Avaliação: Lexus CT200h é alternativa de luxo ao Toyota Prius

Em um país quase sem infraestrutura para carros elétricos, os híbridos podem ser uma melhor opção. Gastam pouco na cidade e na estrada não há “angústia de autonomia”. Mas esse novo Lexus CT200h não é tão novo assim...

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Carros elétricos são fascinantes, e já podem ser usados no cotidiano urbano, em algumas estradas ou até na ida à praia, se lá você também instalar seu carregador ou tiver uma tomada ao alcance. Mas se você não quer limites, híbridos são uma alternativa ainda mais viável: podem ser abastecidos em qualquer posto, de maneira rápida, e não fazem o motorista sofrer da famosa “angústia de autonomia” – o medo de ficar sem carga e sem ter onde carregar. Ainda assim, a cidade é seu melhor ambiente, pois na estrada gastam o mesmo ou até mais do que carros “normais” equivalentes. No Brasil, ainda há poucas opções no mercado: Ford Fusion, Porsche Cayenne e Panamera, Volvo XC90 e Toyota Prius, além desse “novo” Lexus CT200h, que chega por R$ 135.750 (Eco) e R$ 153.300 (Sport avaliado).

O CT200h nada mais é que a versão de luxo do Prius, híbrido pioneiro, que chegou ainda no século passado (1997). O Lexus nasceu em 2010 da terceira geração do Toyota – que agora já mudou de novo, inclusive de plataforma, enquanto o Lexus fez apenas (mais uma) plástica para esconder a idade. O CT200h não mudou de geração porque é, na verdade, um morto-vivo: seria “substituído” pelo SUV UX este ano, mas após o dieselgate o interesse por híbridos na Europa cresceu, e a marca decidiu manter o CT como opção. Fez um face-lift que até rejuvenesceu bem o “Creative Touring” (“perua criativa”, que mais parece um hatch alongado).

Mas é só entrar na cabine que o CT200h entrega sua idade. Há uma nova central multimídia, mas o tradicional (velho) “joystick” que a controla é irritante. Além disso, botões do console, displays, freio de estacionamento acionado com o pé e a animação do esquema híbrido no cluster parecem vindos dos anos 1980. O porta-malas pequeno (375 litros) é outra consequência da idade já bastante avançada do seu projeto.

Ao volante de híbridos, a diversão é gastar pouco, então o modo Sport – que mostra conta-giros no lugar do “econômetro” – não faz sentido. Usa o motor elétrico de 82 cv como um “turbo” para o 1.8 de 99 cv (mas ele pode trabalhar sozinho também). Os 136 cv garantem bom desempenho, próximo de um 1.6 flex, mas o som do motor vem em descompasso com a entrega de torque… esse híbrido não é para isso (e as suspensões exageram na firmeza, também considerando sua proposta). Os modos Normal e Eco fazem mais sentido, usando ao máximo o motor elétrico. Na cidade, o “B” do câmbio aumenta o freio motor para carregar mais a bateria – chegando a marcas de mais de 20 km/l durante nossa avaliação. Na estrada, porém, não passamos de 16 km/l a 120 km/h e de 19 km/l a 80 km/h, e notamos que as respostas são um tanto lentas (nas ultrapassagens, por exemplo).

Uma geração adiante em termos de plataforma, o Toyota Prius tem a mesma mecânica, mas é mais moderno, mais eficiente e mais espaçoso que o Lexus, além de mais barato. Mas o design espanta a clientela

Então, apesar de o CT200h ser o “primo rico”, não evoluiu. O Prius ficou mais eficiente (faz 18,9 e 17 km/l, cidade e estrada respectivamente, contra 15,7 e 14,2 do CT), com centro de gravidade mais baixo e melhor de guiar… e ainda por cima é mais em conta (R$ 126.600). Ao menos o Lexus CT tem um design que agrada quase a todos, enquanto do Prius poucos gostam. Mas não é o suficiente. Os híbridos são a alternativa viável, mas há opções melhores no mercado.


Ficha técnica:

Lexus CT200h Sport

Preço básico: R$ 135.750
Carro avaliado: R$ 153.300 (sem pintura)
Motor: gasolina, 4 cilindros em linha 1.8, 16V, duplo comando continuamente variável + elétrico
Cilindrada: 1797 cm³
Combustível: gasolina+eletricidade
Potência: 99 cv a 5.200 rpm+82 cv (potência combinada: 136 cv)
Torque: 14,5 kgfm de 2.800 a 4.400 rpm+21 kgfm
Câmbio: automático continuamente variável (CVT)
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e duplo triângulo (t)
Freios: disco ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,540 m (c), 1,760 m (l), 1,470 m (a)
Entre-eixos: 2,700 m
Pneus: 205/55 R16
Porta-malas: 375 litros
Tanque: 45 litros
Peso: 1.465 kg
0-100 km/h: 10s5 (medição MOTOR SHOW)
Velocidade máxima: 165 km/h (estimada)
Consumo cidade: 15,7 km/l
Consumo estrada: 14,2 km/l
Emissão de CO²: 87 g/km
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (Médio)

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