Avaliação: Kia Stinger é potência em estado bruto (e exclusividade garantida)

Avaliação Kia Stinger
Roberto Assunção

 

O Kia Stinger é um carro único, principalmente para uma marca generalista. Afinal, não é todo dia que você vê por aí um automóvel de quase cinco metros de comprimento, equipado com um motor seis-cilindros biturbo de 370 cv, com uma carroceria bem desenhada e capaz de chamar muita atenção no trânsito… sem que tudo isso esteja acompanhado do logotipo de uma marca premium. Mas ele existe. E, aqui e no exterior, o sedã esportivo não é exatamente um carro barato. Rivaliza em preço com o Mercedes-Benz Classe E 250 Avantgarde (R$ 331.900) e o híbrido plug-in BMW 530e M Sport (R$ 354.950). Mas traz uma imbatível combinação de cavalos por R$ 349.990.

Apesar do preço de sedã executivo alemão, o Kia Stinger tem 4,830 m de comprimento e é cerca de 10 cm mais curto do que os seus concorrentes. Mas, mesmo assim, não fica devendo em conforto. Com 2,905 m de entre-eixos, sobra espaço para as pernas. Além das saídas de ar exclusivas com regulagem de temperatura, seus assentos traseiros tem uma inclinação que imita a posição esportiva dos bancos dianteiros. O som premium, com 15 alto-falantes, é da Harman Kardon, a mesma marca usada nos BMW.

Na lista de equipamentos, o Kia Stinger traz, ainda, bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento e refrigeração, volante aquecido, chave presencial, faróis de LED, head-up display, sistema multimídia com tela de 8 polegadas, teto solar, ar-condicionado digital de duas zonas, carregador de celular por indução e um pacote tecnológico que inclui alguns sistemas de auxílio ao motorista avançados, como alerta de tráfego cruzado traseiro e monitor de pontos cegos (com indicação nos retrovisores e também na projeção no para-brisa). É uma pena que o carro vendido no Brasil não tenha o controlador automático de velocidade adaptativo (ACC), que foi substituído aqui por um do tipo comum.

Apesar do irretocável visual externo do Kia Stinger, com rodas aro 19 e escapes com saída dupla, os primeiros pecados do Stinger começam dentro da cabine, que combina erros e acertos. Embora não faltem materiais macios, os bancos de couro sejam confortáveis e o teto e as colunas tenham forração em Alcantara, o visual não parece de um carro de R$ 350 mil.

Seu volante lembra o do SUV Sportage, o desenho do painel não é dos mais originais (com as saídas de ar centrais que lembram os Mercedes-Benz) e a pintura prateada brilhante dos controles do som desagrada. Assim como os simplórios porta-objetos nas portas, com plástico fino e sem forração de carpete. E esqueça a iluminação decorativa com LEDs de cor variável, como em outros premium. Já a central multimídia, embora com Android Auto e Apple CarPlay, fica distante do motorista e tem gráficos simples.

Mecanicamente, o Kia Stinger é quase impecável. O motor V6 biturbo de 370 cv tem força e potência de sobra. São ao menos 100 cv a mais que nos concorrentes da mesma faixa de preços. Embora merecesse um câmbio de dupla embreagem no lugar do automático de oito marchas, que é lento nas trocas, os mais de 50 kgfm de torque a 1.300 rpm ajudam a compensar essa característica.

Como o Kia Stinger é dotado de controle eletrônico de largada, não é difícil grudar as costas nos bancos a cada acelerada: o sedã vai de 0-100 km/h em 4,9 segundos e chega a 270 km/h. Dotado de tração integral e suspensão adaptativa, o Stinger faz curvas de maneira muito estável e os freios (da italiana Brembo) tem funcionamento muito suave e, ao mesmo tempo, bem eficiente.

No geral, o conjunto mecânico do Kia Stinger é capaz de arrancar sorrisos a cada acelerada. E faz o carro parecer menor e mais leve do que sugerem os seus porte generosos e os 1.900 kg de peso. A minha crítica vai para o acerto dos cinco modos de condução (Smart, Eco, Comfort, Sport e Custom). Embora a direção permaneça direta e rápida em todos eles, as respostas do motor e câmbio ficam muito lentas nos acertos mais mansos, enquanto no mais extremo Sport fica abaixo do comportamento nervoso que se espera quando se usa este termo.

Não faria mal se o Kia Stinger fizesse como os Mercedes-AMG e criasse um degrau acima do Sport (normalmente Sport+). Outra ressalva, embora perdoável para um esportivo, está no consumo de combustível: 6,6 km/l na cidade e 9,2 km/l na estrada. Neste ponto, faz falta um sistema start-stop ou até mesmo a banguela eletrônica, recurso que desacopla o câmbio em velocidades de cruzeiro e ajuda a melhorar a eficiência.

Como eu disse no começo do texto, a principal vantagem do Kia Stinger é trazer um conjunto mecânico potente e extremamente bem afinado, que, em termos de prazer ao dirigir, até supera em alguns pontos os concorrentes posicionados na mesma faixa de preços. Mas o candidato a proprietário precisa estar disposto a perdoar alguns dos seus pecados, como a relativa falta de luxos e o tímido pacote tecnológico. Sem dúvida nenhuma, este é um sedã esportivo feito para quem aprecia a potência em seu estado bruto.

Ficha técnica:

Kia Stinger

Preço básico: R$ 799.990
Preço avaliado:
R$ 799.990
Motor:
seis cilindros em V, 3.3, 24V, comando variável, biturbo, injeção Direta Cilindrada: 3342 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 370 cv a 6.000 rpm
Torque: 78,5 kgfm de 1.960 a 4.500 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: integra
Dimensões: 4,83 m (c), 1,87 m (l), 1,40 m (a)
Entre-eixos: 2,91 m Pneus: 225/40 R19 (dianteiros) e 255/35 R19 (traseiros)
Porta-malas: 406 litros (1.114 litros com assentos rebatidos)
Tanque: 60 litros
Peso: 1.894 0-100
km/h: 4s9
Velocidade máxima: 270 km/h
Consumo cidade: 6,6 km/l
Consumo estrada: 9,2 km/l
Emissão de co2: 269g/km*
Nota do Inmetro: D
Classificação na categoria: E (Extra Grande)