rpm (g) e 109 cv a 6.250 rpm (e)
Torque: 13,7 kgfm a 3.500 rpm (g) e 14,2 kgfm a 3.500 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensão: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: Disco sólido (d) e tambor (t)
Tração: Dianteira
Dimensões: 3,998 m (c), 1,724 m (l), 1,568 m (a)
Entre-eixos: 2,521 m
Pneus: 205/60 R15
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.135 kg
0-100 km/h: 11s8 (g) e 10s8 (e)
Velocidade máxima: 173 km/h (e)
Consumo cidade:12,1 km/l (g)  e 8,5 km/l (e)
Consumo estrada: 13,5 km/l (g) e 9,6 km/l (e)
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: B (Utilitário esportivo compacto)