Antes de falar sobre o GWM Haval H9, preciso mencionar seu principal alvo: em 2011, meu irmão comprou um Hilux SW4 com dez anos de uso, gastou apenas o essencial para revisá-la e partiu para uma viagem pela América do Sul.

Cruzou os Andes, desertos e salares, enfrentou estradas com chuva, lama, neve e tempestades. Dormiu no carro, foi assaltado, mas continuou em frente. Voltou meses depois, após rodar milhares de quilômetros, fez uma revisão simples e vendeu o carro. Sem medo, sem receio, sem problemas mecânicos e sem complicações.

Esse nível de confiabilidade e histórias como essa são construídos ao longo do tempo. Poucas marcas possuem essa reputação. A Land Rover já teve, mas não tem mais. A Toyota ainda mantém essa imagem, assim como as conterrâneas Honda e Nissan.

Portanto, voltando ao GWM Haval H9, é justamente — e quase apenas — isso que falta. Não que ele pudesse ter tradição e confiabilidade instantâneas, sendo de mais uma marca chinesa com pouca história no Brasil.

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GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Quem é o GWM Haval H9?

O GWM Haval H9 é o irmão maior do H6, atual líder de vendas entre os modelos híbridos plenos (HEV) e um dos PHEVs mais vendidos. Entretanto, apesar de a marca ser chinesa e ter chegado ao mercado com o slogan “O amanhã é 100% elétrico” para a linha Ora, no caso deste SUV maior, a aposta foi no bom e velho motor a diesel.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

O Haval H9 é feito no Brasil, na ex-fábrica da Mercedes em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Ficou famoso recentemente por ter superado as vendas do “imbatível” Toyota SW4 — feito que rivais como Chevrolet Blazer e Mitsubishi Pajero Sport nunca alcançaram.

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GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

O principal mérito que levou o Haval H9 ao topo do pódio dos SUVs raiz — modelos grandes construídos sobre chassi e/ou derivados de picapes, diferentemente do monobloco H6 — foi, certamente, o seu preço.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Enquanto o Toyota SW4 custa R$ 475.990 na versão equivalente (Diamond), o Haval H9 sai por R$ 329.000. Com os R$ 146.900 de diferença, é possível comprar um elétrico para a cidade, como o MG4 Urban (leia aqui).

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GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Enquanto não constrói sua história, o GWM Haval H9 conquista pelo preço e pelo pacote oferecido. A começar pelo design: uma questão de gosto, mas que, ao menos para mim, é mais bonito e possui mais personalidade que o já cansado SW4.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

As linhas quadradas e os faróis redondos, característicos de SUVs clássicos, estão de volta à moda — o iCaur V27 e os Jetour T1 e T2, entre outros, entraram na onda.

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Pode não ser 100% original, mas foi muito bem executado no H9, que aposta na grade dianteira enorme com o logo da linha em letras grandes (agora preto, não mais cromado como no modelo avaliado; essa é a única mudança da linha 2027).

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

A bordo do Haval H9

Dentro do SUV, assim como no SW4, o espaço impressiona. São três fileiras de bancos distribuídas em 4,95 metros de carroceria e 2,85 metros de entre-eixos (10 cm a mais que no SW4 em ambas as medidas). Os bancos da segunda fileira são reclináveis e deslizantes, mas o acesso à terceira fila poderia ser melhor, embora o espaço lá seja bom.

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GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

As crianças adoraram os estribos elétricos para facilitar a entrada e as saídas de ar-condicionado no teto da segunda e terceira fileiras, além do enorme teto solar panorâmico com cortina elétrica, que aumenta a sensação de amplitude (e pode ser aberto).

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

O acabamento interno é ótimo, com superfícies macias ao toque e materiais de qualidade. O painel, em geral, tem um design tipicamente chinês, com uma tela central de 14,6 polegadas (que talvez não precisasse ser tão grande) e o quadro de instrumentos integrado, embora sem cobertura (ambos refletem bastante).

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Abaixo do console central, há um compartimento com uma entrada USB de cada tipo e uma tomada clássica de 12V (“de acendedor de cigarro”). Sobre ele, há um carregador sem fio (que não manteve a carga e carece de refrigeração), porta-copos e um amplo espaço refrigerado sob o apoio de braço.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

No porta-malas, com os sete assentos em uso, restam 88 litros; com a terceira fileira rebatida, a capacidade sobe para 791 litros e, com ambas rebatidas, a 1.580 litros.

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GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Usabilidade “quase lá”

Um ponto muito positivo do H9, comparado a outros modelos chineses, é a abundância de botões físicos. Além de 16 comandos no volante, há controles essenciais de ar-condicionado abaixo da tela (ajustáveis também via monitor ou voz) e, no console central, comandos de off-road, modos de direção, auto-hold, freio de mão e ventilação/aquecimento dos bancos dianteiros.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Apesar disso, não há botão de volume fora do volante para uso do passageiro: para interferir no áudio, é preciso sair do Android Auto/CarPlay para acessar o atalho no topo da tela. Outras funções também poderiam ser mais intuitivas; seria bem-vinda uma atualização de sistema, como fizeram no H6.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Outro detalhe: a luminosidade da tela não é totalmente automática, o que seria ideal dado o tamanho. É possível ajustá-la no menu rápido, e há um ajuste físico separado para o quadro de instrumentos, à esquerda do volante.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Um ponto que chamou a atenção é que o Haval H9 não destrava automaticamente ao aproximar-se com a chave; é necessário acionar o destravamento manualmente.

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GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Ao volante do Haval H9

Equipado com motor 2.4 turbodiesel de quatro cilindros, o Haval H9 entrega 184 cv e 480 Nm de torque. Não é muito, considerando que o SUV pesa 2.525 kg — cerca de 300 kg a mais que o SW4, que possui um motor mais potente (204 cv e 500 Nm).

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GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Seria bom um incremento na cavalaria. Para muitos interessados, este é o único ponto crítico. O H9 passa a sensação de peso e leva 13 segundos para atingir 100 km/h. O desempenho só não é pior devido ao câmbio automático sequencial de nove marchas.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Não é um carro rápido, mas ele não é ruim em médias e altas velocidades. Para dizer que “falta desempenho”, depende muito de onde você anda, se precisa fazer muitas ultrapassagens, subir muitas serras, etc. — neste caso, devo reconhecer que pode faltar potência mesmo (mas em parte isso é esperado nesta categoria).

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

O modo manual permite trocas por aletas no volante, mas não ajudam muito, pois não são imediatas. Por outro lado, as mudanças são confortáveis e, com motor a diesel e relações das marchas longas, você pode andar a 150 km/h com o conta-giros a 2.400 rpm.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Na cidade, que não é seu habitat, você se sente “gigante” ao volante do Haval H9. As suspensões feitas para o off-road fazem a cabine chacoalhar um pouco, mas ainda com um nível surpreendente de conforto.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

No trânsito urbano, nota-se a lentidão típica do diesel nas respostas, com um certo lag na aceleração. Além disso, com janelas ou teto abertos, o ruído do motor invade a cabine — embora, com tudo fechado, o isolamento acústico e o acabamento mostrem-se muito bons.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Nas estradas, o conforto superou a dinâmica. Com braços sobrepostos na dianteira e eixo rígido com cinco braços e molas helicoidais atrás, o foco é resistência, e há forte tendência ao subesterço ao abusar da velocidade, o que é esperado na categoria.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Consumo e autonomia do GWM Haval H9

Após 84,1 km rodados na cidade de São Paulo em três horas, o consumo ficou em 7,8 km/l — aceitável para o porte, embora abaixo dos 9,1 km/l declarados pelo Inmetro. Na estrada, a 120 km/h constantes, o consumo chegou a 10,6 km/l, próximo aos 10,4 km/l oficiais. Com um tanque de 78 litros, a autonomia gira em torno de 800 km.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Monstro off-road?

Ter base de caminhonete e ser um “SUV de verdade” é apenas parte do que garante ao Haval H9 sua capacidade off-road. Além da possibilidade de pegar estradas de terra em velocidades maiores com muito conforto e sem preocupação, que faz dele um carro quase perfeito para rodar pelo interior (fazendo 9 km/l), é um monstro no off-road.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Além da tração 4×2 ou 4×4 com reduzida, possui bloqueios independentes dos diferenciais (dianteiro, central e traseiro) e ângulos de entrada, saída e central superiores aos do Toyota. O sistema “Curva Tank” permite que o SUV gire sobre o próprio eixo em curvas fechadas. Faltou, porém, um modo 4×4 para asfalto.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Para quem gosta das ajudas eletrônicas, o Haval H9 tem modos de direção para diferentes terrenos — como lama, areia e neve. Os pneus, no entanto, poderiam ter mais borracha (são 265/55 R19), e vale investir em modelos lameiros, se for o caso.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Após testar o Haval H9 de modo até radical (para quem estava sozinho), posso dizer que usei, se muito, 15% da capacidade off-road. O SUV se mostrou bastante valente, preparado para aventuras.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Conclusão

O Haval H9 é meio que uma versão SUV mais “civil” e a diesel do jipão Tank 300 (leia aqui a avaliação). Considerando preço, conteúdo, prazer ao volante e conforto, pode ser uma compra mais racional que o Toyota SW4. Como produto novo, não hesitaria em tê-lo na garagem, embora a desvalorização seja uma incógnita.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Eu optaria pelo H9 em vez do SW4 e, com a diferença de preço, levaria um elétrico para a cidade (cada macaco no seu galho). Com a GWM consolidada no Brasil, uma mecânica a diesel robusta e sem a complexidade dos híbridos, o H9 é uma compra segura.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

A escolha, portanto, é uma questão de custo-benefício. Para se tornar um verdadeiro carro de aventuras, contudo, a GWM ainda precisa construir sua reputação e história — algo que só o tempo dirá.

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

FICHA TÉCNICA

GWM Haval H9 Exclusive TD480 2026

Preço básico: R$ 329.000
Carro avaliado: R$ 329.000

Motor: dianteiro, quatro cilindros em linha, 16V, 2.4 turbodiesel Combustível: diesel Potência: 184 cv Torque: 480 Nm Câmbio: automático sequencial, nove marchas Direção: elétrica Suspensão: braços sobrepostos (d) e eixo rígido com five-link e molas helicoidais Freios: discos (d) / discos ventilados (t) Tração: 4×2 (traseira) ou 4×4, com reduzida e bloqueios independentes dos diferenciais dianteiro, central e traseiro

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)

Dimensões: 4,950 m (c), 1,976 m (l), 1,930 m (a) Entre-eixos: 2,850 m Pneus: 265/55 R19 Porta-malas: 88 litros (sete assentos disponíveis), 791 litros (terceira fila rebatida) ou 1.580 litros (duas fileiras rebatidas), Tanque: 78 litros Peso: 2.525 kg 0-100 km/h: 13s0 Velocidade máxima: 170 km/h Consumo (Inmetro) cidade: 9,1 km/l Consumo estrada: 10,4 km/l

NOTA GERAL: 8,5

GWM Haval H9
GWM Haval H9 (foto: Flávio Silveira)


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