Você sabia que tudo aquilo que é caro no veículo fica escondido? O automóvel é como a antítese do marketing, “escondendo” seus verdadeiros valores. Veja só: motor, câmbio, suspensões e freios, parte elétrica e eletrônica, sensores… tudo aquilo que agrega custo fica escondidinho, desafiando os marketeiros de plantão. E pensando dessa maneira, a Nissan acertou em cheio com o novo Kait que, na verdade, é o velho e bom Kicks na configuração de entrada, que até então se chamava Play. 

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Nissan Kait 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Kait: renascimento do Kicks Play

Ora, mas não tem o Novo Kicks? Tem, mas a versão antiga (e que ainda pode ser encontrada em algum final de estoque com o nome de Kicks Play) ainda era “mecanicamente” competitiva, mas, com design cansado, não iria conseguir fazer frente aos novos concorrentes como Renault Kardian, Volkswagen Tera ou até o próprio Fiat Pulse, sem grandes alterações desde seu lançamento.  

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E aqui está a grande cartada da Nissan, “repaginando” o Kicks velho, fazendo nascer o Kait novo. E essa estratégia tem tudo pra funcionar, porque o design continua sendo um dos pilares mais importantes na decisão de compra de um veículo. E aí, para grande maioria, o Kait é realmente novo. E para outro tanto, bonito.  

Nissan Kait 2026 - Foto: Lucca Mendonça
Nissan Kait 2026 – Foto: Lucca Mendonça

Baseado na plataforma e praticamente em toda a mecânica do Kicks antigo, a Nissan economizou um bom punhado em desenvolvimento de novos componentes e conseguiu, com isso, uma relação custo X benefício bem legal no Kait. Ele começa em menos de R$ 119 mil na versão de entrada, chegando próximo de R$ 153 mil na Exclusive topo de linha, avaliada pela MOTOR SHOW. Na ponta do lápis, ele pode ser bem interessante, caso você não seja o nerd dos carros ou nem precise de mimos tecnológicos.  

Nissan Kait 2026 - Foto: divulgação
Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

Que carro lindo, moça!

Eu já fui dona de um Nissan Kicks. E gostei. Não me apaixonei, mas gostei, já que ele entregava o que eu precisava. Vejo o Kait assim, funcional. Seu porta-malas comporta 432 litros, e o coloca em destaque frente aos concorrentes (Pulse com 370, Kardian com 410 e Tera com 350). O motor 1.6 aspirado tem até 113 cv, nada brilhante se comparado à performance dos concorrentes turbinadinhos, mas que faz ele andar bem. Sofre apenas nas subidas ou quando carregado.  

Nissan Kait 2027 - Foto: divulgação
Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

Nessas horas, o câmbio automático CVT eleva as rotações do motor, causando um certo desconforto com o ruído a bordo, mas nada grave. Era comum antes, no Kicks Play, e é ok agora também no Kait. Um conjunto que não empolga, mas que tem fama de confiável e pode salvar o proprietário numa manutenção mais barata, se comparada a dos rivais, turbinados, com injeção direta ou até câmbio de dupla embreagem.  

Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

Chegando no posto de combustível, o frentista já soltou na hora: “Que carro lindo, moça”. O design ficou bem legal mesmo, distante do desenho do Kicks Play. O Kait, nessa ótica, é sim um carro novo. E bonito, ainda que por dentro o “peso dos anos” e a herança do Kicks antigo acena. Isso é compensado, em partes, com algumas soluções bem legais: materiais macios, por exemplo, são vistos em partes da lateral de porta e também em outros pontos do painel, principalmente onde as mãos tocam. Onde quase não apertamos, sentimos ou mexemos, é plástico duro mesmo.  

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Custo X benefício

A plataforma, concepção das suspensões, freios e arquitetura elétrica são do Kicks velho. Ele ganhou apenas um novo eixo traseiro, para esquecer alguns casos de trinca do componente no seu antecessor. Mas, não espere “flutuar” nas nuvens ou encontrar um prazer ao dirigir inigualável. Sim, as suspensões podem ser duras e ruidosas na buraqueira, o volante é mais “pesado” do que gostaríamos e até o barulho quando “fechamos” as portas não remonta ao um carro moderno. Mas, repito: está tudo bem.  

Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

O segmento dos SUVS de entrada é o que mais cresce e para isso, ele tem que ter preço. E para ter preço, um pouquinho de ruído, uma suspensão mais durinha, uma central multimídia mais lenta (mas que tem, pelo menos, Android Auto e Apple Car Play sem fio) fazem parte. O Kait não é um carro novo do ponto de vista de projeto, embora ele seja um carro atraente quando falamos de novidade e design.  

Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

Maior e bonito

Ele tem importantes atributos para a grande maioria dos consumidores. Não é um esportivo, um sedan luxuoso ou um 4×4 que, em teoria, revelam clientes mais exigentes, daqueles que sabem a ficha técnica de cabeça. O preço é seu maior aliado, mas não é só: ele tem uma impressão de tamanho bem interessante, e parece ser maior do que de fato é (4,3 m de comprimento, 1,76 m de largura e 1,61 m de altura). Supera, também, os já citados arquirrivais da VW, Renault e Fiat, na fita métrica. 

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Para quem dirige, é até um charme olhar os “músculos” das extremidades do capô: parece que estamos ao volante de um super SUV. Ainda, a sensação de espaço interno é boa (e ele é espaçoso mesmo), os botões são todos físicos (nada de touch ou escondidos na multimídia), e as janelas são grandes, tornando a vida mais fácil. O painel de instrumentos, embora completo, não é dos mais vistosos: é digital, mas com layout mais simples que o dos rivais.  

Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

Tem o que precisa

Não se anime com mimos de carros modernos, com borboletas atrás do volante, seletor de modos de condução, marchas para escolher manualmente… O Kait não tem nada disso. É bonito, funcional e sem frescuras. Daqueles carros feito com pesquisas, oferecendo o que a grande maioria dos clientes procura, sem “mimimi” tecnológico, embora com um bom patamar de itens de condução semiautônoma: essa versão Exclusive oferece piloto automático adaptativo (ACC), alerta de saída de faixa ativo, monitores de ponto-cego, e frenagem autônoma de emergência, por exemplo. Faróis e lanternas são em LED, o ar-condicionado é digital automático, e as rodas aro 17, diamantadas.

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Kait: além do produto, a estratégia

Kait nos dá oportunidade de ir além da avaliação dele como produto. Ele é uma grande sacada de mercado da Nissan, num momento importante da marca no Brasil, com renovação de portfólio, fortalecimento de concessionárias e busca por uma fatia maior de mercado. Especialmente com uma concorrência cada vez mais forte. 

Nissan Kait 2026 – Foto: divulgação

Ele não é eletrificado, não é sinônimo de performance de motor ou de dirigibilidade, mas tem atributos bons na “tabelinha” das pesquisas: é bonito, espaçoso e traz boa relação custo X benefício. Além de ser novidade “por fora”. Lembrei do meu Kicks antigo e gostei do Kait: ele não é ótimo em nada, mas é bom em quase tudo.