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Antes de o GLA existir, a primeira experiência da Mercedes-Benz com SUVs “compactos” não foi feliz. O GLK, antecessor do GLC, foi até chamado aqui na MOTOR SHOW de “pato”: queria fazer tudo – nadar, andar, voar –, mas não conseguia fazer nada direito. Queria ser familiar, off-road e esportivo, mas pisava na bola em várias pontos, além de ter um design controverso, quadrado, que o fazia grande por fora e pequeno por dentro.

Na linha 2016, estreou esse GLC, seu sucessor. Do GLK, pouco restou. Com nova nomenclatura e baseado na nova geração do Classe C, ganhou novo projeto, com mais de 10 centímetros extras no comprimento e na distância entre-eixos. Resultado: enfim o SUV do Classe C conseguia ser bom como ele na maioria das coisas, mas com versatilidade extra e capacidade off-road (a tração integral foca em performance, principalmente nesse AMG, com distribuição de tração “padrão” priorizando o eixo traseiro – mas, se preciso, ajuda).

Somando-se à versão 250, com motor 4 cilindros, esse passa a ser o único GLC da Mercedes-AMG no Brasil. E, na verdade, ninguém precisa de mais do que ele entrega. O brutal 6 cilindros biturbo de 354 cv e 53 kgfm acoplado a um bom câmbio de nove marchas não decepciona, com turbo lag inexistente e 0-100 em 4,9 segundos. As trocas de marcha vêm com pipocos e trancos no modo Sport+, são suaves e confortáveis no Comfort, e precoces no Eco (quando faz “banguela” para superar 10 km/l na estrada; razoável). A 120 km/h, segue a 2.000 rpm, com o ruído grave do motor presente, algo desejado em um esportivo, mas com muito barulho de vento – parece que vinha dos retrovisores e do teto panorâmico duplo.

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As suspensões a ar fazem um trabalho impressionante, estejam no modo macio, contendo (quase totalmente) ruídos e impactos nas rodas aro 21, ou enrijecidas – pelo modo de condução ou pelo botão dedicado no console – para reduzir a rolagem em curvas. Combinadas à direção bem calibrada com relação variável, a sensação é de controle total da carroceria e muita agilidade, de estar em um carro menor – e que, se não tem a dinâmica do Classe C, chega bem perto. Pena que os freios são borrachudos: é preciso pisar com convicção (na cidade, têm a ótima função auto hold acionada ao pisar mais forte no pedal).

No mais, a cabine tem um acabamento bem acima da média, com iluminação por LEDs e muito bem equipada – o volante com ajuste elétrico se move para ajudar a entrar e sair etc. Porém, tanto o cluster tradicional quanto a central multimídia, que nunca foi tão boa assim, “envelheceram” instantaneamente com a chegada do Classe A e seu novo sistema MBux (leia aqui) – que deve chegar ao Classe C e a esse SUV em breve.

Já as câmeras 3600 não são nada inovadoras, mas compensam parcialmente a péssima visibilidade causada pela coluna larga e pelos retrovisores pequenos (cairia bem um alerta de ponto cego). E o assistente de estacionamento procura vaga sem você precisar pedir, mas raspou a roda em um dos testes. Por R$ 390.900, esse novo GLC 43 não é caro: são só R$ 4 mil a mais do que custa o sedã C 43. É apenas questão de preferência: estilo da moda e versatilidade interna ou equilíbrio e dinâmica superior. Qual é a sua prioridade?


Ficha técnica:

Mercedes-AMG GLC 43 4Matic

Preço básico: R$ 390.900
Carro avaliado: R$ 390.900
Motor: 6 cilindros em V, 3.0, 24V, biturbo, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 2996 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 367 cv de 5500 a 6.000 rpm
Torque: 53 kgfm de 2.500 a 4.500 rpm
Câmbio: automático sequencial, nove marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: disco ventilado e perfurado (d) e disco ventilado (t)
Tração: integral
Dimensões: 4,661 m (c), 1,930 m (l), 1,627 m (a)
Entre-eixos: 2,873 m
Pneus: 255/40 R21 (d) e 285/35 R21 (t)
Porta-malas: 550 litros
Tanque: 66 litros
Peso: 1.845 kg
0-100 km/h: 4s9
Velocidade máxima: 250 km/h (limitada eletronicamente)
Consumo cidade: 6,8 km/l
Consumo estrada: 8,8 km/l
Emissão de CO²: 182 g/km
Nota do Inmetro: E
Classificação na categoria: E (SUV grande)