Avaliação: Nissan Kicks e a verdadeira importância do turbo

Com visual renovado e novas tecnologias, o Nissan Kicks quer continuar bem colocado nos rankings de venda. Falta um motor turbo, mas o SUV até que se vira bem sem ele

Nissan Kicks
Nissan Kicks

À época do lançamento do primeiro Nissan Kicks, em 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o SUV compacto deixou claro que uma mecânica 1.6 naturalmente aspirada também faz comida boa. Um dos responsáveis pela condução acertada era o baixo peso do modelo. Mantendo tal atributo, agora ele estreou importantes mudanças visuais, além de ganhar itens de conforto, comodidade e segurança.

Fabricado em Resende (RJ), o novo Nissan Kicks 2022 exibe um novo para-choque frontal junto da grade do radiador “double V-Motion”. Os faróis, repetidores de seta e luzes de neblina de LED são de série nas configurações com transmissão continuamente variável (CVT). A reestilização inclui, ainda, lanternas conectadas por uma régua reflexiva e para-choque traseiro atualizado.

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As alterações do Nissan Kicks 2022 sugerem uma largura maior, mas a carroceria preservou os mesmos 1,76 m de antes, assim como o entre-eixos. Na lateral, se destacam o já consagrado teto “flutuante”, a antena tipo “barbatana de tubarão” e belas rodas de 17”. Há também novas nomenclaturas: agora a gama é composta pelas opções Sense MT (R$ 92.990), Sense CVT (R$ 100.990), Advance CVT (R$ 108.990) e a topo de linha avaliada, Exclusive CVT (antiga SL), que parte de R$ 118.990.

Nissan Kicks: Interior modernizado

Dentro da cabine do Nissan Kicks, também há algumas evoluções: os novíssimos bancos com tecnologia “Gravidade Zero”, já presentes no novo Versa, acomodam muito bem o corpo e são um dos melhores da categoria. Outra novidade é o sistema multimídia com tela de 8”, Android Auto, Apple CarPlay e assistente de voz. Na ergonomia, segue com comandos bem posicionados, enquanto o conforto é beneficiado pelo para-brisas acústico.

Embora tenha mantido a distância entre-eixos, quem viaja atrás no Nissan Kicks dispõe de bom espaço para as pernas e joelhos: são 2,610 m, mesma medida do Honda HR-V e maior do que se vê nos rivais Chevrolet Tracker, Jeep Renegade e Hyundai Creta (detalhes dos rivais mais abaixo).

A “sonzeira” da Bose tem qualidade e a pureza dignos de carros de segmentos superiores. Há até dois alto-falantes de 2,5” instalados no encosto de cabeça do banco do motorista. Além disso, entraram em cena duas entradas USB, uma delas do tipo USB-C.

Nissan Kicks
Os alto-falantes são embutidos no encosto de cabeça, uma exclusividade

Por fim, no segmento de SUVs, o porta-malas é quesito valioso, e o do Nissan Kicks tem 432 litros, superando Tracker, Renegade, T-Cross e Creta. Só perde para o do HR-V (versões aspiradas) e o do Renault Duster.

O SUV ganhou modernidade com novos faróis. O teto “flutuante” sempre fez sucesso

Aspirado, sim senhor!

Alguns questionam a ausência de uma mecânica turbinada. Mas as consagradas qualidades do Nissan Kicks ao volante continuam presentes, como comprovamos no primeiro contato com o SUV. No traçado do Haras Tuiuti, no interior de SP, o motor quatro cilindros combinado ao câmbio do tipo CVT manteve sua dirigibilidade interessante.

E não se deixe levar pelos números, pois os 1.139 kg garantem uma relação peso-potência de bons 9,9 kg/cv, permitindo ao Nissan Kicks ir aos 100 km/h em razoáveis 11,8 segundos. E, se o desempenho pode não ser tão bom quanto o de alguns rivais turbinados, a confiabilidade dos aspirados costuma ser maior e o consumo do Nissan Kicks é melhor do que o da maioria deles, como se pode ver comparando ficha técnica ao lado com os dados na tabela mais abaixo.

A entrega de força do Nissan Kicks é progressiva, sem aquela falta de suavidade que caracteriza boa parte dos modelos turbinados. O SUV embala sem esforços e entrega uma dinâmica bacana. Segundo a Nissan, há novos pontos de fixação do eixo traseiro e da caixa de direção – que transmite leveza e agilidade ao esterço (são 3,1 voltas de batente a batente). O bom contato com o solo é mérito dos pneus Bridgestone Turanza de medidas 205/55 R17.

O novo Nissan Kicks possui uma série de assistentes de segurança. Entre eles, controle dinâmico de chassi, estabilizador de carroceria e controlador de freio-motor – muito útil em descidas de serras. Outras “babás eletrônicas” sofisticadas são os alertas de tráfego cruzado traseiro, ponto cego e saída involuntária de faixa – este último vibra o volante e é automaticamente desabilitado ao acionar a seta.

Há, ainda, faróis com acendimento automático (e ajuste de altura/intensidade), alerta de colisão frontal com assistente de frenagem, auxílio de partida em rampas e câmera 360º com detector de movimento. Itens que, junto com o visual repaginado, vão ajudar o Nissan Kicks a seguir forte na disputa do segmento – mesmo sem o (de fato superestimado) motor turbinado.

Nissan Kicks: Também em versão híbrida

A Nissan não confirmou a data oficial de chegada do Nissan Kicks e-POWER ao Brasil. Lançado em maio passado na Tailândia, ele é um híbrido diferente: as rodas dianteiras são movidas pelo motor elétrico, alimentado por uma pequena bateria de íons de lítio de 1,5 kWh. Ao motor três cilindros 1.2 12V a gasolina, com 79 cv de potência, cabe a função de “gerador de energia”. Segundos os dados técnicos, a unidade elétrica tem 129 cv e 26,5 kgfm – a partir de zero rotações por minuto, como em todo motor elétrico.

Nissan Kicks
No interior do Kicks E-Power, alavanca de câmbio e cluster diferentes. Ao lado, o “módulo” híbrido do SUV

Nas frenagens e desacelerações, o sistema de freios (a disco nas quatro rodas) “regenera” energia para a bateria, garantindo um alcance maior aos passageiros. Além disso, o Nissan Kicks e-POWER ainda tem o “one-pedal drive”: como nos modelos elétricos, é possível dirigir utilizando apenas o acelerador; ao aliviar o pé, o veículo freia sozinho até a completa parada. Interessante e muito útil em congestionamentos ou semáforos.

Nissan Kicks

O Nissan Kicks e-POWER também tem um seletor de modos de condução, com opções Smart, Eco e o Power. A média de consumo (cidade/estrada) passa de 21 km/l. Na Tailândia, o Kicks e-POWER é comercializado em quatro versões, com preços que partem de R$ 161.051 e chegam a R$ 190.036 na opção mais equipada (conversão direta). Ao que tudo indica, possivelmente só o teremos em 2022.

*ATENÇÃO: OS PREÇOS ACIMA JÁ PODEM TER MUDADO

Na traseira, a reestilização incluiu lanternas conectadas por uma régua reflexiva e novo para-choque traseiro (abaixo, a geração anterior)

Em relação à primeira geração, que conquistou muitos pelo design, a principal modificação está na dianteira com faróis afilados e “bocona”

Nissan Kicks Exclusive CVT 2022

Preço básico R$ 92.990
Carro avaliado R$ 122.490

Motor: quatro cilindros em linha 1.6, 16V, variação contínua da fase de abertura das válvulas (CVVTCS)
Cilindrada: 1.598 cm
Combustível: flex
Potência: 114 cv a 5.600 rpm (g/e)
Torque: 15,5 kgfm a 4.000 rpm (g/e)
Câmbio: automático, continuamente variável (CVT)
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,310 m (c), 1,760 m (l), 1,590 m (a)
Entre-eixos: 2,610 m
Pneus: 205/55 R17
Porta-malas: 432 litros
Tanque: 41 litros
Peso: 1.139 kg
0-100 km/h: 11s8 (e)
Velocidade máxima: 175 km/h (e)
Consumo cidade: 11,3 km/l (g) e 7,6 km/l (e)
Consumo estrada: 13,6 km/l (g) e 9,3 km/l (e)
Emissão de CO2 109 g/km
Com etanol = 0 g/km
Consumo nota C
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: C (SUV Compacto)

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