Avaliação: Mercedes-Benz EQA, o GLA elétrico que chega ao Brasil em breve

Versão de emissão zero do GLA, o Mercedes-Benz EQA é a porta de entrada para o mundo dos SUVs elétricos da marca. Bem construído e apurado tecnologicamente, só decepcionou pelo consumo alto

Mercedes-Benz EQA
Mercedes-Benz EQA

Para falar do Mercedes-Benz EQA, é preciso voltar um pouco no tempo. Em 1997, a estreia do Classe A serviu para democratizar uma marca que até então estava inabalavelmente ligada a carros de alto luxo e de grande porte. Funcionou: ele expandiu a clientela da Mercedes imediatamente. Trazendo o mesmo conceito para os dias atuais, o desafio é semelhante, mas com conotações um tanto diferentes. Não é mais só uma questão de aparência, tamanho e praticidade, mas de algo bem mais importante: está em jogo a mais complexa mudança de paradigma já enfrentada pela indústria automotiva: o abandono progressivo do motor a combustão em favor da propulsão elétrica.

Neste delicado e longo período de transição, em que os modelos a gasolina e diferentes tipos de híbridos terão de coexistir, o SUV médio EQA, com medidas similares às de um Jeep Compass, será a porta de entrada para o mundo de zero emissões da Mercedes – uma porta de difícil acesso, mas que vem ganhando adeptos no Brasil (o elétrico mais vendido no ano passado foi o e-tron, da rival Audi, ainda mais caro: custa mais de R$ 500 mil, enquanto este EQA chega no começo do ano que vem com um preço estimado entre R$ 400 e 450 mil).

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Mercedes-Benz EQA

Diferentemente de muitos elétricos, o EQA não foi desenvolvido com plataforma própria. Tem a conhecida MFA, do irmão a combustão Mercedes-Benz GLA (leia aqui a avaliação) – preparada para acomodar, com ajustes, motor elétrico e bateria. Então, com uma silhueta idêntica, o design teve que trabalhar nos detalhes para diferenciar estes dois mundos. Como acontece na grade inteiriça, sem tomadas de ar, pois a mecânica elétrica não precisa delas. A estrela de três pontas é gigante, e cercada por um perfil de LED branco que une os faróis. Também um LED, mas vermelho, diferencia a traseira.

No exterior, o EQA se diferencia do GLA pelos conjuntos ópticos com LEDs elegantes, que conferem a ele uma assinatura luminosa muito particular, graças às duas lâminas de luz que ligam os faróis (e também as laternas). Abaixo, o logotipo da Mercedes-Benz, que é projetado no solo em 3D

Por outro lado, a cabine, requintada e de qualidade, com muito estilo e tecnologia, não muda. As duas telas de 10,3”, do quadro de instrumentos e do multimídia, as elegantes saídas de ar tipo turbina e as linhas limpas tornam o interior acolhedor como uma sala de estar. Mas o espaço no Mercedes-Benz EQA é o mesmo do GLA: quatro pessoas viajam com conforto, e o acesso, graças à boa altura do solo, é bom para passageiros de todas as idades. Mas, no porta-malas, fica devendo: são apenas 340 litros, pouco mais do que em um Jeep Renegade.

Mercedes-Benz EQA
O painel é igual ao do GLA e de outros modelos da Mercedes baseados na plataforma MFA.

Quem não está acostumado com os carros da marca, também no Mercedes-Benz EQA terá que se familiarizar com o seletor de marcha onde normalmente fica o do limpador. Do mesmo modo, é preciso se acostumar com os dois pequenos touchpads no volante, que permitem navegar entre os menus e alterar os temas gráficos (são quatro). Mais prático é o touchpad no túnel central, um dos muitos modos de controlar a multifacetada central multimídia MBUX. Equipada com assistente de voz que entende até frases complexas, é rápida na transição de uma tela para outra, além de graficamente bela.

Acelere com moderação

Enquanto não chega o 4Matic, com um motor extra traseiro e 272 cv, há só o EQA 250. Como em todo elétrico, a bateria é pesada, então o motor assíncrono de 190 cv e 38,2 kgfm precisa carregar mais de duas toneladas. Assim, mesmo no modo Sport, não espere por acelerações particularmente empolgantes: são apenas razoáveis 8,2 segundos no 0-100 km/h.

Além disso, o EQA, com máxima limitada a 160 km/h, certamente não é o carro certo para atingir novos patamares no conjunto sutil de emoções que nós, os entusiastas, chamamos de prazer de dirigir. De qualquer modo, embora não seja um elétrico nascido para a diversão nas curvas, o acerto rígida das suspensões mantém sua compostura mesmo andando rápido ou em manobras de emergência. Você sempre tem que lidar com uma certa rolagem, claro, mas pode contar com uma direção boa em transmitir informações e bem integrada com o carro. Embora seja um pouco leve demais quando andamos forte, em termos de rapidez e progressividade ela não é ruim.

Mercedes-Benz EQANuances dinâmicas à parte, o Mercedes-Benz EQA prioriza o conforto. Se julgássemos este quesito em um carro considerando só a resposta das suspensões, este Mercedes não brilharia de modo particular, pois tem certa dificuldade em absorver obstáculos secos, principalmente na traseira. Mas, considerando também o aspecto acústico, o julgamento muda: a cabine está sempre bem isolada dos ruídos aerodinâmicos e do rolamento dos pneus. Graças à ausência do motor térmico e de seus decibéis, as viagens decorrem essencialmente em silêncio.

Do ponto de vista de eficiência energética, este Mercedes-Benz EQA, como todo SUV, é um pouco prejudicado pela carroceria alta, e, em seu caso específico, também pela plataforma não exclusiva para elétricos. Considerando a bateria de íons de lítio de 66,5 kWh, os 322 quilômetros de autonomia média, ou 330 quilômetros no ciclo rodoviário, não surpreendem. Uma bela ajuda, independentemente do modo de condução (Eco, Comfort, Sport e Individual), vem do sistema de assistência Eco: o carro sugere ao motorista o momento para tirar o pé do acelerador e maximizar a recuperação de energia, considerando dados de tráfego, percurso (presença de curvas, cruzamentos, rotatórias, subidas e descidas) e limites de velocidade.

Se desejar, a regeneração pode ser ajustada usando as aletas no volante (não há marchas): você pode decidir se a deixa a critério do sistema, calibrada de acordo com o carro da frente (DAuto), ou “velejar”, como se estivesse no ponto morto de um carro tradicional (D+). A partir da posição D (D- e D–), a intensidade da desaceleração aumenta significativamente, a ponto de permitir a “pilotagem com um pedal”: você faz tudo só com o acelerador. Claro que, mesmo neste último caso, você não pode se esquecer completamente dos freios. Falando neles, o pedal satisfaz pela capacidade de modulação do esforço, mas apesar de ser quase insensível à fadiga, o sistema não demonstrou muita eficácia nas distâncias de frenagem em pisos de baixa aderência.

A versão Premium inclui bancos dianteiros esportivos: suas principais regulagens (incluindo a do apoio para as pernas ajustável em comprimento) são manuais, mas o banco pode ser regulado eletricamente na região lombar. É difícil não encontrar uma posição ideal. O banco traseiro acomoda bem duas pessoas, que contam com bom espaço para os joelhos e os ombros

 

Mercedes-Benz EQA 250 Premium

Preço básico (estimado) R$ 400.000
Carro avaliado (estimado) R$ 420.000

Motor: elétrico assíncrono, dianteiro
Combustível: bateria
Potência: 190 cv
Torque: 38,2 kgfm
Câmbio: caixa redutora com relação fixa
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e multi-link (t)
Freios: disco (d) e disco ventilado (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,46 m (c), 1,83 m (l), 1,62 m (a)
Entre-eixos: 2,73 m
Pneus: 235/50 R19
Porta-malas: 340 litros
Baterias: íons de lítio, 66,5 kWh
Peso: 2.040 kg
0-100 km/h: 8s2 (teste QRT)
Velocidade máxima: 159,6 km/h (limitada)
Consumo cidade: 5 km/kWh (QRT)
Consumo estrada: C3,7 km/kWh (QRT)
Consumo médio: 5,2 km/kWh (WLTP)
Emissão de CO2: zero g/km
Consumo nota: b
Autonomia: 398 (WLTP) / 322 (QRT)
Recarga completa: 6h43 (wallbox)
Recarga: 80%: 26 min (super-rápida)

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