Quem não tem cão, caça com gato. Ou, se o cão não é dos mais dispostos, o felino toma seu lugar. Na linha da Honda, existe um cão e um gato: ZR-V e HR-V Touring, respectivamente. O primeiro é um SUV médio digno e equilibrado, mas não emplaca nem com reza braba, como dizem por aí. Enquanto isso, o HR-V Touring, o gato da história, acaba tomando espaço dele, mesmo sendo um compacto.  

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HR-V e ZR-V custam praticamente o mesmo

Tanto é que esse HR-V topo de linha custa R$ 214 mil, enquanto o ZR-V sai por R$ 215 mil. E o irmão menor vende mais que o maior. É como se a Jeep vendesse um Renegade completão pelo mesmo preço de um Compass flex topo de linha, e o Renegade fizesse mais sucesso. Coisas de mercado… 

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça

De qualquer forma, o HR-V Touring tem um recorde, que é o de SUV compacto a combustão mais caro do Brasil, disparado. Essas cifras, na casa dos R$ 215 mil, geralmente são comuns em modelos maiores, de segmento superior, e não nos compactos. De qualquer forma, como tamanho não é documento, esse Honda menor surpreende por virtudes que só costumam existir em modelos maiores, de fato. E olha que ele nem esconde as origens, tanto que usa plataforma derivada do City.  

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Quase 900 km a bordo dele

Rodei quase 900 km com o HR-V Touring. Conhecia o carro de outros carnavais, mas as novidades da linha 2026 deram algum fôlego pra ele: novo console central (mais prático), moldura da multimídia mais discreta (segue a tela de 8 pol.), lanternas com novo arranjo de luzes (exclusivo dela), e faróis com setas corrediças (outro item que só ela oferece), além do tapa no visual que toda a linha recebeu. Ok, tudo bem: isso ainda não justifica seu preço. Mas, vamos lá… 

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Bom de motor

De motor, ele é bem servido. O 1.5 turboflex de quatro cilindros é moderno e eficiente, com seus 177 cv de potência (1 a mais que o 1.3 turboflex da Stellantis), e torque mais contido, na casa dos 24,5 mkgf (gas/eta). Ainda assim, as origens mais humildes do HR-V fazem dele um carro leve, com cerca de 1.400 kg, e bem-casado com a transmissão CVT que lhe equipa. Não é ágil como uma caixa de dupla embreagem, por exemplo, mas garante esperteza, conforto e economia ao conjunto.  

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Vamos por partes. Esse CVT acoplado ao motor 1.5 turbo escorrega o mínimo possível, e transfere toda a força do motor para as rodas de forma mais responsiva: com o mínimo toque no acelerador, o carro desenvolve suficientemente bem. Esse propulsor tem torque máximo crescente a partir dos 1.700 rpm, mas o powertrain desperta com vigor máximo entre 2.500 e 3.000 giros, ainda baixos. Porém, bem antes disso, já as 1.500 rotações, há uma boa dose de força.  

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Bom de performance

CVT que escorrega pouco, modo de trocas manuais bem escalonado (essa caixa também sabe simular marchas de forma competente), e motor turbo potente e forte, que entrega torque progressivo desde os baixos giros. Tudo isso nos 1.400 kg da balança e temos, como esperado, uma fórmula favorável ao bom desempenho. No modo sport de condução, o HR-V Touring vira um carinha animado e cheio de vida, com pique para acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 9 segundos, tranquilamente.  

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Bebe pouco

No Eco, enquanto isso, espere toda a suavidade, o silêncio e maciez de um Honda equipado com câmbio CVT. Mantendo baixos giros, conseguiu registrar mais de 15,5 km/l de gasolina na estrada, contra aproximadamente 12 km/l na cidade, com trânsito a seu favor. Fez falta, para melhores médias urbanas, um sistema start & stop. Medido com etanol, ele mostrou-se mais beberrão nos números do computador de bordo, com cerca de 10,5 km/l rodoviários e 8,0 km/l urbanos.  

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Bebe menos, por exemplo, que um Compass 1.3 turboflex, um Boreal 1.3 turbo, ou um Territory 1.5 turbo. Os três médios, maiores, mais pesados, pelo mesmo preço. É uma das vantagens de ter força de sobra num “corpinho” menor e mais leve.  

Acertado na dinâmica

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Ele, também, é bom de guiar. Tem os acertos típicos de um carro japonês, bem justinhos, precisos e mais durinhos, máxima que vale também para as suspensões: deixam o HR-V Touring bem afiado para acelerar e fazer curvas rápidas, mas não espere uma calibração das mais macias. Ele é do tipo mais sólido, esportivo. Direção e freios, a disco nas quatro rodas, seguem uma receita parecida.  

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Ainda assim, não é um carro esportivo de fato. Tem bancos confortáveis, posição de guiar altinha, e coluna de direção mais verticalizada. Tudo é perto do motorista, com fácil alcance e no lugar onde deveria estar, facilitando a condução. Porém, não é dele um acabamento tão primoroso (tem bastante plástico duro), telas das mais bonitas (especialmente da simples, mas eficiente, multimídia), ou uma excelente visibilidade (desde a primeira geração, o HR-V tem janelas pequenas e anguladas).  

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Sobra espaço

Em compensação, o espaço interno é típico de modelos de categorias superiores. Por mais que seja compacto de carroceria, tem interior muito espaçoso e amplo, graças à disposição inteligente dos componentes internos e desenho feliz da cabine. Sobra um enorme vão entre os bancos dianteiro e o traseiro, o que é somado a um assoalho quase plano e teto bastante alto e arredondado (tem folga para pernas, joelhos, ombros e cabeças).  

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Para o banco traseiro, saídas de ar, portas USB, luzes de leitura e apoio de braços, como pede um carro desse preço (e como fazem os médios). Bacana citar também a modularidade do sistema Magic Seat, que permite colocar o banco traseiro bipartido (1/3 2/3) em várias posições diferentes, permitindo a acomodação desde vasos de planta enormes até bicicletas inteiras ou pranchas de surfe, por exemplo. É um item que só a Honda tem, e que não está disponível no irmão maior ZR-V, aliás.  

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Porta-malas pequeno

Só o porta-malas de 354 litros que deixa claro o projeto compacto desse HR-V. Apesar de ter piso plano e um enorme vão para acomodar objetos grandes, o espaço é, de fato, um tanto limitado, especialmente na altura. Hoje, para que se tenha uma ideia, essa faixa de 350 litros de porta-malas é ocupada pelos SUVs pequenos, como o VW Tera ou o Renault Kardian. Num SUV médio você encontra mais espaço, sem dúvidas.  

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça

O que tem, e o que falta

Seu pacote de série é amplo, com direito a luxos típicos de modelos mais caros, como ar digital automático dual zone com saídas traseiras, sistema de som com 8 alto-falantes, banco do motorista com ajustes elétricos, freio de mão eletromecânico com função Auto Hold, tampa do porta-malas com abertura/fechamento elétricos, partida remota do motor, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno fotocrômico, controle eletrônico de descidas (HDC), um belo pacote ADAS, rodas diamantadas aro 18 etc. 

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Mas, falta. É muito complicado justificar a ausência de um teto-solar, por exemplo. Não chega a ser uma economia de palito em banquete, afinal envolve partes estruturais do carro, mas o HR-V Touring poderia compensar essa ausência com uma multimídia maior e mais moderna, ou até um sistema de câmeras 360º. Também é bom lembrar que aqui não há suspensões independentes nas quatro rodas, trocada por um conjunto traseiro convencional e mais simples, de eixo arrastado.  

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Vale olhar o ZR-V, também…

É fato: o HR-V Touring pode salgar no preço, porém tem lá seus predicados. E eles são vários, alguns até exclusivos no seu segmento, que ainda é o de SUVs compactos. Agora, se você simpatizar com seu irmão maior, o ZR-V Touring, vale dar uma olhadinha nele também. Pelo mesmo preço, é maior, melhor acabado, também bastante completo, mas amansado na performance com seu motor 2.0 aspirado e carroceria mais pesada.  

Honda HR-V Touring 2026 – Foto: Lucca Mendonça