Avaliação: Mini Countryman é inglês com sotaque alemão

A nova geração do Mini Countryman tomou fermento e cresceu. Agora maior, oferece mais espaço na cabine. A dirigibilidade segue como outro ponto alto

Bem mudado, o Mini Countryman estreou dimensões maiores, novos motores e conteúdos. Ao adotar a plataforma modular UKL (do BMW Série 2 Active Tourer e do Mini Clubman, por exemplo), passou a ter 4,299 m de comprimento, 1,822 m de largura, 1,557 m de altura e 2,670 m de entre-eixos. Só para comparar, no antigo eram 4,097 m, 1,789 m, 1,544 m e 2,595 m, respectivamente. Esse novo corpinho garantiu mais conforto interno. E a boa cabine ficou ainda melhor. Aliás, quem viaja atrás dispõe de bom espaço para pernas, joelhos e ombros. Além disso, o porta-malas foi de 350 para 450 litros – maior que o do Clubman (360 litros).

O Countryman foi o primeiro carro de quatro portas do fabricante e também o primeiro dotado de tração integral (lançado no Salão de Genebra, na Suíça, em 2010). São duas opções de blocos turbinados. A versão Cooper (R$ 144.950) traz um tricilíndrico 1.5 associado a um câmbio automático de seis marchas, oferecendo 136 cv e 22,4 kgfm de torque. Sob o capô das versões Cooper S (R$ 164.950) e Cooper S All4 (R$ 189.950) está o empolgante motor 4 cilindros 2.0 de 192 cv de potência e 28,5 kgfm. Em ambos, o câmbio é automático de oito velocidades. E quem quiser mais emoção pode esperar pela variante esportiva John Cooper Works (JCW), que chega só em 2018.

A dirigibilidade é a típica dos carros da Mini, entretanto a filosofia Go Kart Feeling é menor no Countryman, se comparada aos irmãos Hatch e Cabrio. Mesmo assim, ao volante do Countryman Cooper S All4 aparecem reações rápidas, com respostas de prontidão ajudadas tanto pelo torque disponível em ampla faixa de giro quanto pelo mínimo turbo lag (atraso antes de o turbocompressor encher). A caixa automática tem um funcionamento rápido nas trocas e nas reduções, e as trocas sequenciais podem ser feitas pelas borboletas atrás do volante ou na própria alavanca. As respostas diretas da direção e o baixo ruído interno também agradam. Os modos de condução Green, Mid e Sport alteram os parâmetros do motor, da transmissão, da direção e dos amortecedores – que se enrijecem no último deles.

A suspensão está mais amigável, comparada à do modelo antecessor. O conjunto copia e filtra bem as imperfeições do caminho, porém, ainda oferece pouco curso e, dependendo das irregularidades do piso, “bate seco”. As grandes rodas de aro 19, vestidas com pneus run flat, prejudicam o conforto. O Countryman pode ser altinho, mas é bom de curva, transmitindo muito controle e estabilidade, com pouca inclinação de carroceria. O diferencial da Cooper S All4 é a tração integral, que pode enviar 45% da força para o eixo dianteiro e 55% para o de trás. Segundo a Mini, o sistema é voltado para o desempenho. Portanto, não pense que esse crossover é um fora-de-estrada. No máximo, o Countryman encara uma estrada de terra. Podemos dizer que essa nova geração do Countryman está “mais BMW do que nunca”. Um carro que dá gosto de dirigir. Aí fica uma dúvida: comprá-lo ou escolher a peruinha Clubman? Vai depender de seu gosto e de sua necessidade.


Ficha técnica:

Mini Countryman Cooper S All4

Preço básico (AT): R$ 144.950
Carro avaliado: R$ 189.950
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, turbo, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 1998 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 192 cv de 5.000 a 6.000 rpm
Torque: 28,5 kgfm de 1.350 a 4.600 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: integral
Dimensões: 4,299m (c), 1,822 m (l), 1,557 m (a)
Entre-eixos: 2,670 m
Pneus: 225/45 R19
Porta-malas: 450 litros
Tanque: 61 litros
Peso: 1.530 kg
0-100 km/h: 7s2
Vel. máxima: 222 km/h
Consumo: não divulgado
Emissão de CO2: sem dades
Nota do Inmetro: não participa