Avaliação: Mercedes-Benz Classe A encontra a fonte da juventude

A quarta geração do Mercedes-Benz Classe A é altamente tecnológica, tem ótimo comportamento dinâmico e conta até piada. Tudo isso para conquistar jovens... endinheirados!

Uma brincadeira invadiu as redes sociais em janeiro. Identificada com a #10YearChallenge, ela consistia em comparar fotos atuais das pessoas com as de dez anos atrás. Foi impressionante ver como o tempo promove mudanças radicais na maioria delas. E também em certos carros, como o Mercedes-Benz Classe A. Em 2009, ele ainda estava na segunda encarnação, com estilo próximo ao de uma minivan, não mais o “caixotinho” de primeira geração. Em 2019, a quarta geração estreia no Brasil na versão única A 250 Vision. Com a forma de hatch adotada na terceira “safra”, e agora mais jovem e descolado, chega de olho nos millennials. Mas eles precisam ter (muita) grana: R$ 194.900.

O preço é alto, mas o Classe A é tão moderno que até conversa com você. O sistema de inteligência artificial do MBUX (Mercedes-Benz User Expericence, nome chique da central multimídia e de controle) tem uma espécie de Siri, da Apple/Assistente do Google, que responde a inúmeros comandos por voz. Basta dizer “Olá”, “Oi” ou “E Aí” seguidas por “Mercedes”, e ele ganha vida por meio de uma tela de 10,25” acoplada ao cluster. Dá para abrir a persiana do teto, trocar de rádio, aumentar o som, controlar a temperatura do ar-condicionado, acessar informações do motor… Se você falar “Olá, Mercedes… conte uma piada”, até vai fazer você rir.

Importado da Alemanha, o hatch tem motor 2.0 turbo, câmbio de dupla embreagem e um valor que é bastante próximo ao dos rivais BMW Série 1 e Audi A3 igualmente equipados. Já o Golf GTI pode colocar uma pulga atrás da orelha dos potenciais compradores, pois, equiparado a eles, custa cerca de R$ 160.000.

O Mercedes, no entanto, traz mais status – que se “materializa” assim que se olha para ele. A estrela cravada na generosa grade dianteira está mais recuada e agora traz uma lâmina prateada. A linguagem estética estreou no CLS, com faróis mais alongados e nova assinatura das luzes diurnas. De perfil, os bojudos para-lamas abrigam as lindas rodas aro 18 em forma de estrela, com cinco raios. Atrás, o hatch parece até mais largo do que é, devido às lanternas mais expandidas. É um carro que chama atenção.

O hatch também ficou um pouco maior. A nova plataforma da marca para carros compactos de tração dianteira (MFA2) o deixou 13 cm mais longo (4,42 m) e com entre-eixos de 2,73 m (3 cm a mais). A última medida abriu espaço na parte traseira da cabine, um dos pontos fracos de outrora. Porém, só duas pessoas acomodam as pernas e cabeças ali com conforto. O quinto ocupante sofre um pouco com o túnel central bastante elevado. Já o porta-malas foi de 341 para 370 litros.

Mas nesse A 250 Vision o negócio é mesmo acelerar. Seu quatro cilindros 2.0 tem 13 cv a mais – são 224 no total. O torque é o mesmo de antes: 35,7 kgfm. Com tração dianteira e transmissão automatizada de dupla embreagem e sete marchas, o hatch tem comportamento interessante. Quando o acelerador é pressionado de forma incisiva, responde com vontade. Seu torque máximo está disponível a 1.800 rpm, fazendo o Classe A ganhar velocidade rapidamente, enquanto o câmbio faz trocas rápidas e imperceptíveis.

Já a convivências com o Classe A é serena. As suspensões independentes nas quatro rodas deixam o modelo bastante confortável, agora com ajuste mais macio (e 15 mm mais alto para encarar o asfalto tupiniquim). A direção, porém, é demasiadamente leve: boa para manobras, mas nem tanto em uma tocada mais entusiasmada. A “questão” é resolvida no modo Sport. O peso fica certeiro e o Mercedes fica mais arredio, com trocas em giros mais elevados, evidenciando seu caráter esportivo (há opção de usar aletas ou alavanca). 0 a 100 km/h? Na casa dos 6 segundos.

E se design e dirigibilidade não forem suficientes para fazer você comprar esse A 250 Vision, o interior pode convencer. Além da já citada central MBUX, que merece um texto à parte (a “destrichamos” na edição de junho passado), o painel de instrumentos é um show, com muita personalização. O volante é outra novidade interessante. Com boa pegada, incorpora muitos botões e dois mini-touchpads que controlam quase tudo do carro.

Já o acabamento interno é esmerado, com materiais de qualidade e detalhes que imitam fibra de carbono. A cabine pode ser bege ou preta. Dois itens de ergonomia nos incomodaram: a posição dos ajustes dos bancos elétricos (na porta e não nos bancos – um clássico dos Mercedes) e a alavanca de câmbio (acoplada ao volante e não no lugar “convencional”). Falta um ar-condicionado bizone e a chave presencial curiosamente dá partida, mas não abre a porta. Por outro lado, há sete airbags, pneus run flat (rodam furados) e teto panorâmico, além de sistemas semiautônomos, como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem de emergência e estacionamento automático (park assist). Agora só falta falar. #sqn (só que não).


Ficha técnica:

Mercedes-Benz A 250 Vision

Preço básico: R$ 194.900
Carro avaliado: R$ 194.900
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1.991 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 224 cv a 5.800 rpm
Torque: 35,7 kgfm a 1.800 rpm
Câmbio: automatizado, sete marchas, dupla embreagem
Suspensões: MacPherson (d) Multilink (t)
Freios: discos ventilados (d) discos sólidos (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,419 m (c), 1,992 m (l), 1,440 m (a)
Entre-eixos: 2,729 m
Pneus: 225/45 R18
Porta-malas: 370 litros
Tanque: 43 litros
Peso: 1.445 kg
0-100 km/h: 6,2 s
Velocidade máxima: 250 km/h
Consumo cidade: 10,5 km/l
Consumo estrada: 14,6 km/l
Emissão de CO²: 112 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: B (grande)

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