Avaliação: novo Renault Sandero Stepway dá salto evolutivo; torça para vir ao Brasil

Na terceira geração, o primo europeu do Renault Stepway dá um grande salto de qualidade, graças à adoção da plataforma CMF-B usada no Renault Clio e no Captur do Velho Continente. Aos brasileiros, resta torcer para ele chegar aqui (e igual)

Stepway

Este é o novo Dacia/Renault Sandero Stepway, mas ele pode não vir ao Brasil — dependo da estratégia da marca, que recentemente levantou dúvidas sobre a atualização do modelo com menor margem de lucro. Recomendamos torcer para que venha, pois o carro agora ficou muito melhor. Seria um erro estratégico abandonar o Stepway agora.

Estamos na terceira geração, mas o Dacia Sandero – que é conhecido como Renault Sandero no Brasil – continua sendo o carro que você escolhe porque precisa de espaço e praticidade, mas não quer desmaiar na hora de pagar a conta.


A tabela de preços confirma-se como uma das mais competitivas do mercado europeu, assim como acontece no brasileiro: são apenas € 8.950 para o Streetway (que não temos aqui, pelo menos ainda) e € 12.600 para este Stepway, a versão aventureira/crossover que avaliamos (em conversão direta, são R$ 83 mil – mais do que custaria aqui, por causa do real desvalorizado).

As medidas permanecem as mesmas – um centímetro a mais aqui, um centímetro a menos ali –, mas o porta-malas cresceu de 320 para excelentes 410 litros, capacidade de SUVs compactos como o VW T-Cross.

De resto, a plataforma CMF-B, dos recentes Clio e Captur, deu nova vida ao carro de baixo custo.

Comecemos pelo design: modesto e discreto demais nas gerações anteriores, ele agora se tornou moderno, musculoso e ganhou melhores proporções.

O Dacia Sandero Stepway (que no Brasil, na versão aventureira, há alguns anos passou a se chamar só Stepway) mudou a tal ponto que a primeira sensação, sentado no banco do motorista, foi a de estar no irmão “básico” do Clio.

Ao toque dos dedos, os materiais permanecem rígidos, mesmo aqueles claramente visíveis na parte superior do painel e nas portas, como está virando padrão na indústria. Mas o interior renovado tem uma aparência completamente diferente.

Sim, este Dacia/Renault tem personalidade e está equipado com a tecnologia necessária para aumentar a qualidade de vida a bordo.

Por dentro, para falar a verdade, o novo revestimento de tecido no painel nas portas é de fato mais bonito aos olhos do que ao toque.

Mas as atenções estarão voltados para a tela do sistema multimídia Media Nav de 8 polegadas, que domina o centro do painel e vem de série já na versão Comfort. Os mapas off-line são pagos a parte, mas não fundamentais, já que há um prático suporte para smartphone ao lado da tela.

Graças à conexão sem fio para o Apple CarPlay, raridade no segmento, é possível usar apps no display do carro. Com os sistemas Android também, mas a conexão é apenas via cabo. Nada mal, porque a entrada USB fica bem ao lado, para não deixar os fios pendurados.

Embora os plásticos sejam rígidos, a montagem é cuidadosa. 1. Quadro de instrumentos com display monocromático de 3,5 polegadas. 2. Controles do computador de bordo. 3. Tela sensível ao toque de 8 polegadas do sistema multimídia, compatível com Apple CarPlay e Android Auto. 4. Ar-condicionado automático de zona única. 5. Nova (para os europeus) transmissão automática CVT

Antes de tudo, prático

Da gama Renault europeia veio também o sistema de ar-condicionado automático, com três controles giratórios, mais bonito que o da linha Renault brasileira atual e muito fácil de usar graças à tela integrada: uma bela tecnologia, sem perder a funcionalidade.

No novo Stepway, em suma, a memória da velha Dacia parece ter ficado a anos-luz de distância. Os novos bancos perfilados apoiam bem o corpo, e os encostos de cabeça, emprestados do Clio, são relaxantes mesmo nos percursos mais longos.

Outra evolução advinda da nova plataforma aparece na coluna de direção, que agora, finalmente, também pode ser ajustada em profundidade.

Para tornar a vida mais fácil nas viagens diárias, há faróis e limpadores de para-brisa automáticos, sensores de estacionamento que combinam com a câmera de ré e o conveniente sistema de partida sem chave (todos esses opcionais).

Stepway
A versão de entrada inclui soquete para conexão do smartphone, que, por meio de um aplicativo, tem suporte multimídia. Abaixo, os seis airbags do novo Sandero, que utiliza a plataforma CMF-B do Clio e do Captur europeus

Vemos, portanto, um salto geracional bastante significativo; semelhante, para deixar claro, ao que houve da primeira para a segunda geração do SUV Duster.

Há sistemas de frenagem automática de emergência (de 7 a 170 km/h), chamada de SOS automática e assistente em subidas. Sem falar que agora há seis airbags e alerta de ponto-cego. Resta saber quais destes itens serão lançados também no modelo brasileiro.

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Mais silencioso

A gama de motores do Sandero Stepway também foi renovada, e mesmo na Europa agora só há opções a gasolina, com modernos motores 1.0 de três cilindros a gasolina, em variantes aspiradas de 65 cv (só no Streetway), e turbo de 90 cv (também com o novo câmbio CVT) ou 100 cv, este com alimentação dupla (gasolina/gás natural), que foi o modelo que avaliamos.

Mas como anda o novo Sandero Stepway? Em primeiro lugar, está mais silencioso. Claro, não podemos falar de uma mudança radical, mas, mesmo desse ponto de vista, a natureza de baixo custo das gerações anteriores era mais evidente e o nível de conforto aumentou.

Stepway
Os bancos são de material lavável e a direção tem ajustes de altura e de profundidade

Principalmente porque a estrutura ficou mais rígida, e, juntamente com os novos painéis de absorção de som e as portas equipadas com vedações mais eficazes, reduziu significativamente o ruído em todas as velocidades.

Na estrada, você logo nota a nova direção com assistência elétrica do Stepway. Muito macia e leve nas manobras, é perfeita para se locomover pela cidade. Não se destaca pela prontidão ou pela sensibilidade, mas está bem mais equilibrada.

E se até há algum tempo falar de prazer de dirigir ao volante dos modelos da família Sandero era difícil, agora começamos a ver sinais tangíveis de melhora também neste ponto.

As suspensões ficaram um pouco mais firmes e recebem mais solavancos, especialmente na parte traseira. Já nas curvas, a rolagem da carroceria ficou menos evidente (lembre-se que o modelo brasileiro costuma ter calibração específica).

O hatch está mais rápido nas mudanças de direção, e também mais estável do que a geração anterior. Uma bela ajuda vem das suas medidas: a largura aumentou em quase dez centímetros.

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A MECÂNICA

O motor 1.0 turbo de até 100 cv a gasolina/gás natural vai bem, é bastante disposto em baixas rotações e estica com vivacidade até a zona vermelha, sem muito ruído – mesmo que o som típico dos motores três cilindros se torne evidente quando se pede tudo.

Arrancar e ultrapassar não são problemas, e se você não tomar cuidado, facilmente ultrapassará os limites de velocidade. É um motor pequeno, mas com um bom temperamento. Ao parar no semáforo, dá para sentir alguma vibração no volante.

Nada a reclamar, porém, sobre a caixa manual de seis marchas: a alavanca é mais curta do que antes, e os engates ficaram bem mais precisos.

Dacia Sandero Stepway TCE 100 ECO-G

Preço básico (Europa) R$ 83.000
Carro avaliado (Europa) R$ 83.000

Motor: três cilindros em linha 1.0, 12V, turbo
Cilindrada: 999 cm3
Combustível: gasolina e gás natural
Potência: 90 cv a 3.750 rpm (g) e 100 cv a 5.000 rpm (gás)
Torque: 16,2 kgfm a 3.750 (g) e 17,3 kgfm a 2.000 rpm (gás)
Câmbio: manual, seis marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,099 m (c), 1,848 m (l), 1,587 m (a)
Entre-eixos: 2,604 m
Pneus: 235/50 R19
Porta-malas: 410 litros
Tanque: 50 litros
Peso: 1.134 kg
0-100 km/h: 11s9
Velocidade máxima: 173 km/h (g) e 177 km/h (gás)
Consumo médio: 13,9 km/l (g)
Emissão de CO2: 130 g/km
Consumo nota: B
Nota do Inmetro: B (estimada)
Classificação na categoria: B (estimada)

Stepway
O porta-malas cresceu de 320 para ótimos 410 litros, mais do que oferecem muitos SUVs compactos.