Avaliação: Mercedes-Benz GLB tem sete lugares e um segredo

O Mercedes-Benz GLB 200 chegou ao Brasil em duas versões oferecendo sete lugares e motor 1.3 turbo que transmite uma dirigibilidade ágil e silenciosa – com um “truque” para garantir o baixo consumo

Mercedes-Benz GLB

Com dimensões de SUV médio-grande e sete lugares, o Mercedes-Benz GLB 200 chegou ao Brasil nas opções Advance (R$ 264.900) e Progressive (R$ 290.900). Sim, começamos pelo preço, porque, vindo do México sem pagar Imposto de Importação, a novidade tem uma relação custo-benefício bem atraente, principalmente quando é comparada ao GLA 200 AMG Line (leia aqui a avaliação), de R$ 325.900, com o qual compartilha o motor e a plataforma.

Em relação a ele, o Mercedes-Benz GLB tem 22,4 cm extras no comprimento (4,634 m) e 10 cm a mais no entre-eixos (2,829 m); se comparado ao GLC (leia avaliação), ele é só 3,5 cm mais curto. Já o design externo remete ao do GLS – e também ao do descontinuado GLK –, ao passo em que o motorista dirige enxergando o capô, como acontece no Jeep Renegade.

+Avaliação: Mercedes-Benz E 300 Exclusive é a estrela do conforto
+Avaliação: Mercedes-AMG A 35 4Matic é a equação de tamanho e potência na medida certa
+Avaliação: Mercedes-Benz EQA, o GLA elétrico que chega ao Brasil em breve
+Comparativo: Volvo XC40 vs. Mercedes-Benz GLA

Falando nisso, a posição de dirigir agrada bastante, graças aos bancos frontais ajustáveis eletricamente com três memórias e à coluna de direção com ampla regulagem (porém manual) de altura e de profundidade. Os materiais do acabamento apresentam muita qualidade e as duas telas de 10” transmitem as informações do quadro de instrumentos, totalmente digital, e do sistema multimídia MBUX, que obedece a comandos de voz para ajustar a temperatura do ar-condicionado, mudar uma estação de rádio ou abrir e fechar a escotilha do teto solar panorâmico, por exemplo.

Já quem viaja atrás dispõe de um bom espaço para as pernas, joelhos e cabeça, graças à boa altura da carroceria. Para acessar os banquinhos da terceira fileira, no entanto, é necessário um pouco de contorcionismo – e lá atrás viajam apenas crianças ou adultos de baixa estatura. Nesta configuração, o volume do compartimento de bagagens passa de ótimos 500 litros para meros 130 litros.

Algumas opções de visualização do cluster: você escolhe o que ver dentro de cada instrumento e entre eles. Abaixo delas, o seletor de modos de condução e informações de uso de torque e potência, na tela central. Os comandos no console, com botões para funções do carro e um touchpad – uma opção para aos comandos, que podem ser feitos também usando a tela ou botões e touchpads no volante. O carregador de celular

Dois ou quatro cilindros

O Mercedes-Benz GLB 200 usa a mecânica 1.3 16V turbinada presente tanto no GLA e no Classe A quanto no Renault Captur 2022 (no qual é flex; leia aqui a avaliação). Estão disponíveis 163 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, mas, em outros mercados, o utilitário esportivo médio tem as opções 250 (com 221 cv e 35,7 kgfm) e AMG 35 (302 cv e 40,8 kgfm). A motorização oferecida aqui até que dá conta de mover bem os GLB, com relação peso-potência de 10 kg/cv. O desempenho é orquestrado pelo tradicional câmbio de dupla embreagem e sete marchas com opção de trocas sequenciais pelas aletas junto ao volante.

O conjunto mecânico agrada pela força em baixas rotações, porém, ao exigir mais do pedal do acelerador, aparecem trancos nas mudanças e reduções. Nada que tire o brilho do projeto. Os modos de condução Eco, Comfort, Sport e Individual alteram parâmetros do veículo como respostas do motor e câmbio ou da direção. No primeiro, ao guiar de forma comedida e em velocidade constante, é engatado o “ponto-morto” eletrônico, contribuindo para um menor gasto de gasolina. Falando nisso, o motor ainda tem um “segredo” para economizar mais: a tecnologia de desativação de cilindros, que “fecha” dois dos quatro cilindros em uma condução mais pacata.

Para completar, há o sistema start-stop, que desliga o motor em paradas rápidas, como nos semáforos. Com tudo isso, durante a avaliação cravamos ótimas médias urbanas, na faixa de 10 km/l – e bons 13,5 km/l na estrada.

Mudar do modo Eco para o Comfort traz pouca diferença: as reações ficam um pouco mais imediatas e a direção, ligeiramente mais firme. Já ao optar pelo modo Sport, o GLB entrega todo o seu potencial, e as mudanças de marchas são feitas em giros mais elevados para extrair mais desempenho do motor 1.3 turbo. Embora não tenha suspensões adaptativas, o sistema lida bem com nosso asfalto ruim e ainda oferece bom controle da carroceria nas curvas mais fechadas contornadas rapidamente (o conjunto traseiro é do tipo multilink).

Como se trata de um SUV para uso urbano, a tração é apenas dianteira e as rodas AMG de 19 polegadas vestem pneus com perfil 50, que contribuem para a sensação de conforto. Os freios são a disco nas quatro rodas, com acionamento progressivo do pedal. Falando de segurança, há controlador de velocidade adaptativo, alertas de pontos cegos, faróis full-LED com luzes de neblina também de LED e assistentes de manutenção em faixa e de estacionamento.

Os bancos dianteiros têm ajustes elétricos com comandos na porta (só o lombar fica no próprio banco). Na segunda fileira, muito espaço, graças também ao banco deslizante (dividido 70:30). Na terceira fileira (ao lado), viajam crianças ou adultos de baixa estatura. O porta-malas chega a 1.680 litros com as duas fileiras rebatidas, mas cai para apenas 130 quando se opta por usar os sete lugares

Embora esta primeira geração do Mercedes-Benz GLB (código X247) tenha preço sugerido de quase R$ 300 mil, este ainda é o SUV mais barato da marca da estrela de três pontas à venda no Brasil hoje. E, ainda que seja um modelo bastante agradável de conduzir, atualmente há outras opções de sete lugares a serem levadas em consideração. Uma delas é o Mitsubishi Outlander HPE-S (R$ 280.990), que traz sob o capô a mecânica a diesel 2.2 com 165 cv e tração 4×4. Ainda dá para pensar no Volkswagen Tiguan Allspace R-Line, com propulsor 2.0 turbo de empolgantes 220 cv e 35,7 kgfm de torque. E, claro, no novo nacional Jeep Commander, que está chegando ao mercado agora (leia mais aqui). Mas nenhum tem a sofisticação construtiva deste Mercedes-Benz, nem garante o mesmo status.

Mercedes-Benz GLB 200 Progressive

Preço básico R$ 264.900
Carro avaliado R$ 290.900

Motor: quatro cilindros em linha 1.3, 16V, duplo comando variável, injeção direta, turbo, desativação de cilindros
Cilindrada: 1332 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 163 cv a 5.500 rpm
Torque: 25,5 kgfm de 1.620 a 4.000 rpm
Câmbio: automatizado, dupla embreagem, sete marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados (d) e discos sólidos (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,634 m (c), 1,834 m (l), 1,658 m (a)
Entre-eixos: 2,829 m
Pneus: 235/50 R19
Porta-malas: 500 litros (cinco lugares), 130 litros (sete lugares) e 1.680 litros (dois lugares)
Tanque: 52 litros
Peso: 1.630 kg
0-100 km/h: 9s1
Velocidade máxima: 207 km/h
Consumo cidade:C 10,1 km/l
Consumo estrada: 11,7 km/l
Emissão de CO2 125g/km
Consumo nota b
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: B (Extra Grande)

MAIS NA MOTOR SHOW:

+Prepare o bolso: IPVA deve ficar mais caro com valorização de novos e usados
+Segredo: os novos SUVs compactos da Volvo e da Smart
+Avaliação: Fiat Argo 1.0 S-Design é ótimo popular-chic, mas vale a pena?
+Avaliação: Audi RS 6 Avant, a perua milionária que nos faz perder o juízo
+Qual é a melhor versão do Jeep Compass 2022?
+Comparativo: Volvo XC40 vs. Mercedes-Benz GLA
+Teste de consumo: Corolla Cross Hybrid vs. Corolla Cross 2.0
+Avaliação: Jeep Compass Sport 2022 e a relação custo-benefício
+Avaliação: Honda CR-V 2021 muda visualmente e nos conteúdos, mas faltou ser híbrido
+Avaliação: Volkswagen ID.4 é o Taos do futuro (e já chegou)