Avaliação: Honda WR-V une versatilidade e aventura

Com todos os predicados do Fit, o Honda WR-V consegue agradar aos que buscam um modelo de perfil aventureiro, mas sem recorrer a um SUV

Uma das primeiras reações de muita gente ao ver um Honda WR-V é encarar o crossover apenas como um Fit aventureiro. Elas não poderiam estar mais erradas. E nem mais certas. Embora o WR-V tenha como base o hatch com jeito de monovolume da marca japonesa, ele consegue ter, ao mesmo tempo, um comportamento ao volante bem característico. Avaliei a versão EX do WR-V, que sai por R$ 82.100 e é a configuração mais acessível do modelo. Na prática, o fato de o EX ser o básico da linha não incomoda. Pode até não ter bancos de couro, mas vem bem equipado, com direito a piloto automático, ar-condicionado automático digital e central multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay. O pecado (também cometido pelo WR-V EXL) é a ausência dos controles eletrônicos de tração e estabilidade, já oferecidos por vários modelos na mesma faixa de preço.

O WR-V parece ter sido pensado para agradar o maior número possível de pessoas. A posição de dirigir é alta e casa muito bem com a atual febre dos SUVs. Não preciso de um carro com muito espaço, por isso os 363 litros de capacidade do porta-malas (pequeno para um SUV) não são um problema para mim. Mas se eu precisar levar algo maior, o sistema de rebatimento dos bancos Magic Seat (que não exige força e é muito fácil de usar) permite ganhar uma área de carga plana de até 1.045 litros. Isso sem contar os inúmeros porta-objetos espalhados pela cabine. Para completar, o visual do interior é sóbrio e tem como única nota de ousadia (ainda que sutil) o revestimento dos bancos nas cores laranja e preto ou preto e prata (variando de acordo com a cor da carroceria).

Sob o capô, o crossover usa um motor 1.5 de 116 cv um câmbio automático CVT. Conjunto que está longe de garantir um desempenho empolgante, mas que atende bem principalmente no uso urbano, com um bom equilíbrio entre desempenho e consumo de combustível. Ao volante, o ponto forte do WR-V é a suspensão, que usa componentes vindos do irmão maior HR-V e tem acerto firme. O resultado é uma sensação de estabilidade maior do que no Fit, mesmo com a maior altura da suspensão. Dá pra rodar tranquilamente por estradas de terra sem se incomodar com barulho ou com o carro raspando a frente em valetas.

Não sou de me empolgar com SUVs e crossovers. Mas gosto muito de carros versáteis. Por isso, o Honda WR-V despertou meu interesse. Posso até não comprar um, mas certamente irei recomendá-lo para alguém que queira um carro espaçoso e econômico. E com algumas pitadas a mais de personalidade do que o Fit.


Contraponto

Por Flávio Silveira

Como disse o Evandro, o WR-V é um Fit aventureiro mas o WR-V não é um Fit aventureiro. Devo dizer que vejo a contradição também no visual – nesse ponto, diferentemente do antigo Fit Twist, a Honda fez mais do que somar adereços. Isso, ao mesmo tempo em que faz do WR-V um modelo (quase) próprio, deixa alguns clientes com a sensação de que a marca os tenta “enganar”, vendendo gato por lebre – ou monovolume por SUV. Não é isso. Verdade que o visual não muda tanto e que seus preços são iguais aos de SUVs “legítimos” como Kicks e EcoSport. Mas, apesar da cara de Fit aventureiro, o WR-V tem suspensões de HR-V, que meu colega achou melhores – eu diria que só são mais adaptadas às nossas ruas. Particularmente, gosto do Fit pela versatilidade e prefiro seu visual. Não pagaria mais para vê-lo “transformado em SUV”. No meu uso as suspensões não fazem tanta diferença (e acho as do Fit excelentes). E onde o Evandro vê “mais personalidade” eu vejo certo desequilíbrio, como nos facelifts de meia vida: muda-se só porque é preciso, mesmo com resultado pior.

COMPRE SE…
Você busca um modelo compacto e com bom espaço interno, mas que ao mesmo tempo seja capaz de enfrentar estradas de terra.
Busca um carro que tenha o desempenho como um dos pontos fortes. O WR-V agrada mais aos que não têm pressa.

NÃO COMPRE SE…
Faz questão dos controles eletrônicos de tração e estabilidade. Esses itens não estão disponíveis nem na versão EXL.
O preço é fator decisivo de compra. O Honda WR-V custa o mesmo que alguns dos SUVs compactos “de verdade”.

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Ficha técnica:

Honda WR-V EX

Preço básico (THP): R$ 82.100
Carro avaliado: R$ 82.100
Motor: 4 cilindros em linha 1.5, 16V, comando variável
Cilindrada: 1497 cm³
Combustível: flex
Potência: 115 cv a 6.000 rpm (g) e 116 cv a 6.000 rpm (e)
Torque: 15,2 kgfm a 4.800 rpm (g) e 15,3 kgfm a 4.800 rpm (e)
Câmbio: automático CVT, modos Sport e Low
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,000 m (c), 1,734 m (l), 1,599 m (a)
Entre-eixos: 2,555 m
Pneus: 195/60 R16
Porta-malas: 363 litros
Tanque: 45 litros
Peso: 1.130 kg
0-100 km/h: 11s5 (e)*
Velocidade máxima: 175 km/h**
Consumo cidade: 11,7 km/l (g) e 8,1 km/l (e)
Consumo estrada: 12,4 km/l (g) e 8,8 km/l (e)
Nota do Inmetro: B
Emissão de CO²: 111 g/km
Classificação na cat.: B (Utilitário Esportivo Compacto)

*não avaliado pelo Latin NCAP, mas possui isofix