16/02/2026 - 8:00
Tem um ditado popular que diz que quem compra um Honda, certamente vai trocá-lo por outro Honda. De fato, os japoneses entendem muito bem sobre esse assunto de fazer carros. E o CR-V, SUV mais do que tradicional mundo afora, é um dos seus produtos de maior sucesso: consagrado como poucos, foi um dos precursores dentre os SUVs médios mais urbanos (junto do Toyota RAV4, lá em meados dos anos 90), e está firme e forte na sua sexta geração. Todas foram vendidas no Brasil, e com essa atual não poderia ser diferente: por aqui custa pouco mais de R$ 350 mil.
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CR-V Hybrid: para poucos
Por essa cifra, fica claro que a Honda quer vendê-lo para poucos. Esses poucos, possivelmente, já clientes tradicionais da marca, daqueles que estão trocando seus CR-V 2021 ou 2022, ou mesmo um Accord híbrido mais antigo, por um CR-V novinho em folha. Não é um SUV que vai brigar para ter o melhor preço dos chineses, por exemplo, nem tampouco se render a modinhas modernas, como telas gigantes, barras de LED no conjunto óptico, ou um desempenho espetacular.
O público do CR-V, e desses Honda de mais alto naipe, não busca nada disso. Quer um carro moderno, discreto, eficiente, espaçoso, confortável, que não dê dor de cabeça, tudo isso com baixa desvalorização e ótimas médias de consumo. Sim, afinal esse SUV é híbrido, juntando um motor 2.0 16v aspirado sob o capô (opera no ciclo Atkinson), com um motor elétrico dianteiro de tração, que é bem mais potente que o outro a combustão (184 cv, versus 147). Há ainda um outro gerador que une motor de partida ao alternador, fornecendo energia, também.
Motor elétrico potente
Apesar das baterias de tração bem pequenas (1 kWh), ele pode encarar alguns km como um carro puramente elétrico, inclusive subindo ladeiras, trafegando em altas velocidades e afins, graças ao tal motor elétrico potente e forte (34 mkgf de torque, superiores aos 19,4 do 2.0). Operações como manobras em marcha a ré, ou mesmo na hora de sair da inércia, quase sempre são executadas apenas com o motor elétrico tracionando. Ele é quem manda na operação, com o 2.0 a gasolina entrando para ajudá-lo, especialmente nas médias e altas velocidades, ou para carregar as baterias.
Muita harmonia
Impressiona a harmonia de todo esse sistema funcionando, em especial na transição praticamente imperceptível entre combustão e eletricidade (ou vice-versa): não há trancos, quedas de potência, ruídos ou coisas do tipo. Porém, se comparado com o Accord, por exemplo, que bebe da mesma fonte mecânica, o CR-V tem seu motor 2.0 fazendo mais barulho, principalmente pela operação em maiores rotações, por conta da calibração do câmbio CVT com duas marchas programadas (uma para baixas e outra para médias/altas velocidades). O Accord trabalha sempre de forma linear, sem simular marchas.
Esse CR-V é pesado, com mais de 1.800 kg, mas se vira muito bem, em especial pela tração elétrica poderosa, que ainda tem a disposição os outros 19 mkgf do motor a combustão. Em nossos testes, rondou os 8,5s para acelerar de 0 a 100 km/h, aproveitando todo o potencial do powertrain híbrido. Como nunca falta carga nas baterias de tração (elas começam a ser carregadas automaticamente assim que atingem 20%), seu motor elétrico está sempre pronto para impulsionar o carro. E, por ser grande, a tal máquina elétrica ainda rende uma bela regeneração de energia em desacelerações, a ponto de poder frear totalmente o CR-V na cidade sem usar o pedal do freio.

Economia
Suave, silencioso, progressivo, eficiente e, claro, econômico. O CR-V Hybrid não conseguiu a proeza de rodar mais de 500 km com apenas meio tanque de gasolina, como fez seu irmão Accord Hybrid, mas ainda mostrou médias bem interessantes para seu porte e peso. Na cidade, números acima dos 19,0 km/l são comuns no modo Eco de condução, enquanto na cidade ele viajava fazendo cerca de 14,0 km/l. Mesclando uso urbano e rodoviário em 550 km de testes, o exemplar avaliado mostrou que poderia rodar cerca de 850 km sem reabastecer, pelo menos. Ainda ótimo.
CR-V: bom como sempre
Seja 1996 ou 2026, o CR-V é um daqueles carros que não tem muito onde errar. É sóbrio, bem-acabado, extremamente espaçoso, e mostra níveis elevados de solidez e prazer ao guiar. Sim, prazer ao guiar: nada de respostas anestesiadas, suspensões molengas, freios insossos e por aí vai, como acontece em rivais chineses. Ele te faz se sentir a bordo de um sedan médio, ao mesmo tempo que conta com posição de guiar elevada, enorme área envidraçada, portas grandes e bancos confortáveis, qualidades dignas de SUVs médios.
O acerto de suspensões, como num bom Honda, é mais durinho, mas nada que deixe o carro desconfortável. Pneus altos e suspensões de curso elevado são bons na missão de absorver ondulações e obstáculos da pista, e a tração integral permanente e automática permite curvas rápidas com enorme precisão e segurança. Apesar de alto, não inclina muito nelas, nem mostra excessiva rolagem lateral de carroceria. Boa!
De quebra, é um conjunto que, pela altura do solo, ainda te permite rodar por alguns trechos off-road sem grandes problemas, apesar da sua vocação falar mais alto nos pisos asfaltados. Quem já dirigiu um modelo médio ou grande da marca japonesa, entende esses predicados citados acima.

Espaçoso e confortável
E, lembra do espaço interno farto? Pois é. Passageiros que já andaram em carrões maiores elogiaram várias vezes o conforto a bordo do CR-V, que é daqueles que tem cabine maior do que a carroceria sugere. Graças a portas grandes e assoalho alto, é muito fácil entrar e sair dele, enquanto janelas grandes deixam a cabine arejada e bem iluminada, sempre.
Teto alto e acabamentos claros ajudam a aumentar a sensação de amplitude, reforçada pela enorme distância entre os bancos dianteiros e traseiro. Quem entra, nem imagina que são só 2,70 m de distância entre-eixos, ou apenas 5 cm a mais que um VW T-Cross, por exemplo. Belo trabalho de disposição dos elementos na cabine.
Ah, e ainda sobram mais de 580 litros para o porta-malas, com acesso igualmente fácil (a tampa é enorme, e não há degraus no piso do compartimento), e capacidade de carregar até mesmo móveis pequenos ali. Nessa versão única oferecida por aqui, a Advanced Hybrid, há tampa elétrica com abertura através de sensor de presença, bem prática.

Vários equipamentos, e algumas ausências
Seu pacote de série ainda inclui, como destaques, um belo sistema de som Bose, bancos dianteiros com ajustes elétricos (memórias de posição para o motorista), teto-solar panorâmico (só não é dos maiores), partida remota do motor, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno fotocrômico sem borda, rodas aro 19, todas as luzes em LED (faróis, lanternas, luzes internas), grade dianteira ativa (se abre ou fecha dependendo das necessidades), iluminação ambiente, controle eletrônico de descidas (HDC), bancos traseiros com ajuste de inclinação e distância, instrumentação digital de 10,2 pol., head-up display, um enorme pacote ADAS, 10 airbags, entre outros.
Um de seus focos é na segurança, e isso fica claro com a quantidade de airbags espalhados pela cabine, ou a precisão quase cirúrgica dos sistemas de condução semiautônoma do pacote ADAS, por exemplo. A Honda, aliás, é uma das marcas com o ADAS mais bem calibrado do mercado brasileiro. Não à toa, esse CR-V de sexta geração gabaritou testes de colisão nos EUA (IIHS), Europa (Euro NCap), China (C-NCap) e outros mercados da Ásia (Asean NCap).
Só que, apesar de ser cheio de virtudes, o CR-V Hybrid é bem caro. E, por conta disso, acaba devendo alguns equipamentos já encontrados em modelos mais baratos, não só chineses. Como exemplos estão mais câmeras externas (só há uma traseira e uma na lateral direita), um monitor de ponto-cego (só existe o sistema Lane Watch), bancos dianteiros com climatização (refrigeração/aquecimento), ou mesmo funcionalidades Google na multimídia (Maps, Assistente de Voz, Play Store), que Accord e Civic, ambos híbridos, já estrearam no Brasil.
Aposta na tradição
É um SUV médio híbrido para poucos. E, se você fizer parte desse time mais nichado, como o público tradicional que citei, saiba que a Honda (ainda) pensa em você. A marca japonesa não vai querer te vender um SUV genérico com telas enormes, luzes coloridas, nome complicado e reputação desconhecida. Falou em CR-V, todo mundo conhece, e elogia. O difícil é ter os mais de R$ 350 mil cobrados por ele…
























































