10/07/2026 - 8:00
O Jetour S06 chegou ao Brasil no começo do ano diferente dos demais modelos da marca e dividindo a plataforma híbrida PHEV com o elogiado Jaecoo 7. Mas o parentesco direto com primos da Chery International não bastou para salvá-lo de deslizes graves.
Após uma semana de testes com o SUV médio-grande, o Jetour S06 não mostrou a mesma qualidade de tropicalização dos Omoda & Jaecoo, sendo inferior no consumo e, principalmente, no conforto, com falta de refinamento no rodar em nossas ruas.
Os preços, na faixa de mais de R$ 200 mil, colocam o SUV em uma briga indigesta, na qual estão os modelos mais vendidos do momento: além do Jaecoo 7, está na faixa de BYD Song Pro, GWM Haval H6 One (este um HEV) e Geely EX2 EM-i, na qual o comprador espera um nível de refinamento que o S06, infelizmente, derrapa em entregar.
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Design e funcionalidade
Visualmente, o Jetour S06 tenta apelar para uma pegada mais esportiva e imponente do que os demais modelos “quadradões” da marca – o que o torna um estranho no ninho, tirando dele a “cara de Jeep” e o colocando contra modelos do próprio grupo. Uma decisão estranha da marca.

Além de ter mais de 4,60 metros de comprimento, o Jetour S06 é consideravelmente largo — uma característica que remete ao BYD Song Plus. Isso se torna um problema na hora de encarar as vagas apertadas dos shoppings ou prédios. Na saída do meu condomínio, manobrá-lo foi mais difícil que a média.

Por dentro, o design é o mesmo de quase todo carro chinês atual: linhas horizontais, um pequeno quadro de instrumentos e uma telona central, exatamente como nos Jaecoo 7 (mas aqui a tela central é horizontal, não vertical).
O acabamento agrada à primeira vista, abusando de materiais emborrachados e também macios ao toque, como é quase padrão entre os carros chineses. No console, há uma mistura de plástico simples com apliques que imitam madeira.
Também seguindo a moda, o console traz poucos botões, com alavanca de câmbio na coluna de direção e volante minimalista. Ao menos há botões físicos para ajuste das principais funções do ar-condicionado, que apenas parecem sensíveis ao toque, mas felizmente não são, garantindo ajuste rápido e elogiável. Há também um prático compartimento gelado abaixo do apoio de braço do motorista.

Ainda na vida a bordo, alguns pontos são irritantes, como o fato de o Jetour S06 simplesmente não possuir botão físico para controle dos retrovisores externos. Para ajustá-los, é preciso navegar pela tela central em “Veículo > Ajustes Gerais > Retrovisores” e depois movimentá-los usando os controles do volante.

Até colocaram um atalho ao puxar a tela principal de cima para baixo para acionar esses comandos, mas a solução ainda é confusa. Entre outras opções deste menu rápido, estão seletores de modo de condução, conservação de energia, tela e luzes.
Mas o pior de tudo é a péssima integração com o Android Auto e Apple CarPlay: a transição entre o espelhamento e as funções do carro é irritante. Se você estiver usando o Waze, as instruções de navegação não aparecem no cluster (que só mostra a música).

Para piorar, o sistema não traz ajuste de volume rápido na tela. Se quiser mudar a altura do som sem sair do Android Auto, sua única opção é o volante. Para qualquer outra função fora dos atalhos superiores, você é obrigado a sair da tela de espelhamento.

Por fim, a lista de equipamentos é bastante completa, com alguns itens de luxo como bancos com memória, aquecimento e ventilação (versão top avaliada), mas, em um carro de R$ 229.900, a ausência de um retrovisor interno eletrocrômico é algo difícil de engolir (mais detalhes na lista de equipamentos no fim do texto).

Espaço e conforto
No papel, o porte largo do Jetour S06 deveria se traduzir em um ambiente de alto conforto, mas a execução deixa a desejar. Embora o acabamento visual e material seja interessante e o enorme teto panorâmico dê amplitude à cabine, a qualidade construtiva da unidade avaliada não agradou.

Com apenas 2.700 km rodados, o SUV já apresentava uma boa quantidade de ruídos internos inaceitáveis. O banco do motorista rangia em curvas, o teto panorâmico batia ao passar por qualquer imperfeição no asfalto e o banco do passageiro dianteiro tremia constantemente, gerando barulho.

Embora o espaço interno seja amplo para os ocupantes devido à largura da carroceria, o porta-malas tem apenas 420 litros, e o isolamento acústico e o nível de vibrações mostram que a montagem precisa de um melhor controle de qualidade.

Foco no consumo
Mecanicamente, o S06 tem um conjunto híbrido plugável (PHEV) que pareceu ter uma estratégia de gerenciamento diferente da usada no Jaecoo. O híbrido plug-in tem um motor 1.5 Turbo apenas a gasolina, com 135 cv e 200 Nm, aliado a um elétrico de 204 cv e 310 Nm. Somam, segundo a marca, 315 cv.
Na cidade, ele prioriza a eletricidade e o uso em série, com o motor a combustão apenas alimentando a bateria. Na estrada, o Jetour S06 funciona parte do tempo em paralelo – primeiro com os motores elétricos, e depois com o motor a combustão atuando junto para mover o eixo dianteiro. Em velocidade de cruzeiro, quando mais vantajoso, só o motor a combustão atua, com acoplamento direto.

O Jetour tenta priorizar ao máximo o uso elétrico na cidade para poupar gasolina, mas o problema é que, diferentemente do Jaecoo 7, o S06 não usa o motor a combustão de modo tão imperceptível: ele fica trabalhando mais tempo como gerador em rotações que me incomodaram mais, talvez pelo pior acabamento.
Não gostei, também, do computador de bordo. Rodando no modo 100% elétrico, o Jetour S06 se recusa a mostrar o consumo real em kWh/100 km, e exibe só o equivalente em litros por 100 km. Mas pudemos aferir, depois de muitas contas, cerca de 5 km/kWh, um resultado razoável, como na maioria dos PHEV usando apenas eletricidade.

Em nossos testes urbanos, após esgotar a bateria até seu limite de operação EV e o carro passar a atuar como HEV, a média de consumo do Jetour S06 ficou entre 17,5 km/l e 18,5 km/l – atingindo apenas em condições ideais marcas acima de 20 km/l (algo que aconteceu com mais frequência ao volante do Jaecoo 7).
Já na estrada, rodando a 120 km/h constantes, o consumo final ficou em 17,2 km/l. Nos usos mais extremos, aliviando o pé, reduzindo a 100-110 km/h e andando de forma pacata, as marcas chegaram a 19,3 km/l, e abusando do acelerador e andando bem forte, despencaram para a faixa de 11 km/l.

Ao volante
Enquanto o Jaecoo 7 foca no conforto sem ser molenga, o Jetour S06 errou a mão. A suspensão não combina em nada com o visual esportivo do carro. É excessivamente mole, fazendo o SUV balançar de modo bobo em mudanças mais rápidas de trajetória, e, ao mesmo tempo, consegue a proeza de dar pancadas secas e ruidosas ao passar por irregularidades no piso. Falta a tropicalização que os primos tiveram.
A direção sofre do mesmo mal: é leve demais no uso cotidiano, mas, quando o SUV ganha velocidade, adquire um peso artificial, mantendo um centro bobo que exige correções constantes e não transmite precisão ao condutor.

Em relação ao desempenho, os números de catálogo impressionam, mas a vida real é bem diferente. O S06 promete uma potência combinada na casa dos 315 cv, mas, abaixo de 80 km/h, você tem à disposição apenas os 204 cv do motor elétrico.
Como o sistema utiliza transmissão de apenas uma marcha, o motor a combustão só entrega sua força em retomadas acima dos 70 ou 80 km/h, quando entra em ação para tração, efetivamente.
Deste modo, na faixa de 0 a 80 km/h, mesmo no modo Sport, o carro arranca com “apenas” 204 cv, puramente no elétrico (0-100 km/h em 8 segundos). Então, para um SUV de quase duas toneladas, o desempenho abaixo de 80-90 km/h é suficiente, mas não impressiona como se esperaria ao olhar só para os 315 cv do pico de potência combinada na ficha técnica.
O pior acontece em serras ou subidas longas: se você mantiver um ritmo forte e a bateria se esgotar até o limite de segurança (cerca de 20%), o motor a combustão demora a “encher” e entregar potência máxima. Aí, ao pisar tudo a 100 km/h, na primeira reação o Jetour S06 perde fôlego drasticamente, parecendo não ter sequer 200 cavalos.
Por outro lado, se for para acelerar mais apenas pontualmente – ultrapassagens, por exemplo –, com a reserva elétrica e o trabalho conjunto dos motores, as retomadas de 80-120 km/h ou 120-150 km/h, por exemplo, são bastante vigorosas.
Outro ponto muito positivo é o Adas, que funciona bem e tem acionamento muito simples: em vez de usar o botão do volante, você pode simplesmente puxar a alavanca de câmbio para baixo mais uma vez, como se fosse um “D2”.

Afinal, o Jetour S06 vale a pena?
O Jetour S06 oferece um bom espaço e médias de consumo rodoviário boas quando conduzido com calma, mas falha em entregar o refinamento ao rodar e um acerto mais “redondo”, o que é esperado para a categoria.
Com problemas crônicos de ruídos internos precoces, uma central multimídia que dificulta tarefas simples e uma suspensão que sofre nas ruas brasileiras, fica devendo frente a alguns companheiros de plataforma, como o Jaecoo 7. Por outro lado, dá 7 anos de garantia para o carro e 8 para bateria e motores elétricos.
Se você busca um SUV chinês moderno e bem acertado nesta faixa de preço, tanto o primo da Omoda & Jaecoo quanto as opções da GWM e BYD continuam sendo, ao menos por enquanto, mais amadurecidos e recomendáveis. Os resultados de vendas comprovam: no último mês, foram emplacadas apenas 279 unidades, contra quase 3 mil do primo Jaecoo 7 (que, vale notar, tem uma versão mais simples, de R$ 180 mil).

VERSÕES E EQUIPAMENTOS
O Jetour S06 chega ao mercado importado em duas versões de acabamento: Advance e Premium. Ambas compartilham o mesmo conjunto mecânico híbrido plug-in. A diferença crucial entre elas reside no pacote tecnológico e no nível de mimos a bordo.
A versão Advance foca em um custo-benefício inicial, vindo calçada com rodas de liga leve de 18 polegadas (pneus 235/60 R18) e uma tela multimídia mais contida, de 12,8 polegadas. Ela traz painel de instrumentos digital de 9,2 polegadas, faróis Full LED, ar-condicionado automático de duas zonas, teto solar panorâmico e chave presencial.
Já a configuração Premium eleva o nível estético e funcional. Por fora, adota chamativas rodas de 20 polegadas (pneus 255/45 R20) e lanternas traseiras Full LED conectadas. Por dentro, o principal destaque é a massiva tela central touchscreen de 15,6 polegadas que concentra quase todas as funções do veículo.

Além disso, adiciona o prestigiado sistema de som premium da Sony com 9 alto-falantes, iluminação ambiente customizável em LEDs, carregador por indução de alta capacidade (50W), além de bancos dianteiros elétricos com funções de memória, aquecimento e ventilação.
A lista de segurança de série também se expande conforme a versão. Ambas trazem de fábrica o controle eletrônico de estabilidade (ESC), assistente de partida em rampa (HHC) e controle de descida (HDC).
No entanto, a versão Premium adiciona um robusto pacote de assistência à condução (Adas), com piloto automático adaptativo (ACC), frenagem automática de emergência (AEB), assistente de manutenção de faixa (LKA), alertas de colisão frontal (FCW) e traseiro (RCW), monitor de ponto cego (BSD), assistente de tráfego (TJA) e câmeras 540° (que inclui a função de “capô invisível”).

FICHA TÉCNICA
Jetour S06
Preço básico: R$ 199.900 (Advance)
Carro avaliado: R$ 229.900 (Premium)
Motor: híbrido plug-in (dianteiro, transversal, síncrono e 1.5 Turbo DOHC) Cilindrada: 1.499 cm³ Combustível: gasolina / eletricidade Potência: 135 cv (combustão) e 204 cv (elétrico) = 315 cv (máxima combinada) Torque: 200 Nm a 2.500 rpm / 310 Nm (elétrico) Câmbio: automático DHT Direção: assistência elétrica Suspensão: McPherson (dianteira) e multibraço (traseira) Freios: discos com regeneração de energia Tração: dianteira
Dimensões: 4,616 m de comprimento, 1,910 m de largura e 1,690 m de altura Entre-eixos: 2,720 m Pneus: 235/60 R18 (Advance) / 255/45 R20 (Premium) Porta-malas: 416 a 907 litros Tanque: 60 litros Bateria: 19,43 kWh Peso: 1.746 kg a 1.807 kg 0-100 km/h: 7,8 segundos Velocidade máxima: 180 km/h Consumo cidade: 14,6 km/l (Inmetro) – 18,0 km/l (teste MS) Consumo estrada: 12,6 km/l (Inmetro) – 17,2 km/l (teste MS) Autonomia elétrica (Inmetro): 70 km
NOTA GERAL: 8,0







































