A Ford Maverick sempre foi uma ótima picape monobloco. Boa de guiar como um SUV, confortável como um sedan médio, com dinâmica digna de hot-hatches e, de quebra, uma caçamba para levar várias tralhas. Só que ela sempre teve dois problemas, que nem eram culpa dela, coitada: preço alto e falta de equipamentos importantes. Culpa das estratégias da Ford do Brasil, mas que virou passado com essa linha 2025 renovada. 

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Tremor por R$ 240 mil, Black por R$ 220 mil

Esqueça as cifras salgadas de antes: hoje a Maverick com tração integral, motor turbo e por aí vai, sai a preço de Fiat Toro. Essa versão avaliada, a Tremor, não passa de R$ 240 mil, e olha que ainda há a Black por R$ 220 mil. Além disso, em ambas, a marca do Oval Azul tratou de encorpar, e bastante, o recheio de série: agora ela é uma picape completona, e tem preço competitivo. Lição de casa feita. Bingo! 

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Maverick é acertada

Sempre curti a Maverick. Ela é mais urbana, inclusive, que seu irmão SUV Bronco Sport, com posição de guiar mais baixa, parabrisas mais inclinado, e um hangling (manuseio de condução, em tradução livre), bem esperto para uma picape. É daquelas com direção justinha, freios responsivos, motor ágil e que esconde, perfeitamente bem, o alto peso de sua carroceria (quase 1.850 kg). Bacana demais.  

Ford Maverick Tremor – Foto: Lucca Mendonça

Por mais que o design esteja um tanto diferente, principalmente na dianteira (novos faróis, grade e parachoque), e interior (telas maiores, outros acabamentos e afins), seu grande trunfo vai debaixo da bonita (e chamativa) carroceria. Falo de motor, transmissão, tração, suspensões, freios, direção, entre outros. Vamos por partes… 

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Motor suave como poucos (mas beberrão)

Debaixo do capô, um 2.0 turbo a gasolina, o EcoBoost (parente daqueles que moviam o Fusion por aqui), com interessantes 253 cv de potência e quase 39 mkgf de torque. Além de bom na ficha técnica, esse motor surpreende pela extrema suavidade de funcionamento, sem trepidação ou vibração alguma, graças a um bom trabalho de coxinização e isolamento acústico. Há quem tenha andado na picape como passageiro, e pensado que ela era movida a baterias, tamanho o silêncio a bordo.  

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Essas virtudes até fazem esquecer a mancada dele beber só gasolina, e gostar bastante dela: mesmo em uso moderado, com modo Eco de condução, a Maverick dessa nova linha parece estar bebendo bem mais que a anterior. Em nossos testes, não fez mais que 8,0 km/l no uso urbano, número que subia para 12,5 km/l ou 13,0 km/l na estrada, com sorte. Em 550 km percorridos na semana de testes, mesclando cidade e estrada, com carro vazio e cheio, fechou a conta em 9,0 km/l. 

Ford Maverick Tremor – Foto: Lucca Mendonça

Câmbio AT8 e tração nas quatro

Consumo a parte, que belíssimo conjunto mecânico ela tem. O 2.0 suave e silencioso casa bem com a transmissão automática de oito marchas, com trocas igualmente macias e progressivas. Com pé leve, promove trocas adiantadas, valorizando o torque prematuro do motor: apesar do seu pico surgir a elevados 3.000 rpm, há uma tremenda dose de força antes dos 2.000 rpm, suficiente para impulsionar a picape sem esforço.  

Ford Maverick Tremor – Foto: Lucca Mendonça

Toda a calibração do conjunto é focada no conforto, mas sem esquecer da performance. Afinal, os mais de 250 cv ainda estão lá, e são gerenciados por um bom câmbio automático, que reduz e passa as marchas nos momentos certos (caso contrário, há paddle-shifts para adiantar a operação). Por isso, não demora muito mais do que 7 segundos para correr de 0 a 100 km/h, número superior ao de esportivos consagrados, como os Pulse e Fastback Abarth da Fiat, ou o VW Nivus GTS. 

Ford Maverick Tremor – Foto: Lucca Mendonça

Suspensões (muit0) macias

O acerto de suspensões surpreende positivamente. Apesar de ter a mesma concepção de outras picapes similares (independente nas quatro rodas, com eixo traseiro multibraço), é expert em lidar com pisos ruins, lombadas, valetas, ondulações, buraqueiras e afins, situações em que o nível de absorção é máximo. Os passageiros ficam imunes de trancos, balanços e solavancos, deixando tudo mais confortável. 

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E olha que, nessa versão, a Maverick traz os controversos pneus de uso misto, mais lameiros do que outra coisa, que teoricamente deixam seu rodar mais áspero e duro. Que nada: ela roda macia e lisa como um sedan de luxo, e, por outro lado, não nega fogo na hora de encarar lama, terra e outros tipos de off-road. De qualquer forma, tal qual a Ranger é no segmento das médias, a Maverick assume o posto de picape mais confortável de sua categoria, disparada. Já conhecia o modelo de outros carnavais, mas os reajustes de molas e amortecedores da nova linha fizeram a diferença! 

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Vida a bordo de SUV

Sua vida a bordo é tranquila, como a de um SUV médio. Os bancos são ergonômicos e estão no lugar certo, enquanto o teto alto, cabine larga e colunas B e C retas deixam a Maverick com um aspecto de ser bem maior do que é aos ocupantes. É daquelas compactas para quem vê, mas gigantes para quem anda, parafraseando um slogan de um hatch vendido no Brasil por uma marca alemã. Cai bem o console central repleto de porta-trecos, e os ótimos vãos para pernas e pés de quem vai na frente. 

Ford Maverick Tremor – Foto: Lucca Mendonça

Seu painel alto e curto combina com a pedaleira espaçada, e tudo parece facilitar a vida a bordo. Só não espere o melhor acabamento ou a montagem mais esmerada das peças: nisso ela vacila, com bastante plástico duro e alguns componentes nitidamente desalinhados. Dentre as novidades de série estão teto-solar elétrico, multimídia maior (um pouco lenta, ainda assim), painel de instrumentos digital, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros (nem isso ela tinha!), câmeras 360º e mais.  

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Ar digital automático dual zone (sem saídas traseiras, infelizmente), todo o conjunto óptico em LED, sistema de som Bang & Olufsen, bancos dianteiros com aquecimento, banco do motorista com ajustes elétricos, rodas aro 17, bancos em couro sintético, interior em dois tons, capota marítima (inédita), 7 airbags e um amplo pacote ADAS completam o pacote de equipamentos. Estribo lateral, santantônio ou gancho de reboque estão disponíveis como acessórios. 

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Diferenciais da Maverick

Toda a cabine é forrada por um tapete emborrachado, que facilita limpeza (ou mesmo lavagem), e sempre vale elogios para a janelinha corrediça traseira, de acionamento elétrico, que deixa o interior da Maverick mais arejado e ventilado. É um item bacana que só ela traz nessa categoria. Outra sacada boa é o baú sob o assento do banco traseiro, onde cabem mais algumas parafernálias diversas. 

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Falando nele, o espaço no banco traseiro agrada, ainda que não seja tão bom quanto nos dianteiros. Dois adultos se acomodam bem ali, com uma criança no meio, e nada além. O túnel central é discreto, mesmo com o eixo-cardã passando no centro do carro, e quem vai atrás dispõe de portas USB, uma tomada de até 127 Volts (igual de parede), luzes de leitura e apoio de braço central, mas sem saídas de ar dedicadas. 

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De qualquer forma, nem dá para colocar tanta gente a bordo da Maverick Tremor, afinal sua capacidade de carga não chega nem a 500 kg, por conta de calibrações mecânicas específicas para o fora-de-estrada. São exatos 477 kg, ou 141 kg a menos que a outra versão da linha, a Black. Com quatro a bordo e mais uma ou duas malas, ela já chega no seu limite homologado, mesmo com a caçamba vazia. Lá, inclusive, vão 984 litros, com uma tampa fácil de abrir e vários pontos de amarração de carga. Só a capota marítima que exige um esforço adicional para ser removida ou montada.  

Ford Maverick Tremor – Foto: Lucca Mendonça

Nova Maverick: agora sim! 

Agora sim, a Maverick 2.0 turbo é uma picape que merece o selo de bom negócio. Está com um nível de equipamentos à altura do restante do conjunto, incluindo motorização, capacidade off-road, níveis de conforto e estabilidade, ou mesmo preço. Por R$ 240 mil, se você não faz questão de levar muito peso a bordo, vale dar uma olhada nessa mexicana, que merece uma segunda chance depois da linha 2025.  

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