Ainda em 2014, a Motor Show revelou o que viria a ser a Fiat Toro, uma novidade que revolucionaria o mercado em 2016 com um novo conceito de picape monobloco. Na verdade, já tínhamos picapinhas monobloco baseadas em carros compactos desde 1978, quando a Fiat lançou a 147 Pick-Up.

Mas a Fiat Toro chegou com porte maior (quase cinco metros de comprimento) e plataforma de utilitário esportivo – no caso, a small wide de Jeep Renegade e Compass (e agora também da Ram Rampage), com suspensão independente nas quatro rodas e oferecendo mais conforto ao rodar.

Era como um SUV, mas com a vantagem da caçamba, e se tornou um sucesso instantâneo apesar do termo SUP (Sport Utility Pick-up), que a Fiat tentou vender, não ter pegado.

 

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A Fiat Toro conquistou o consumidor para quem Fiat Strada e companhia eram muito pequenas, e que se via forçado a comprar uma picape média cara demais (principalmente se fosse a diesel), grande demais, gastona demais (principalmente se fosse a gasolina ou flex) e desconfortável demais (pois construída com carroceria sobre chassi).

Foi assim que descobrimos que nem todos precisavam de uma picape média. A Fiat Toro já resolvia a necessidade de muita gente. E mais: com a oferta de versões com tração 4×4 e motor a diesel, ela se aproximou ainda mais das caminhonetes médias tradicionais em função e valentia no uso off-road, resolvendo o problema de muito mais gente.

É principalmente por isso – e também por atrair novos consumidores que não pensavam em comprar uma picape – que a Fiat Toro se manteve na vice-liderança de vendas entre todas as caminhonetes vendidas no Brasil, perdendo apenas para sua irmã menor, a Strada, que é muito usada por empresas e frotas.

Atualizar é preciso

Para se manter na liderança diante das rivais que surgiram neste segmento (Renault Oroch e Chevrolet Montana), além de outras que estão para chegar –, a Fiat não ficou parada: a Toro sofreu uma reestilização em 2021 e outra no ano passado, para esta linha 2026.

Fiat Toro Ranch 2026 – Foto: Flávio Silveira

Externamente, a Fiat Toro 2026 ganhou luzes diurnas com novo desenho (e pixels segmentados), nova grade cortada por linhas retas e verticais, novas tomadas de ar nas extremidades do para-choque, novas lanternas full-LED (também com pixels segmentados), uma maçaneta de abertura da caçamba maior e novo para-choque traseiro.

Fiat Toro Ranch 2026 – Foto: Flávio Silveira

Na cabine, o painel digital ganhou nova grafia e fontes, novo freio de mão eletrônico com auto hold (uma função muito prática no uso urbano), e novas tomadas USB traseiras (tipo A e C), além de revestimento inédito para os bancos.

O acabamento, porém, continua apenas razoável: botões, volante e comandos são os mesmos dos Jeep, mas há um excesso de plástico rígido nas partes altas do painel e das portas.

Já tínhamos avaliado a versão Ultra (leia aqui), com cobertura rígida na caçamba, que agora deixou de ser a diesel e virou flex. Agora, passei uma semana ao volante da nova Fiat Toro Ranch 2026, hoje a picape a diesel mais barata do mercado.

Fiat Toro Ranch 2026 – Foto: Flávio Silveira

Das seis opções da linha 2026, esta Fiat Toro Ranch, com visual todo cromado, é a nova topo de gama, tomando o lugar da Ultra, que passou a ser a mais cara com mecânica 1.3 turboflex e tração 4×2. Na tabela, a Ranch custa R$ 233.990, contra R$ 200.990 da Ultra, mas, na prática, a marca tem aplicado bons descontos.

Saiba também que, por sugeridos R$ 215.900, há outra versão a diesel menos equipada, mas ainda com um bom pacote, a Volcano – que, por sinal, é a única oferecida com as duas opções de motorização (e sai por R$ 190.990 com motor flex). Perde vários dos Adas, estribos e para-barro, entre outros itens, mas ainda oferece rodas aro 18 com pneus todo-terreno, sensor de estacionamento dianteiro, carregador por indução, bancos de couro sintético, sensor de chuva e faróis automáticos, entre outros itens.

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Muita força, pouco consumo

O valor adicional pago pelas versões a diesel da Fiat Toro se justifica principalmente pela tração 4×4 e pelo desempenho mais forte: desde a linha 2025, a versão a diesel passou a ter motor 2.2 de 200 cv (30 a mais) e voltou a ser mais potente e mais rápida que a flex de 173 cv –, além de ter um câmbio mais sofisticado, de nove marchas (contra seis nas opções flex).

Além da potência de picape média sobre chassi, o novo motor tem torque de 450 Nm, contra 350 Nm do antigo diesel 2.0 e apenas 270 Nm do 1.3 turbinado. É um motor que roda liso e vibra pouco. No uso rodoviário, sem olhar para o conta-giros, mal se nota que é a diesel – parece mais um modelo a gasolina com um ronco grave e agradável.

Sempre com as rotações bem contidas pelo câmbio bem escalonado, foi fácil superar a marca de 15 km/l na estrada, enquanto na cidade minha média ficou em 11,5 km/l. São números que uma picape média “de verdade” não consegue atingir, e superiores aos do PBEV/Inmetro.

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É verdade que há um certo atraso nas respostas do câmbio e do motor. O primeiro dá para eliminar adiantando as trocas de marcha por meio das aletas ou da alavanca, e o segundo é compensado pelo “coice” dos 450 Nm que vem instantes depois. Na cidade, porém, essa morosidade torna a condução menos agradável, e o ruído do motor aparece mais (principalmente de janela aberta; ao fechá-la, some devido ao ótimo isolamento acústico).

Um ponto de destaque da Fiat Toro sempre foi a dirigibilidade bem acertada e sólida, que vem da boa plataforma. O ângulo de esterço podia ser maior, mas a direção tem peso muito correto, os freios respondem bem e as suspensões independentes garantem um excelente equilíbrio entre conforto ao rodar e comportamento dinâmico.

Fiat Toro Ranch 2026 – Foto: Flávio Silveira

Bendita tração

Para quem tem casa de campo, recomendo olhar com um carinho especial para as versões a diesel. Digo por experiência própria: em uma viagem pela Serra da Mantiqueira com a Toro flex carregada, travei em uma subida de terra com pedras soltas, que a Toro com tração apenas dianteira “se recusou” a subir.

Voltei lá com a versão a diesel e foi surpreendentemente fácil subir. Nem precisei usar o bloqueio do 4×4 (divide 50% para cada eixo) ou a reduzida (na verdade, uma primeira marcha com relação curtíssima). O modo padrão, integral sob demanda, já bastou: ao menor sinal de perda de aderência das rodas dianteiras, o eixo traseiro entra imediatamente em ação e resolve o problema, com a ajuda dos pneus ATR. Nesses trechos de terra e com muitas subidas, a média de consumo ainda foi de bons 10 km/l.

Fiat Toro Ranch 2026 – Foto: Flávio Silveira

Altos e baixos

No mais, a Fiat Toro 2026 continua sendo aquela mesma picape lançada há uma década, com pontos altos e baixos.

Um dos principais pontos positivos está no design ainda atual – embora muitos tenham criticado esta última reestilização, eu continua a considerando a mais bonita da categoria, muito mais, inclusive, que a nova irmã de plataforma, a Ram Rampage.

Além disso, da Fiat Toro original ainda temos a posição de dirigir muito boa, com amplo ajuste do volante e do banco e a grande quantidade de botões físicos, que são mais fáceis de usar, principalmente em terrenos irregulares.

A caçamba também tem bom volume, de quase 1.000 litros, e capacidade de carga para uma tonelada, além da prática tampa traseira que abre horizontalmente em dois segmentos e tem trava eletrônica conjunta com a da cabine, item raro em picapes.

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De negativo, ela continua oferecendo pouco conforto para quem viaja no banco traseiro, onde há espaço limitado para as pernas e encosto demasiadamente vertical (como na maioria das caminhonetes). Além disso, os bancos dianteiros poderiam oferecer um pouco mais de suporte para as pernas, pois fica meio desconfortável em viagens mais longas.

Conclusão

Mesmo após uma década, ainda não há opção melhor que a Fiat Toro para quem procura a conveniência de ter uma caçamba, mas considera as picapinhas pequenas demais e as médias, grandes demais. Roda com mais conforto, é mais ágil e consome muito menos que as picapes médias, além de ter preço mais baixo e porte mais adequado ao uso urbano.

Antes de fechar negócio, porém, vale avaliar as opções. Se for para um uso off-road mais pesado, por um pouco mais há opções de médias 4×4 a diesel como GWM Poer P30 (leia aqui), Fiat Titano e Ford Ranger Black. E, também com o conforto do monobloco, a Ford Maverick tem opções apenas a gasolina (AWD por R$ 219.900 e 4WD por R$ 239.900, ambas com 253 cv e 380 Nm) e uma híbrida (R$ 239.900, AWD, 194 cv e 210 Nm).

FICHA TÉCNICA

Fiat Toro Ranch 2.2
Preço: R$ 233.990
Motor: dianteiro, quatro cilindros em linha, 2.184 cm3, 16V, comando variável, turbo
Combustível: diesel
Potência: 200 cv a 3.500 rpm
Torque: 450 Nm a 1.500 rpm
Câmbio: automático sequencial, nove marchas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: integral sob demanda, com opção de bloqueio do 4×4 e reduzida
Dimensões: 4,954 m (c), 1,849 m (l), 1,677 m (a)
Entre-eixos: 2,982 m
Pneus: 225/60 R18
Caçamba: 937 litros ou 1.010 kg
Tanque: 60 litros
Peso: 1.945 kg
0-100 km/h: 9s8
Velocidade máxima: 201 km/h
Consumo cidade: 10,5 km/l
Consumo estrada: 13,6 km/l

Resumo: A Toro envelheceu bem: aprimorada na mecânica e no visual, combina conforto de SUV com a conveniência da caçamba. Nota 9.

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