Avaliação: Novo Mercedes-Benz Classe A quer revolucionar o segmento

A mais nova desculpa para desejar um carro se chama MBux, o novo sistema de entretenimento/“mordomo” do renovado Mercedes-Benz Classe A, que chega este ano ao Brasil. Nós o colocamos à prova, junto com o resto do hatch alemão, que agora cresceu em todos os aspectos

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Final dos tempos: telas cada vez maiores, gráficos ultra-sofisticados, iluminação ambiente com LEDs e interfaces cada vez mais intuitivas têm dominado os interiores dos automóveis em época de fetiche por tecnologia. Além do carro em si, é dentro dessa nova realidade que a quarta geração do Mercedes-Benz Classe A mostra toda sua identidade e seu carisma. O modelo, que chega ao Brasil ainda no segundo semestre, importado da Alemanha, aposta forte na cabine e no sistema multimídia, com uma interface digital capaz de mostrar conteúdos de uma nova maneira.

Ultra-contemporânea, deve-se dizer: foi tudo desenvolvido, forma e função, no centro de P&D da Mercedes em Sindelfingen e no Vale do Silício, onde nasceu toda a lógica de uso dos smartphones que formaram – e forjaram – nossa vida digital. Se por um lado o novo Mercedes-Benz usa truques high-tech para seduzir os clientes, por outro tem toda a consistência de um projeto de alta qualidade: carroceria, cabine, assentos, materiais e todos os detalhes estão de acordo com o que se espera de um compacto alemão premium cujo preço inicial passa de R$ 150.000.

Faróis e lanternas de LEDs definem as extremidades da nova carroceria, que tem alguns toques brilhantes: a seta dianteira (que em repouso age como luz diurna) parece sair diretamente de um carro-conceito. A pintura (com a opção opaca no carro avaliado) esculpe bem as laterais, definindo formas e volumes de modo minimalista e bastante elegante. Mas o mais legal são as muitas opções de personalização, que permitem tornar seu Classe A único. Elas vão dos pacotes AMG e Luxury a 14 tipos de rodas, interiores com couros especiais, som Burmester e muito mais.

O sistema MBux é moderno, potente, expansível e dotado de inteligência artificial – assim quanto mais você fala, mais ele entende e, por isso, é tão intuitivo e fácil de usar (leia mais ao final da reportagem em “A nova regra do jogo”). No resto, a cabine agora tem espaço para quatro pessoas viajarem com mais conforto, conta com iluminação indireta com 64 opções de cor e ficou extremamente silenciosa, graças à maior solidez construtiva e ao revestimento antirruído presente em todas as portas e até na tampa do porta-malas. Falando nele, cresceu 30 litros em relação ao do antigo Classe A, chegando a 370 litros (305 em nossa aferição). Bom, mas dentro da média.

A posição ao volante foi cuidadosamente estudada: é bastante versátil, com banco do motorista que tem até mesmo o comprimento do assento ajustável, além de apoio lombar e massagem (opcional). A visibilidade é também muito boa, com colunas pouco invasivas e boa percepção do tamanho da carroceria – embora nem seja tão necessária com as câmeras 3600 e o pacote semi-autônomo opcional, que tem entre as opções o park assist. Controles e instrumentos são bem organizados, mantendo os clássicos botões do ar-condicionado. A alavanca de câmbio também segue na coluna de direção, o que é cômodo e libera espaço no console.

Tudo bem que o sistema de infotainment high-tech e as possibilidades de personalizar o carro são incríveis, mas o Classe A ainda é um hatch pensado sobretudo para o uso cotidiano. Nesse ponto, os sistemas semi-autônomos são bastante convenientes, e o novo motor 1.3 turbo do A 200 caiu como uma luva (no Brasil o A 250 chega antes, com um também novo 2.0 de 227 cv e 35,7 kgfm, para depois dar espaço para essa versão 200 – que será a mais vendida da gama).

Com surpreendentes 163 cv e 25,5 kgfm, o motor desenvolvido em conjunto com a Renault (leia abaixo em “Um motor em comum”) é bastante reativo em baixas rotações, permitindo andar sempre em marchas altas. Combinado com a transmissão de dupla embreagem, garante uma suavidade única ao volante. Exagerando, nota-se certa indecisão nas trocas de marcha e o limite do motor de apenas 1332 cm³ – que, vale notar, gasta pouco (a 100 km/h fizemos 17,3 km/l; na cidade marcamos 12,7 km/l). O 1.3 desativa dois dos quatro cilindros quando pode para poupar combustível e, apesar de o foco não estar no desempenho, tem respostas convincentes – 0-100 km/h em ótimos 8s4 – mas sem sabor em altos giros. Quando necessário, surpreende a reatividade do pedal do acelerador e os 25,5 kgfm fazem seu trabalho sem precisar recorrer muito ao câmbio. Não emociona, mas resolve.

Dinamicamente, o A 200 (com rodas 19 e suspensão multi-link) se mostrou bastante equilibrado e “redondo”. Contribui para isso o motor leve, que pesa pouco na dianteira, facilitando tomadas de curva e contribuindo para a boa desenvoltura. Além disso, a direção elétrica é precisa e progressiva, embora às vezes peça correções, e o pedal do freio tem bom feeling (e o ótimo sistema auto-hold é acionado quando o pressionamos com mais força). A unidade avaliada, com rodas aro 19, tinha um rodar um tanto duro – porém extremamente silencioso.


UM MOTOR EM COMUM

O motor 1.3 turbo com injeção direta é totalmente novo, desenvolvido em parceria com a francesa Renault. Exclusiva da versão Mercedes é a capacidade de desativar os cilindros 2 e 3 em cargas baixas entre 1.250 e 3.800 rpm, fechando as válvulas de admissão e de escape. Nesse modo, consegue fornecer o mesmo torque com os outros dois cilindros, que trabalham em condições de maior eficiência. A versão A 200 tem transmissão automatizada de dupla embreagem Getrag, também a mesma dos Renault (no A 250, a caixa é Mercedes). O eixo traseiro multilink por enquanto é exclusivo do A 250 4Matic e, independentemente da versão, dos modelos com rodas aro 18 e 19, como o A 200 avaliado. As outras têm eixo de torção, solução mais simples e econômica (e mais robusta para as estradas brasileiras).


A NOVA REGRA DO JOGO

De série em toda a gama (com tela de 7”, pois as de 10,25” das fotos é opcional), o sistema multimídia (infotainment, se preferir) MBux foi desenvolvido do zero para esse novo Classe A: no total, são 70 milhões de linhas de código. Baseado em Linux, promete resistir à obsolescência digital com a possibilidade de ser atualizado não só no software, mas também no hardware (começa com um nVidia Parker 128 com 8 GB de RAM, nVidia Reilly PX, Cpu a 6 Core e Gpu a 128 – notável, para uso em um automóvel).

O app Mercedes Me é usado para acesso a todo o potencial do sistema: não só a possibilidade de acesso remoto ao carro, mas também de atualização da interface, compra de extensões de software e muito mais. A experiência de uso do MBux (Mercedes-Benz User eXperience) se assemelha à de um smartphone. Digna de nota é a interação vocal. Dizendo “Ei, Mercedes”, você entra em contato com o MBux: você pode aumentar e diminuir a temperatura do cockpit, configurar o tocador de músicas e muito mais, já que a inteligência artificial dele aprende a reconhecer hábitos de uso e frases comuns. Na prática, o MBux não requer comandos pré-definidos, basta falar sobre como você faria com outra pessoa. Há ainda a possibilidade de interação com Google Home, Alexa e Echo (sistemas similares).


Ficha técnica:

Mercedes-Benz A 200 Premium

Preço básico (estimado): R$ 169.900
Carro avaliado (estimado): R$ 189.900
Motor: 4 cilindros em linha 1.3, 16V, duplo comando variável, injeção direta, turbo, desativação de cilindros, start-stop
Cilindrada: 1332 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 163 cv a 5.500 rpm
Torque: 25,5 kgfm de 1.620 a 4.000 rpm
Câmbio: automático sequencial, dupla embreagem, sete marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (d/t)
Freios: disco ventilado (d/t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,42 m (c), 1,80 m (l), 1,44 m (a)
Entre-eixos: 2,73 m
Pneus: 225/40 R19 (d/t)
Porta-malas: 370 litros
Tanque: 43 litros
Peso: 1.375 kg
0-100 km/h: 8s4*
Velocidade máxima: 220 km/h*
Consumo cidade: 12,7 km/l*
Consumo estrada: 15,8 km/l*
Emissão de CO²: 120 g/km*
Nota do Inmetro: não lançado no Brasil

*dados da Europa, gasolina pura