Avaliação: Ford Mustang Mach 1 é o melhor esportivo para comprar hoje

O Ford Mustang Mach 1 é um dos melhores esportivo “raiz” que você pode comprar hoje – e é melhor fazê-lo antes que estes carros virem peças de museu, dando lugar aos elétricos

O Ford Mustang Mach 1 é um carro belíssimo. Não achei quem não adorasse o design retrô desta quarta geração, que remete ao pony car original dos anos 1960. Neste caso, mais especificamente ao lendário Mach 1 de 1969, cuja logotipia se repete, como o desenho do cavalo selvagem, por toda a cabine e carroceria. Vendido por R$ 499 mil, o lote inicial de 80 unidades se esgotou em 24 horas. Agora, subiu a R$ 545 mil. E vale cada centavo.

Verdadeiro ímã da atenção nas ruas, o Ford Mustang Mach 1 avaliado foi este cinza Dover com faixas pretas com contorno laranja das fotos. A frente traz uma nova grade, com o emblema no centro e grafismos redondos que remetem aos faróis auxiliares do modelo original. O para-choque também é exclusivo, com difusor inferior e duas entradas de ar laterais para refrescar os novos radiadores. Nas laterais, há grafismos nas portas e emblemas Mach 1 nos para-lamas. As rodas aro 19 deixam à mostra os freios Brembo, e os pneus são 255/40 R19 na dianteira e mais largos, 275/40 R19, na traseira – que tem um aerofólio discreto, difusor com recortes triangulares e quatro ponteiras de escapamento, como no Shelby GT500 (leia mais aqui).

Talvez um dos últimos da espécie, o esportivo da Ford traz fortes ecos do passado, e não só no seu design retrô. Eles estão presentes também na mecânica: tração traseira e o poderoso V8 Coyote com cinco litros de deslocamento – sem turbo, sem eletrificação e sem truques, para entregar pura brutalidade, e, melhor, uma sonoridade incomparável. São 483 cv a 7.250 rpm e 556 Nm (56,7 kgfm) a 4.900 rpm. Coletor de admissão, corpo de borboletas, sistema de arrefecimento e radiador da transmissão são “herdados” do Shelby GT350.

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Raiz com tecnologia

O Ford Mustang Mach 1 é um carro com alma poderosa, caráter espetacular e personalidade única. Isso porque os ecos do passado estão presentes também (e sobretudo) na dirigibilidade, tornando tudo bem mais brutal e divertido. Não que falte eletrônica, mas ela está presente apenas onde deve (?) – no painel digital com diversas opções de visualização e configuração, na central multimídia com muita conectividade e nos sistemas avançados de segurança e auxílios semiautônomos –, sem arruinar a incrível experiência retrô ao volante. Lembra do ruído dos velhos LPs? Muita gente sentiu falta dele quando lançaram o CD, mas ninguém reclama hoje da alta definição das TVs. O Mustang Mach 1 combina, na medida certa, ruído e pureza, passado e presente, aproveitando o melhor de cada um.

A posição de dirigir é baixíssima, como se deve, com a alavanca de câmbio e o freio de mão mais altos no console central

A moderna suspensão adaptativa usa amortecedores com fluído eletromagnético e controle eletrônico, por exemplo, garantindo uma dose pequena, mas até surpreendente, de conforto nas ruas esburacadas quando no modo “normal” – ao mesmo tempo em que se torna extremamente firme e mais adequada a uma condução agressiva nos modos mais esportivos. Da mesma forma, a direção também têm três níveis de assistência, ajustáveis ao gosto do freguês, de acordo com as intenções de cada momento. Para não incomodar os vizinhos pela manhã ou tarde da noite, até o som do escape é ajustável em quatro níveis: Silencioso, Normal, Esportivo e Pista. Mas, acredite, você sempre vai preferir os menos discretos. Afinal, este é exatamente um dos grandes atrativos do Ford Mustang Mach 1: o ronco brutal do seu poderoso V8 é natural e verdadeiro, sem alto-falantes envolvidos, sem truques além de uma válvula ativa, mecânica e “real”.

Malcriado

Na maravilhosa semana que passei com o Ford Mustang Mach 1, eu, pelo menos, não consegui fugir muito dos modos esportivos – que, além do ruído mais invocado, deixam mais afiadas as respostas do acelerador e da transmissão, a atuação do controle de estabilidade e os ajustes de direção e suspensão. No modo Esportivo+, o mais agressivo recomendado para uso nas ruas, o Mustang já vira um “monstro”: fica propositalmente desconfortável, com momentos em que parece até estar “engasgando”, e as trocas de marcha, antes suaves, passam a ser acompanhadas de trancos. Tudo isso parece que é para lembrar como era um Mustang V8 de cinco décadas atrás. É como ouvir aquele ruído de fundo dos LPs e amaldiçoar a pureza dos CDs.

Aliás, as dez marchas são mais para aumentar a esportividade – reduzindo o espaço entre as relações, para o V8 jamais perder seu fôlego – do que para mais economia ou conforto. Dirigindo o Ford Mustang Mach 1 “como se deve”, você acaba usando até a sexta marcha, no máximo – e raramente opta pelas trocas manuais pelas aletas no volante, de tão competente que a caixa se torna no modo S. Deixando tudo a cargo da eletrônica, o Mach 1 acelera de 0 a 100 km/h em 4,3 segundos – o que é muito bom, mas nem é a parte mais divertida.

Isso porque o Mach 1 é um daqueles raros esportivos que deixam o motorista um tanto “bobo” e nada civilizado: qualquer saída com uma curva adiante é um convite a pisar fundo e deixar a traseira escapar – para logo ser contida pela eletrônica (desligue-a só se for capaz). Nestes momentos, as abas do banco do motorista, com ajuste elétrico de altura e demais manuais, embora não exageradas, seguram bem o corpo – mas não os batimentos cardíacos, que saem totalmente do controle, resultado da sonoridade e da brutalidade únicas.

Mustang Mach-1

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Ocasiões especiais

Nada de esportivo para o dia a dia: o Ford Mustang Mach 1 é para ocasiões especiais. Até tentei usá-lo na rotina diária, mas cansa. Na cidade, fez médias abaixo de 3 km/l andando pelas ladeiras de São Paulo e em meio ao trânsito pesado. A visibilidade é péssima, pois as janelas são pequenas e os generosos 4,79 m de comprimento são em grande parte formados pelo capô – o que atrapalha bem em cruzamentos e saídas de garagens.

Já na estrada, com a família a bordo, deu para vir “na boa”, respeitando o limite de 120 km/h e usando principalmente a décima marcha, marcando médias de 8 a 9,5 km/l sem dificuldade e garantindo cerca de 500 quilômetros de autonomia (dirigindo mais esportivamente, cai no mínimo pela metade).

As crianças adoraram o carro, mas ambas sofreram no banco traseiro – que serviu no limite, tanto para Stella, 4, em sua cadeirinha, quanto para Mathias, 9, no booster. “Afundados” no banco traseiro, eles reclamaram da falta de espaço para as pernas e da ausência de janelas. Por outro lado, o porta-malas surpreende, com 382 litros – mais do que o suficiente para uma viagem de fim de semana.

Depois de, com muita tristeza (minha e das crianças), devolver o Ford Mustang Mach 1, repito: se você curte esportivos “raiz”, ele talvez seja a melhor opção do mercado hoje, com uma combinação única de estilo e história, além da uma dirigibilidade e uma sonoridade praticamente imbatíveis. Sem hipocrisia, este esportivo não faz a mínima questão de ser ecológico, “limpo” ou eletrificado – e, para ser elétrico, é preciso ser compacto e racional, não? Será que os superesportivos elétricos fazem sentido?

Line Lock: “BORRACHÃO” CONTROLADO

Uma das artimanhas tecnológicas do Ford Mustang Mach 1 chama-se “Line Lock”. Trata-se de um sistema para fazer burnout – o popular “borrachão” – de maneira controlada. Indicado só para pistas (nas ruas, é passível de multa e apreensão do veículo), é uma insanidade sem tamanho, mas inexplicavelmente prazerosa.


É preciso seguir um roteiro predefinido. Pelos comandos do menu que se abre ao clicar no logo do cavalo selvagem no volante, primeiro seleciona-se “Track Apps”, depois a função Line Lock. Após segurar o botão OK por alguns segundos, é preciso pisar fundo, e com toda a força possível, no pedal do freio até ele confirmar. Aí você dá outro OK, para dizer que é isso mesmo que quer, e o Mach 1 começa uma contagem regressiva de 15 segundos – é o tempo que você tem para soltar o pedal do freio (apenas os dianteiros continuarão ativados) e acelerar com vontade para “extrair fumaça” dos pneus traseiros – e que fumaça! É tanta que ela começa a subir pelos vãos do capô e invadir a cabine pelas saídas do ar-condicionado. Pronto! Com os pneus aquecidos, é hora de curtir a pista!

Mach-E: ELETRIFICADO, MAS DÓCIL

O futuro é elétrico, e a Ford já lançou um Mustang desta nova era. Na edição 438 da MOTOR SHOW, testamos o Mustang Mach-E, com dois motores elétricos de ímãs permanentes e um total de 351 cv e 580 Nm – garantindo uma aceleração de 0-100 km/h em 5,4 segundos. Apesar das inegáveis qualidades de estilo, tecnologia e habitabilidade da cabine, a conclusão não foi exatamente muito favorável: “O Mach-E pode ter nome e cara de cavalo selvagem, mas é para uma tocada bem mais sossegada e dócil.” Leia a avaliação completa dele aqui.

Ford Mustang Mach 1

Preço básico R$ 545.000
Carro avaliado R$ 545.000

Motor: oito cilindros em V, 5.0, 32V, injeção direta e indireta, duplo comando variável
Cilindrada: 5037 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 483 cv a 7.250 rpm
Torque: 556 Nm a 4.900 rpm
Câmbio: automático sequencial, dez marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,788 m (c), 1,915 m (l), 1,379 m (a)
Entre-eixos: 2,720 m
Pneus: 255/40 R19 (d) e 275/40 R19 (t)
Porta-malas: 382 litros
Tanque: 60 litros
Peso: 1.783 kg
0-100 km/h: 4s3
Velocidade máxima: 250 km/h (limitada eletronicamente)
Consumo cidade: 6,2 km/l
Consumo estrada: 9,1 km/l
Emissão de CO2: 200g/km
Consumo nota: D
Nota do Inmetro: E
Classificação na categoria: D (Esportivo)

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