Avaliação: Honda Civic Si traz de volta o prazer do câmbio manual num esportivo “raiz”

Com caixa manual de seis marchas, motor 1.5 turbo de 208 cv e amortecedores adaptativos, o cupê esportivo chega em 2018 para abrir caminho à futura vinda do nervoso Type R


Sabe aquele esportivo “raiz”, com câmbio manual que exige uma perfeita sincronia de pés e mãos para guiar rápido? Ele existe e está chegando. O novo Honda Civic Si será importado oficialmente a partir do segundo semestre de 2018. Num tempo recheado de esportivados “nutella”, com câmbios CVT de marchas simuladas transformando qualquer braço duro em Lewis Hamilton, a chegada do Civic Si é um alento. O carro é fabricado somente com caixa manual de seis marchas, usa motor de 1,5 litro turbinado com 208 cv de potência e será vendido na carroceria cupê de duas portas, como a antiga geração.

Para dar essa boa notícia, a Honda levou um pequeno grupo de jornalistas brasileiros e argentinos ao Sodegaura Forest Raceway, um circuito misto, com curvas travadas e de alta velocidade, localizado a 80 km de Tóquio, no Japão. Nessas ocasiões, o máximo que os fabricantes permitem são poucas voltas e muito foco na segurança, seguindo um piloto da fábrica com expressa proibição de ultrapassá-lo. Mesmo assim, foi possível tirar as primeiras impressões do novo Civic Si, pois a pista ainda tinha alguns trechos molhados devido à chuva provocada por um tufão que passara pelo Japão na véspera.

Em relação ao antigo Si que era vendido no Brasil, o novo fica mais dócil de guiar, mas nem por isso menos esportivo. Pelo contrário. Agora bebendo da mesma carroceria da geração 10 do Civic, o novo Si adquiriu um comportamento mais neutro, em função de suas ótimas qualidades de suspensão (MacPherson na dianteira e multi-link na traseira) e do Adaptive Damper System, que faz uma perfeita leitura das irregularidades da pista. Nas estradas brasileiras deve ser mais útil do que na pista de Sodegaura, que possui asfalto impecável. Por ter tração dianteira, era de se esperar que o Civic Si saísse um pouco de frente em algumas curvas quando exigido um pouco mais, porém ele se mostrou bastante neutro – a cada volta, a confiança no volante aumentava e o carro correspondia com uma precisão notável (mérito também da direção elétrica com dois pinhões).

O motor 1.5 turbo de injeção direta de gasolina tem duplo comando de válvulas variáveis no cabeçote (Dual VTC). Para extrair não apenas os 208 cv de potência do motor, que surgem a 5.700 giros, mas também os 26,5 kgfm de torque, que estão disponíveis na faixa de 2.100 a 5.000 rpm, é preciso colocar o carro no modo de condução Sport. Segundo o engenheiro-chefe do Civic, Hideki Matsumoto, o Si tem a performance orientada para a pista. Mas as suspensões não são extremamente duras; na verdade, elas conseguem deixar o carro estável sem sacrificar a coluna cervical de ninguém. Quanto mais curvas na estrada, melhor para o novo Civic Si. O modo Normal aumenta o conforto e serve para rodar na cidade. Além dos amortecedores adaptativos, a suspensão ganhou molas mais firmes, barras estabilizadoras bem rígidas (especialmente na traseira), buchas sólidas e braços dianteiros oriundos do Civic Type R, que também está considerado para futura importação.

O câmbio manual de seis marchas tem a alavanca muito bem posicionada, permitindo movimentos rápidos e intuitivos. Os pedais também permitem facilmente o punta-tacco (pisar nos pedais do freio e do acelerador com o mesmo pé ao mesmo tempo), o que aumenta o prazer da condução esportiva. Junto a isso, a posição de dirigir bem baixa, com um volante de ótimo diâmetro e empunhadura, garantem uma tocada rápida e esportiva, mas serena. Apesar dos limites de utilização na pista de Sodegaura, alguns movimentos bruscos de freadas fortes, curvas fechadas e reacelerações vigorosas demonstraram que o Civic Si tem pouca rolagem da carroceria – o que já era esperado devido às qualidades dinâmicas do novo Civic.

Em relação à geração anterior, o novo Si ficou 8 kg mais leve e teve um ganho de 25% na rigidez torcional. Os bancos foram refeitos para melhorar o apoio lateral nas curvas, enquanto o ronco do motor ficou mais esportivo. Visualmente, o carro tem elementos aerodinâmicos na carroceria, como largas entradas de ar e aerofólio traseiro, além da grade dianteira preta, para reforçar sua esportividade. As rodas de liga leve são de 18” (pneus 235/40, bem largos e bem baixos) com dez raios e acabamento em dois tons. Porém, o carro que dirigimos no Japão tinha uma cor cinza insossa que (tomara) não deve ir para o Brasil – o laranja da antiga geração continua disponível no novo, mas a Honda não confirmou quais cores irá escolher.

O Honda Civic Si é produzido apenas na fábrica de Ontário, no Canadá, mas o motor é feito em Anna, Ohio, nos Estados Unidos. O presidente da Honda na América Latina, Issao Mizoguchi, veio ao Japão para participar do Salão de Tóquio e não falou sobre volume de importação nem de preço. O antigo estava sendo vendido a R$ 132.100, mas como a Honda não é muito boazinha quando o assunto é preço, podemos estimar algo mais salgado, entre R$ 150.000 e R$ 180.000. Quanto ao Type R, continua nos planos, mas a Honda prefere estudar um pouco mais esse mercado, pois aí já estaríamos falando de um carro no nível de um Mercedes-AMG A 45. Já o NSX está totalmente descartado (faria concorrência o Audi R8), pois, segundo Mizoguchi, o custo para montar uma rede de vendas e assistência técnica superaria 10 vezes o valor do carro. Por enquanto, ficamos com o novo Civic Si 1.5 turbo, o que é um bom recomeço na linha de esportivos da Honda no Brasil.

Veja aqui um vídeo do novo Civic Si: