Avaliação: NX 450h é o SUV que a Lexus está devendo ao Brasil

Na sua segunda geração, o Lexus NX450h+ é o primeiro híbrido plugável da marca: econômico e com dinâmica de respeito, não abre mão da qualidade construtiva habitual

Lexus

Couro de primeiríssima qualidade, painel voltado para o motorista, materiais suaves ao toque e acabamentos muito requintados. É bom sentar ao volante do novo Lexus NX, que pode chegar ao Brasil este ano — por enquanto, a marca só trouxe a versão mais simples, que não é plugável.

Já este modelo híbrido plug-in, novo e mais avançado, custaria em torno de R$ 450 mil na versão avaliada F-Sport aqui, que tem bancos esportivos, suspensão adaptativa e rodas aro 20. A marca está comendo bola enquanto não o trouxer.

Os primeiros quilômetros ao volante do Lexus são de silêncio absoluto na cabine, com uma série de sensações típicas do mundo dos carros elétricos. E a dirigibilidade também agrada: o apoio no solo é consistente e, em curvas, a dinâmica surpreende para um SUV como este, de porte médio-grande, com 4,66 m de comprimento.

Oito anos após o seu nascimento, o Lexus NX foi totalmente reconfigurado, passando de um híbrido “clássico” a plug-in, ou plugável – o primeiro deste tipo da marca de luxo da Toyota.

O novo interior redefine a ergonomia do carro. Não há mais maçaneta para abrir a porta, mas apenas um pequeno botão para pressionar, como no Fiat 500e – na verdade, uma criação da Tesla copiada por muitos.

No alto, o interior redesenhado, com foco na funcionalidade. 1. A instrumentação pode ficar com um só elemento circular. 2. No volante, há menos botões (e sensíveis ao toque). 3. A tela do multimídia, que fica voltada para o motorista, pode ser de 9,8 ou 14 polegadas.

Adeus ao console central cheio de botões e ao monte de teclas no volante: as que sobraram são sensíveis ao toque.

o detalhe do console central, que agora tem menos botões

O túnel central, com borda sinuosa, tem acabamento impecável e o apoio de braço, couro macio. A partir de detalhes como este, entendemos o cuidado construtivo da Lexus. Há head-up display, painel digital e som Mark Levinson com 17 alto-falantes (este último opcional).

Ao volante do NX450h+, a interação do motor a gasolina 2.5 (ciclo Atkinson) com os elétricos – dois na frente e um atrás – é exemplar. Pisando leve, fica difícil saber quais estão trabalhando.

Enquanto o Lexus NX 300h tem 246 cv, este NX 450h+ tem potência total de 309 cv, com 0-100 km/h em 6,3 segundos: nada mau. E dá para percorrer até 76 quilômetros no modo 100% elétrico, mistos, ou 98 na cidade (WLTP), com carregamento em wallbox em duas horas e meia – tarefa essencial para aproveitar os benefícios de um plug-in.

O esquema híbrido dos Toyota atua como uma transmissão CVT, favorecendo a fluidez em detrimento da esportividade. Aqui, um sistema eletrônico simula trocas de marchas por aletas no volante, de modo mais ágil nas reduções que nas acelerações.

São precisos poucos quilômetros para diferenciar este novo NX do antigo: suas respostas são decisivas e marcantes. Uma identidade forte, que consegue dar ao Lexus um toque de dinamismo, apesar do seu tamanho.

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RAIO-X: UM SISTEMA ORIGINAL

Assim como acontece nos Toyota, o Lexus NX tem o motor a combustão ligado a dois motores-geradores elétricos (só um deles usado para propulsão) por meio de engrenagens epicicloidais – que, variando a velocidade de rotação destes diferentes motores, permite alterar a velocidade do carro sem usar a caixa de câmbio.

Um terceiro motor-gerador elétrico na traseira permite ao SUV funcionar com tração 4×4.

O Lexus NX nasceu na plataforma TNGA GA-K, a mesma do Prius e do RAV4. As suspensões foram redesenhadas e, nos freios, houve um esforço para otimizar a transição entre a frenagem regenerativa e a real.

Lexus NX 450h+ F-Sport

Preço básico (estimado) R$ 400.000
Carro avaliado (estimado) R$ 450.000

Motores: quatro cilindros em linha 2.5, 16V, ciclo Atkinson, duplo comando continuamente variável (tempo e abertura), injeção direta e indireta + dois motores elétricos dianteiros + motor elétrico auxiliar traseiro (todos com imãs permanentes)
Cilindrada: 2487 cm3
Combustível: gasolina + bateria
Potência: 185 cv a 6.000 rpm (g) + 182 cv (elétrico) + 54 cv (traseiro) = 309 cv Torque: 227 Nm de 3.200 a 3.700 rpm + 270 Nm (elétrico dianteiro) + 121 Nm (elétrico traseiro)
Câmbio: automático continuamente variável (eCVT)
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e braços sobrepostos (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: integral elétrica (AWD)
Dimensões: 4,660 m (c), 1,865 m (l), 1,660 m (a)
Entre-eixos: 2,69 m
Pneus: n/d
Porta-malas: 545 litros
Tanque: 55 litros
Bateria: 18,1 kWh
Peso: 2.030 kg
0-100 km/h: 6s3
Vel. máxima: 200 km/h (limitada)
Consumo médio: 90,9 km/l (Europa)
Emissão de CO2: 26 g/km
Consumo nota: A
Nota do Inmetro: A*
Classificação na categoria: A* (Extra-Grande)


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