26/02/2026 - 8:00
O motor é turbinado, o câmbio é CVT com simulação de sete marchas, tem chave presencial e botão de partida. Ou seja, tudo para ser um carro convencional. Mas, não! O Fiat Fastback Impetus Turbo 200 Hybrid desta reportagem tem algo diferente. Sim, como aponta o sobrenome, é um carro híbrido. Na verdade, um mild-hybrid, ou MHEV para os mais chegados. Mas será que é tão mais econômico e tem tanta diferença das versões convencionais, na prática? Foi atrás dessa reposta que rodamos com o modelo por algumas semanas.
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Fastback e Nivus
Bem completo, o SUV cupê produzido em Betim (MG) aposta na receita que mescla boa lista de equipamentos e preço competitivo – de R$ 171.990, nessa configuração. As vendas do carro (que tem outras três versões de acabamento, com preços entre R$ 119.990 e R$ 181.990), são melhores que a do concorrente VW Nivus. Quase 800 unidades de diferença nas vendas do último mês, conforme dados da Fenabrave, do Fiat sobre o Volks. Uma curiosidade é que ambos têm exatamente o mesmo preço na opção de entrada.

Itens de série
O teto-solar é opcional aqui no Fastback Impetus, custa R$ 4.990. Mas, itens de série não faltam. O carro é bem completo: tem duas telas digitais (quadro de instrumentos de 7″ e central multimídia de 10,1″ com Apple Car Play e Android Auto), entradas USB dos tipos A e C, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, ar-condicionado automático e digital, banco do motorista com regulagem de altura, câmera traseira, faróis com iluminação de LED e piloto automático, por exemplo.

Por R$ 3.990 extras, dá para levar o concierge Connect////Me e sensores de ponto-cego. Tem, ainda, sistemas de auxílio a condução ADAS, com frenagem autônoma de emergência, alerta de mudança involuntária de faixa e comutação automática de farol alto. O sensor de estacionamento dianteiro também está no pacote (mais o traseiro).
Na parte de fora do carro, iluminação de LED nos faróis e lanternas, rodas de liga com 18″ cobertas por pneus 215/45 e um desenho bem esculpido. Há quem ache o SUV coupê parecido com o BMW X4. E também há quem julgue, apontando o exagero no tamanho do balanço traseiro. De fato, deixa o carro desproporcional e rouba a beleza do conjunto.

Fastback Hybrid tem pegada?
O Fastback é bom de preço, de acabamento e até de oferta de itens de série. Mas, não adiantaria um carro ser uma prateleira de equipamentos e não ter pegada. Será que tem? O primeiro contato, a princípio, revelou um bom acabamento interno. O Fastback é feito com bastante plástico, mas isso é aceitável. O revestimento em couro dos bancos (custa R$ 1.340) mescla tons escuro e claro.

Há bom espaço na frente e atrás, e um volante de empunhadura correta. E é ali que está a cereja do bolo: a tecla “Sport”, em vermelho. Basta acionar que o carro muda a cor do quadro de instrumentos e o comportamento se torna mais agressivo. A diferença é instantânea, nítida.
Não brilha no consumo

Porém, foi em modo normal que passamos a maior parte do tempo, porque a ideia era saber quanto fazia o tal carro híbrido em condições normais de condução, no dia a dia. Em resumo, não surpreendeu. Se hoje em dia é comum ver carros híbridos fazendo mais de 20 km/l, o Fastback Hybrid não passou de 10 km/l de etanol durante nossa avaliação. Para citar com maior precisão, chegou a 10,9 km/l em um dos dias do teste. Contamos, aqui, apenas o ciclo urbano, que foi predominante no período.
De acordo com o Inmetro, no entanto, o consumo do Fastback fica assim: 12,6 km/l (gasolina)/8,9 km/l (etanol) – urbano; 13,9 km/l (gasolina)/9,8 km/l (etanol) – rodoviário.

Na prática, nada de economia expressiva de combustível. O desempenho também não surpreende (salvo com a tecla Sport apertada). É um bom carro, mas nada fora do comum. Para isso, a opção correta fica no topo da gama e atende pelo sobrenome Abarth, entregando, aí sim, performance à altura. Por outro lado, o Fastback Impetus Hybrid tem algumas vantagens em relação a configuração convencional, como ficar isento do rodízio de veículos da capital paulista, por exemplo. Dependendo do Estado que for emplacado, também tem bônus na hora de pagar o IPVA.
1.0 turboflex + sistema MHEV em números

Além de borboletas para trocas de marchas atrás do volante, a alavanca do câmbio CVT que simula sete relações tem boa empunhadura e também permite trocas sequenciais. Na cidade ou na estrada, deu para notar que as mudanças são rápidas, e que o motor 1.0 turboflex responde bem aos comandos do acelerador. São 130 cv de potência máxima com etanol no tanque e 20,4 kgfm de torque máximo – o mesmo de tantos outros modelos da Stellantis e até da própria Fiat.

Na prática, a velocidade cresce rapidamente. Faz de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos, informam os dados da fabricante. Tem ultrapassagens e retomadas ágeis. Não é difícil chegar nos 120 km/h – limite máximo das estradas brasileiras. O conjunto motor-câmbio é animado, ainda que haja certo nível de ruído que invade a cabine. Nada que incomode os ocupantes. E ponto para a Fiat, pois mesmo no asfalto péssimo do Brasil, o Fastback se comportou muito bem quando falamos de conforto das suspensões.

Com estreia no fim do ano passado, o sistema híbrido-leve da Stellantis no Brasil, basicamente, promove o auxílio de um motor elétrico multifuncional (que não traciona o carro) ao conjunto T200. O componente – que tem 4 cv/1 mkgf extras – faz a função de motor de partida e alternador a fim de fornecer auxílio de torque ao motor a combustão. É, no entanto, alimentado por duas baterias.

A fonte primária de energia vem da bateria de íon-lítio e 11 Amperes-hora (Ah), localizada debaixo do banco do motorista. É regenerada por meio de desaceleração ou frenagem. Entretanto, o sistema também se conecta à bateria principal, com 68 Ah (bem maior). O responsável por realizar o trabalho é a central eletrônica DBSM (Módulo de Transição entre Duas Baterias, em inglês). Rodando com o carro, tudo imperceptível.

Bom espaço interno
Graças aos 2,52 metros de distância entre os eixos do Fastback, o espaço no banco traseiro é bom para quem viaja. Principalmente se todos tiverem estatura mediana. Quanto ao porta-malas, são generosos 600 litros de capacidade líquida. Mais do que suficiente para a bagagem de uma família completa. O estepe fica embaixo do tapete do compartimento. As demais medidas são: 1,78 m de largura e 1,54 m de altura.

O ângulo de ataque é superior a 20º e não permite com que o carro raspe o nariz facilmente em rampas e depressões, por exemplo. Isso, aliado ao bom conjunto de suspensões (McPherson na frente e eixo de torção atrás), deixa o carro com aspecto valente. É boa a absorção das irregularidades. Às vezes bate seco, mas busca priorizar o conforto geral.
