Avaliação: Honda Civic Si é bem afiado na mecânica e dinâmica

A nova geração do Honda Civic Si continua sendo oferecida aqui apenas na versão cupê e troca o girador 2.4 pelo 1.5 turbo. Nossa equipe fica dividida

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Esse novo Civic Si está entre os melhores carros que dirigi recentemente, mas eu não o compraria – e não pelos motivos que imaginava. Sou fã das gerações anteriores e seus motores aspirados que subiam loucamente de giro até superar as 8.000 rpm – apesar da “falta de torque”. Meu medo era que agora, com o 1.5 turbo, o esportivo perdesse a graça, abrisse mão dessa empolgante característica.

E, de certo modo, sim: mais pela história que pelo desempenho – agora superior –, o Civic Si turbinado é menos divertido. A turbina tem lag discreto, mas o motor responde bem em baixa e “empurra” o esportivo com extrema convicção. Os giros sobem mais lentamente, porém mais efetivamente. Ainda assim, me peguei esticando muito as marchas e vendo o Civic Si cortar giros, e meu barato, antes de trocá-las (e que engates justos e precisos tem a caixa manual). Porque uma coisa são resultados, outra são sensações. Mesmo que o Civic turbinado ande mais, a sensação dos giros subindo tornavam os aspirados mais empolgantes. Senti falta disso.

A nova mecânica, porém, tem outras vantagens. Na falta de gasolina, foi alentador estar em um esportivo que, mesmo com 208 cv, permite andar “de boa” e fazer 11 km/l na cidade e 15 na estrada. Melhor que o (já bom) antigo Si. Tal versatilidade se repete no chassi. O botão Sport, além de alterar respostas do acelerador e volante, altera a carga dos amortecedores. Entre a “dureza” do primeiro Si Sedan de 2009 e a maciez “quase exagerada” (para um esportivo) do Coupé de 2014, esse novo consegue entregar ambos. Pode ficar firme para encarar curvas em velocidades absurdas (como a direção, com relação variável, é precisa!) ou macia para enfrentar asfalto ruim.

No mais, o painel de instrumentos digital tem ótima leitura, a central multimídia é perfeitamente integrada ao Android Auto (com navegação no cluster, algo raro), a posição de dirigir é excelente, os retrovisores garantem ótima visibilidade (nem precisaria da câmera de ponto cego) e o porta-objetos entre os bancos dianteiros é simplesmente genial. Ah, e os freios enfim são bem dimensionados.

Se a mudança mecânica, apesar de não aprovar, superaria – pois mesmo não sendo “girador” o motor é muito bom e está combinado a um chassi e a um conjunto divertidíssimo de guiar –, o verdadeiro motivo para não comprar esse Si está na carroceria. Oferecido apenas como Coupé duas portas, tem visual lindo, porém muito chamativo para meu gosto (“parece do Velozes e Furiosos”, me disseram mais de uma vez). E, acima de tudo, é um carro quase inviável para ficar colocando e tirando crianças das cadeirinhas.


Ficha técnica:

Honda Civic Si

Preço básico: R$ 159.900
Carro avaliado: R$ 159.900
Motor: 4 cilindros em linha 1.5, 16V, duplo comando continuamente variável, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1498 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 208 cv a 5.700 rpm
Torque: 26,5 kgfm de 2.100 rpm a 5.000 rpm
Câmbio: manual, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,522 m (c), 1,799 m (l), 1,421 m (a)
Entre-eixos: 2,700 m
Pneus: 235/40 R18
Porta-malas: 334 litros
Tanque: 47 litros
Peso: 1.321 kg
0-100 km/h: 7s3 (medição MOTOR SHOW)
Vel. máxima: não divulgada
Consumo cidade: 11,2 km/l
Consumo estrada: 13,7 km/l
Emissão de CO²: 110 g/km
Nota do Inmetro: B
Classific. na categoria: A (Esportivo)


Contraponto

Por Evandro Enoshita

Sou mais um que era fã dos antigos Civic Si e de seus motores aspirados. Era muito divertido ver o motor subindo de giro como se não houvesse amanhã (e nem uma faixa vermelha no conta-giros). Mas o motor 1.5 turbo surpreende e, assim como o Flávio, me encantei com o desempenho típico dos motores sobrealimentados, que, neste caso, está combinado a conjuntos de suspensão, direção e freios muito precisos. Embora ainda prefira os antigos Si, tenho que reconhecer que o novo é muito competente e divertidíssimo de guiar. Mas eu compraria um, sim, já que não tenho filhos e o porta-malas de razoáveis 334 litros faz com que o cupê ainda possa ser considerado um carro versátil para o meu perfil de uso. Só resta saber se ele vai agradar aos fãs mais tradicionalistas, que já consideravam a “falta de torque” uma característica especial do modelo. Pode parecer implicância, mas acho triste quando uma marca ou modelo de automóvel abandona a sua identidade. E nesse quesito o novo Civic Si, embora fenomenal, é menos Si do que estávamos habituados.

COMPRE SE…
Você quer um esportivo extremamente rápido para se divertir
ao volante, mas que pode perfeitamente ser usado no dia-a-dia.
Você gosta de chamar a atenção nas ruas, pois o Si tem
um visual bastante ousado e opções de cores fortes.

NÃO COMPRE SE…
Você tem uma família grande e usa com mais frequência o banco
traseiro, pois ali acesso, espaço e visibilidade são batante ruins.
Ronco do motor é algo que você considera fundamental. Apesar
da valentia, o Si ainda soa tímido demais, consideramndo seu visual.

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