Avaliação: Fiat Argo Trekking é bom no asfalto e ótimo na terra

O novíssimo Fiat Argo Trekking é porta de entrada para o “mundo da aventura”. Mas não decepciona: tem visual parrudo e um belo trabalho de suspensão para rodar em terrenos ruins. Para muita gente, isso já resolve

No alvorecer dos SUVs compactos urbanos, aventureiros já existiam – graças à Fiat e sua linha Adventure. Hoje, os SUVs dominaram o mercado, mas esses modelos não foram esquecidos – pelo contrário. Normalmente hatches fantasiados, servem para quem não quer ou não pode pagar caro em um SUV compacto, mas busca o visual ligado a aventuras off-road e a esportes radicais – às vezes acompanhado de suspensões elevadas e reforçadas, como nesse novíssimo Fiat Argo Trekking.

O sobrenome Trekking batizou primeiro uma versão da picapinha Fiat Fiorino e, depois, também uma configuração da perua Palio Weekend com menos exageros no visual do que se via na linha Adventure. Agora, o sobrenome estreia no hatch aventureiro da marca que ainda não tem nenhum SUV. Para fazer bonito diante da concorrência, ganhou não só um banho de loja, mas também um trabalho de engenharia. Com base no Argo 1.3 GSR (automatizado), ele se diferencia pela roupagem aventureira e é vendido em verão única de R$ 58.990 – com rodas de ferro e calotas, pois as de liga-leve custam R$ 1.400 (outro opcional é a câmera de ré, de R$ 650). Como avaliado, o hatch sai por R$ 61.040, preço bem competitivo diante das versões manuais de rivais como Chevrolet Onix Activ, Hyundai HB20X e cia. (mais sobre eles nas próximas páginas).

A personalidade aventureira é reforçada por adesivos alusivos à versão nas laterais, na tampa do porta-malas e no capô, e também pelo rack de teto e pelas molduras plásticas nos para-lamas e no para-choque traseiro. Outros detalhes que reforçam sua personalidade são os logotipos escurecidos, inspirados nos da Toro BlackJack, e o teto, o aerofólio e as capas dos retrovisores pintados de preto – além da ponteira de escapamento emprestada do Argo HGT.

Todo esse cuidado no design externo do carro se repete dentro da cabine. O interior, mais escuro, bebeu da mesma fonte do Argo HGT: os bancos têm tecidos exclusivos com costuras laranjas e logo Trekking bordado nos encostos. Tanto o painel quanto a moldura do console central também são escurecidos, enquanto as saídas de ar e os tecidos das laterais de portas vieram das versões Precision 1.8. Outro detalhe legal é o logo da Fiat no volante, que segue o padrão dos aplicados na carroceria. Entre os itens de série estão trio elétrico, faróis de neblina e central multimídia Uconnect com tela de 7 polegadas e conectividade com Android Auto e Apple CarPlay.

Nosso primeiro contato com o novo modelo foi em Tatuí (interior de SP), na pista da Test Motors. O motor é o conhecido 1.3 de quatro cilindros da família Firefly, sempre associado a câmbio manual de cinco marchas. Embora o modelo seja baseado no Argo 1.3 GSR, por enquanto não há caixa automatizada nem automática (em breve chegam). Ao volante, o conjunto mecânico agrada pelo bom torque entregue desde baixos giros, garantindo agilidade nas saídas e retomadas, e pelos engates leves e precisos da alavanca de câmbio. A caixa de direção, ágil ao esterço, também merece elogios.

As relações de marchas não mudaram, mas seu diferencial foi alongado. Assim, a 100 km/h o Argo crava 3.000 rpm e, a 120 km/h, 3.600 rpm. Os pneus são de uso misto – Pirelli Scorpion ATR 205/60 R15. Seja em médias ou altas velocidades, rodam sem ruídos invadindo a cabine. Sua adoção, junto com alterações nas suspensões, elevaram o Argo Trekking em consideráveis 4 cm (2,2 cm dos pneus, 1,8 cm das suspensões). Um trabalho muito bem feito: as suspensões não só filtram e absorvem bem irregularidades do piso, como impedem a carroceria de rolar além da conta em curvas. Embora tenha 21 cm de altura em relação ao solo, é um carro na mão – e a dianteira não mostra tendência de mergulhar em frenagens bruscas. Nas dimensões da carroceria, só muda a altura – 1,568 m (1,500 no GSR).

Encarando um off-road light, o Argo Trekking trafega “na boa” por estradinhas de terra batida graças aos bons ângulos de entrada (21°), saída (34°) e transposição de rampa (20°). Os pneus especiais transmitem boa tração no fora de estrada, além de serem resistentes a danos nas laterais, normalmente causados por pedras, tocos de madeiras ou outros obstáculos. Assim, seja no asfalto, seja na terra, o hatch tem tudo para agradar a quem procura um carro de visual descolado e capacidade maior para encarar aventuras off-road – ou apenas os buracos e valetas das grandes cidades.


Ficha técnica:

Fiat Argo Trekking

Preço básico: R$ 58.990
Carro avaliado: R$ 61.040
Motor: quatro cilindros em linha 1.3, 8V, variador de fase na admissão e no escape
Cilindrada: 1332 cm³
Combustível: flex
Potência: 101 cv a 6.000 rpm (g) e 109 cv a 6.250 rpm (e)
Torque: 13,7 kgfm a 3.500 rpm (g) e 14,2 kgfm a 3.500 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: Disco sólido (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,998 m (c), 1,724 m (l), 1,568 m (a)
Entre-eixos: 2,521 m
Pneus: 205/60 R15
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.135 kg
0-100 km/h: 11s8 (g) e 10s8 (e)
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo cidade: 12,1 km/l (g) e 8,5 km/l (e)
Consumo estrada: 13,5 km/l (g) e 9,6 km/l (e)
Consumo médio: 9,0 km/l (g) e 12,9 km/l (e)
Emissão de CO²: 98 g/km
Nota do Inmetro: B*
Classif. na categoria: B (SUV compacto)*

*estimado