06/04/2026 - 8:00
O Fiat Mobi recebeu alguns aprimoramentos muito bem-vindos na linha 2026. Não falo só dos novos painel e volante emprestados da Strada (mais modernos, práticos e com melhor acabamento), nem tampouco do tão esperado ajuste de altura da coluna de direção (que melhorou bastante a ergonomia), mas principalmente do novo motor Firefly, que entrou no lugar do veterano Fire em todas as versões, inclusive nessa Trekking avaliada, que sai por (bizarros) R$ 86 mil iniciais.
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Firefly de volta no Fiat Mobi
O motor Firefly já esteve no Fiat Mobi entre 2016 e 2020 nas versões mais caras da linha, aquelas que não vendiam muito. Mas, há alguns anos, ele usava apenas o bom e velho Fire de quatro cilindros, que só caiu fora por conta das leis de emissões de poluentes. Com a volta do Firefly, e seus três cilindros, o carrinho só teve ganhos: está mais silencioso, forte, esperto pra acelerar, econômico, suave e, dependendo do ponto de vista, mais barato de manter. É um motor que nunca deveria ter saído de linha no Mobi, em que pese as vantagens do finado Fire.
Com seus 71/75 cv de potência e 10,0/10,7 mkgf de torque (gas/eta), esse motor já se vira bem na hora de impulsionar carros bem maiores e mais pesados que o Mobi, caso de Citroën Basalt ou Fiat Cronos. Aqui, no subcompacto, são menos de 960 kg de massa e há um curto câmbio de cinco marchas, com a maioria das relações emprestadas da época do motor Fire. Só que o Firefly tem mais força em menores rotações, e mostra bem mais agilidade já nos baixos giros.
Até divertido
Isso faz com que o carrinho seja, pelo incrível que pareça, até divertido de ser guiado, caso as cinco marchas sejam bem exploradas. Pena não haver trocas tão precisas e justinhas, mas essa é uma característica conhecida nos Fiat há anos. De qualquer forma, sobra torque: ele arranca em 2ª marcha na maioria das situações (a 1ª é tão curta, que muitas vezes nem vale ser usada), encara subidas sem reduções e, com carga máxima e ar ligado, não desaponta nem em uso rodoviário.
550 km de economia
Passados 550 km com o Fiat Mobi Trekking 2026 no uso urbano e rodoviário, até veio um “gostinho de quero mais”, também pela economia: queimando gasolina, rondou os 19 km/l na estrada e 14,5 km/l na cidade, números que só não melhoraram por conta da 5ª curta, que fazia o Firefly trabalhar em maiores giros nas altas velocidades. Com isso, o torque máximo do motor está sempre disponível, mas o consumo acaba sendo um tanto prejudicado. Ainda assim, muito econômico, como deve ser um subcompacto desse tamanho.

Vida a bordo do Mobi
Falando em tamanho, com 1,87 m de altura, logo pensei no aperto que passaria a bordo do Fiat Mobi como motorista. Não dirigia o carro há um bom tempo e não lembrava como era sua vida a bordo. Surpresa: o painel de Strada, com base um pouco mais alta, garantiu mais espaço aos meus joelhos, e a direção regulável permitiu um posto de condução mais ergonômico.
Nessa Trekking, banco do motorista e cinto de segurança tem ajustes de altura, também, o que ajudou na hora de achar uma boa posição de guiar. Em resumo: me sentia a bordo de um Uno, modelo maior do que ele, até pelo teto e janelas altas. Não passei muitos apertos…
Mas, óbvio que, com 3,5 m de comprimento, não dá para pedir muito do carrinho. É bom para dois adultos na frente (podem até ser de grande estatura, como eu), e duas crianças pequenas no banco traseiro. Dois adultos, ali, já sofrem com a falta de espaço para pernas, pés e joelhos, principalmente, afinal o teto alto é democrático. É um hatch pequeno, urbano, para não muitas pessoas a bordo. No porta-malas, apenas 200 litros declarados.
Fiat Mobi Trekking na estrada
O Fiat Mobi amadureceu bastante ao longo desses 10 anos de vida. Nessa linha 2026, mostra-se mais suave, silencioso e confortável que seu arquirrival Renault Kwid, por exemplo. Vibra menos, trepida menos, tem câmbio que “uiva” menos, e o motor Firefly trabalha quieto lá no cofre. Mesmo com a proposta simples, com limitações de coxinização e material fonoabsorvente, por exemplo, o carrinho convence como modelo de entrada.
Estrada não é seu habitat natural. Apesar do pique para ganhar velocidade (mesmo em retomadas e ultrapassagens, onde a redução para a 4ª também curta facilita as coisas), e das agradáveis médias de consumo enquanto isso, o Mobi nasceu para a cidade. Só que, nem por isso, ele nega enfrentar rodovias a 120 km/h ou mais: nessas condições, mostrou boa estabilidade direcional (mantém-se em linha reta), e fez valer da presença da barra estabilizadora dianteira, coisa que o Kwid não tem.
Briga um pouco com os ventos laterais, e pode parecer indefeso frente aos caminhões, mas não nega fogo. Enquanto isso, o comportamento em curvas rápidas ou frenagens fortes é seguro, ainda que nada brilhante. Da mesma forma, o conjunto de suspensões, ainda mais nessa versão Trekking, mostram bastante robustez e comportamento sólido para enfrentar nosso piso lunar. No geral, o nível de conforto aos ocupantes é alto, ao menos falando de absorção de impactos ou suavidade ao rodar. Pneus borrachudos e boa espuma dos bancos contam a favor aqui.
Completo (e cheio de partes conhecidas)
Pudera, o Fiat Mobi ainda é feito com vários componentes de outros carros de sucesso da Fiat, o que garante a ele um bom conjunto da obra. As suspensões têm boa dose de semelhança com as do último Uno, painel e instrumentação são emprestados da Strada, e várias peças da cabine vêm de Uno, Strada, Argo e afins.
Essa versão Trekking, aliás, é completinha, com racks de teto, console de teto com espelinho para monitorar o banco traseiro, multimídia de 7 pol. com conexões sem fio, volante multifuncional, vidros dianteiros e travas elétricas, direção elétrica (outra boa nova do modelo 2026), ar-condicionado (poderoso), e até um sistema de som com qualidade surpreendentemente boa (6 alto-falantes).
No carro das fotos, faróis de neblina, rodas de liga, retrovisores elétricos com função tilt-down do lado direito, tampa do porta-malas com abertura interna, sensores de estacionamento traseiros e outros pormenores são opcionais por cerca de R$ 3 mil no total. A brincadeira, no final, fica bem cara: somando eles com a cor vermelha metálica, temos um Fiat Mobi Trekking de R$ 90 mil! Nesse caso, já vale a pena olhar com carinho para um Argo Drive 1.0, que é frequentemente encontrado por preços similares a esse com descontos de concessionárias e afins.

















































