Avaliação: Fiat Argo Trekking é boa opção para usar na terra e no asfalto

Modelo chega com visual parrudo, suspensões elevadas e reforçadas e mecânica 1.3 manual

Fiat Argo Trekking é o mais novo membro da categoria de compactos aventureiros (Foto: Roberto Assunção)

O sobrenome Trekking batizou primeiramente o Fiat Fiorino e, posteriormente, também a peruinha Palio Weekend, além da picape Strada. Com menor apelo aventureiro do que as versões Adventure, agora ele estreia no novo hatch compacto da marca, o Argo.

E, para fazer bonito diante da concorrência, ganhou não só um ajuste de loja, mas também de engenharia. Criado a partir do Argo 1.3 GSR (de Gear Smart Ride), ele se diferencia visualmente pela roupagem aventureira e é vendido em versão única, por enquanto somente com transmissão manual. Custa R$ 58.890 e oferece um dos pacotes de melhore relação custo-benefício entre seus concorrentes.

A personalidade aventureira do Fiat Argo Trekking é reforçada por adesivos alusivos à versão nas laterais, na tampa do porta-malas e no capô (semelhante ao do Jeep Renegade), assim como pelo rack de teto e pelas molduras plásticas nos para-lamas e no para-choque traseiro. Outros detalhes que reforçam sua personalidade são os logotipos escurecidos, inspirados na Toro BlackJack, e teto, aerofólio e capas dos retrovisores pintados de preto – além da ponteira de escapamento emprestada do Argo HGT.

Toda a atenção dada ao exterior se repete na cabine: o interior, mais escuro, bebeu da mesma fonte do Argo HGT. Bancos possuem tecidos exclusivos com costuras laranjas e logotipo Trekking bordado nos encostos. Tanto o painel quanto a moldura do console central também são escurecidos, enquanto as saídas de ar e os tecidos das laterais de portas vieram das versões Precision 1.8. Outro detalhe é o logotipo da Fiat no volante, que segue o mesmo padrão dos aplicados na carroceria.

Entre os itens de série estão disponíveis trio elétrico, faróis de neblina e central multimídia Uconnect com tela de 7 polegadas e conectividade via AndroidAuto e CarPlay. Os únicos opcionais são as rodas de liga leve aro 15” e a câmera-de-ré. É um concorrente à altura das versões manuais de Chevrolet Onix Activ, Hyundai HB20X, Toyota Yaris X-Way e cia.

Como anda
Nosso primeiro contato com o modelo foi em uma pista de Tatuí (SP). O motor é o 1.3 de quatro cilindros da família Firefly, sempre associado ao câmbio manual de cinco marchas. Embora o modelo seja baseado no Argo 1.3 GSR, por enquanto não há caixa automatizada, tampouco automática.

Ao volante, uma das características do conjunto mecânico está no bom torque entregue logo nos baixos giros, garantindo agilidade nas saídas e retomadas, além dos engates leves e precisos da alavanca. Outro elogio vai para a caixa de direção ágil ao esterço.

A relação de marchas de primeira até quinta não sofreu alterações, mas o diferencial foi alongado. Assim, a 100 km/h ele crava em 3.000 rpm; e a 120 km/h, em 3.600 rpm. Os pneus são sempre de uso misto – Pirelli Scorpion ATR, com medidas 205/60 R15. Seja em médias ou altas velocidades, rodam tranquilos sem ruídos invadindo a cabine. Sua adoção, junto com alterações nas suspensões, elevaram o Fiat Argo em consideráveis 4 cm (2,2 cm dos pneus, mais 1,8 cm das suspensões).

Esse trabalho foi muito bem feito. As suspensões do Argo Trekking não só filtram e absorvem bem as irregularidades do piso, mas também impedem a carroceria de rolar além da conta em curvas mais fechadas. Embora tenha 210 mm de altura em relação ao solo, é um carro muito “na mão” –  a dianteira não mostra tendência de mergulhar nas frenagens mais bruscas. Esse perfil off-road não alterou as dimensões da carroceria, com exceção da altura – que passou de 1,50 cm (no Argo 1.3 GSR) para 1,57 cm.

Saindo do asfalto e encarando o fora de estrada light, o  Argo Trekking trafega “na boa” por estradinhas de terra batida, graças aos bons ângulos de entrada (21°), saída (34°) e de transposição de rampa (20°) – no Argo comum, são de 18°, 31° e 17°, respectivamente.

Os pneus especiais transmitem boa tração em situações fora de estrada, além de oferecer resistência a danos nas laterais, como os causados por pedras pontiagudas, tocos de madeiras ou outros obstáculos. Assim, seja no asfalto, seja na terra, o Argo Trekking tem tudo para agradar quem procura um carro com visual descolado e uma capacidade maior para encarar aventuras off-road ou mesmo apenas os buracos e valetas das grandes cidades.

FICHA TÉCNICA

Preço: R$ 58.890
Preço do carro avaliado: R$ 61.040

Motor:
Quatro cilindros em linha 1.3, 8V, variador de fase na admissão e escape
Cilindrada: 1332 cm3
Combustível: flex
Potência: 101 cv a 6.000 rpm (g) e 109 cv a 6.250 rpm (e)
Torque: 13,7 kgfm a 3.500 rpm (g) e 14,2 kgfm a 3.500 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: elétrica
Suspensão: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: Disco sólido (d) e tambor (t)
Tração: Dianteira
Dimensões: 3,998 m (c), 1,724 m (l), 1,568 m (a)
Entre-eixos: 2,521 m
Pneus: 205/60 R15
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 48 litros
Peso: 1.135 kg
0-100 km/h: 11s8 (g) e 10s8 (e)
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo cidade: 12,1 km/l (g) e 8,5 km/l (e)
Consumo estrada: 13,5 km/l (g) e 9,6 km/l (e)
Emissão de CO2: 98 g/km*
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: B (Utilitário esportivo compacto)*