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Levar a família no carro muda sua vida. As prioridades são outras. Não compro um carro pensando em como vai andar “quando estiver sozinho”, até porque não rodo tanto sozinho. Penso em como colocar a Stella, 1 ano, na cadeirinha, acomodar veículos e tralhas do Mathias, 6, guardar compras e manobrar no supermercado. Sim, sou pai de família, e o Honda CR-V é um carro que teria na garagem. Por R$ 180.000, a nova geração não é barata, tampouco cara. É maior e melhor que muitos médios de R$ 160.000 – mas concordo que, para muitos, não melhor que um Tiguan Allspace 2.0 de mesmos R$ 180.000 (confira aqui a avaliação) ou um Chevrolet Equinox (confira aqui a avaliação) R$ 15.000 mais barato. Para mim, pessoalmente, é.

Como já acontecera com outros Honda, o CR-V me conquistou com o tempo. Passei uma semana utilizando-o no dia a dia em São Paulo e em uma rápida viagem a Campinas (200 km ida e volta). Sem esforço – e sem ficar devendo em retomadas e ultrapassagens, o 1.5 turbo fez 9 km/l no trânsito urbano e 14 na estrada (a poupança da faculdade agradece). Com a mesma segurança da tração integral, gastou bem menos que Tiguan e Equinox e menos que a maioria dos SUVs menores de tração dianteira. Mérito também do câmbio CVT – que, com simulação de marchas e interferência via aletas, garante uma experiência acima da média (não costumo gostar desse tipo de caixa).

E o conforto… com o sistema de cancelamento de ruídos “emitindo silêncio” na cabine, as crianças pegando no sono com o balançar das ultra-confortáveis e silenciosas suspensões, não havia choro, gritos, ruído de motor, vento e pneus… só paz. Na volta, o mesmo silêncio permitiu entender as interessantíssimas explicações do Mathias no banco de trás. E nem os absurdos buracos e valetas de São Paulo passavam pelas suspensões (as do Tiguan são mais firmes, e as do Equinox, mais ruidosas).

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Já no entra e sai do carro, as portas que abrem em 90º fizeram diferença. A cabine de assoalho plano e amplo espaço lateral e para joelhos permitiu à Yasmim sentar entre o booster do Mathias e a cadeirinha da Stella – raro mesmo em SUVs médios (no Tiguan ficou apertada: não preciso de sete lugares, e os cinco do CR-V são melhores que a média). O enorme porta-objetos também fez sucesso, assim como a prática tampa motorizada do porta-malas.

Não era fã das gerações anteriores do CR-V, por conta principalmente de desempenho e acabamento, mas agora sou. Aliás, nesse último ponto evoluiu muito. É quase imbatível em silêncio, suspensões e espaço e tem materiais de SUV premium – com mais espaço que muitos do mesmo valor, como Audi Q3 e BMW X1. E, pessoalmente, ainda acho o CR-V mais bonito. Mas não vou entrar nessa briga agora.

Ficha técnica:

Honda CR-V Touring

Preço básico: R$ 179.900
Carro avaliado: R$ 179.900
Motor: 4 cilindros em linha 1.5, 16V, duplo comando variável, injeção direta, turbo
Cilindrada: 1498 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 190 cv a 5.600 rpm
Torque: 24,5 kgfm de 2.000 a 5.000 rpm
Câmbio: automático cont. variável (CVT), sete marchas simuladas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco (t)
Tração: integral
Dimensões: 4,591 m (c), 1,855 m (l), 1,667 m (a)
Entre-eixos: 2,660 m
Pneus: 235/60 R18
Porta-malas: 522 a 1.945 litros
Tanque: 57 litros
Peso: 1.607 kg
0-100 km/h: 8s8 (est.)
Vel.máxima: 200 km/h (est.)
Consumo cidade: 10,4 km/l
Consumo estrada: 11,9 km/l
Emissão de CO²: 122 g/km
Nota do Inmetro: C
Classific. na categoria: A (SUV4x4)


Contraponto

Por Anamaria Rinaldi

Eu sou do tipo que gosta de desempenho. Por isso, o novo conjunto mecânico tornou o CR-V melhor do que a geração passada. É bom na estrada e confortável na cidade. Se você quiser ainda pode acompanhar pelo quadro de instrumentos a atuação da tração. Você vai perceber que ela está tracionando também as rodas traseiras mesmo em baixas velocidades na cidade. O preço, contudo, ficou bem salgado com o aumento de mais de R$ 30 mil. Mas o CR-V compensa nos equipamentos mais modernos e bastante úteis, como a câmera no retrovisor direito que liga sempre que você aciona a seta, o Brake Hold que mantém o carro freado ou a abertura elétrica do porta-malas com um movimento do pé sob o para-choque traseiro – isso foi ótimo no supermercado. Adorei também o botão sensível do toque no volante para regular o volume do rádio. O CR-V vale a pena e eu compraria, mas por R$ 180 mil ficou faltando pelo menos alerta de ponto cego, assistente de faixa de rodagem e controlador de velocidade adaptativo. É a era dos carros com assistentes de direção e o SUV ficou um passo atrás nesse quesito.

COMPRE SE…
Você tem uma família não tão numerosa, mas que sempre precisa carregar muita tralha.
Conforto ao rodar, cabine agradável e consumo baixo são suas prioridades ao comprar um carro.

NÃO COMPRE SE…
Você quer a versatilidade de um SUV familiar que consiga entregar um desempenho esportivo e empolgante em certas situações.
Sua prioridade está no custo-benefício e você olha apenas para preço e potência.