Avaliação: o SUV-cupê Audi Q5 Sportback e o preço do estilo

Novo Audi Q5 Sportback comprova que estar na moda tem O seu preço: mesmo com pacotes iguais, o SUV-cupê é mais caro que o Q5 “normal”

Audi Q5 Sportback

Como na indústria da moda, o mercado automotivo mostra que o estilo tem seu preço. Para seguir as últimas tendências, é preciso gastar mais. E essa é a única explicação para pagar mais por este Audi Q5 Sportback, que estreia agora no Brasil, do que pelo Audi Q5 tradicional. No caso, R$ 30 mil separam a opção “careta” – o SUV tradicional, que acaba de ganhar atualizações de meia vida – desta nova opção com carroceria SUV-cupê, última e onipresente moda do mercado.

Ambos chegam em configurações equivalentes, S Line e S Line Black: o novo Audi Q5 Sportback custa R$ 399.990 e R$ 425.990, respectivamente, enquanto o Q5 sai por R$ 369.990 e R$ 399.990 (e ainda tem a opção Prestige, de R$ 334.990). Todos têm desconto para venda direta, que vai de R$ 25 mil a R$ 30 mil, dependendo da versão. Somando os opcionais, e considerando o preço cheio, a unidade avaliada passa de R$ 470 mil. Boa parte dos extras é, novamente, para incrementar o estilo: capa dos retrovisores e inserto nas portas em carbono, estribo, lanternas OLED (luzes “dinâmicas”) e a bela pintura azul Navarra. Outros dois opcionais são mais, digamos, úteis: head-up display e sistema de som Bang & Olufsen.

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Audi Q5 Sportback

Audi Q5 Sportback
Comparando o Q5 Sportback com a versão SUV mais tradicional0, abaixo, fica claro o “truque” para fazer um SUV-cupê: basta inclinar a coluna D e mudar o caimento do teto

Os valores são um pouco mais baixos que os dos rivais Mercedes-Benz GLC Coupé 300 (leia aqui) e BMW X4 xDrive 30i – todos com motor 2.0 turbo de cerca de 250 cv e 0-100 km/h em exatos 6,3 segundos –, mas as medidas do Audi são ligeiramente menores e sua transmissão é automatizada de sete marchas e dupla embreagem, enquanto os rivais têm automáticas tradicionais de oito (X4) e nove (GLC) marchas. Não que isso o desabone: são meros detalhes que separam os três alemães de luxo, nos quais é difícil achar defeitos.

Sem concessões

Se no Audi Q3 e alguns outros modelos alemães de entrada é possível achar discretas economias e descuidos no acabamento e a potência pode deixar a desejar, no Audi Q5 Sportback não há concessões: materiais nobres revestem todas as partes da cabine e a lista de equipamentos é caprichadíssima, com itens que vão dos bancos com ajuste de comprimento do assento ao porta-malas com tampa motorizada, passando por cortinas embutidas nas janelas traseiras (ótimas para proteger as crianças do sol, elas ainda garantem segurança e privacidade), teto solar panorâmico, ar-condicionado de três zonas (com estilosos indicadores de temperatura nos próprios botões), banco traseiro corrediço/reclinável, carregador de celular por indução e muito mais.

Audi Q5 Sportback
O acabamento é digno de um modelo de luxo deste valor, mas o quadro de instrumentos digital poderia ter mais opção de temas

Em termos de espaço, o teto com um caimento mais acentuado rouba um pouco de espaço para a cabeça no banco traseiro em relação ao Q5 tradicional, mas se quem viaja ali tem até 1,75 m, não terá problemas. O porta-malas do Audi Q5 Sportback tem 510 litros, só 10 menos que na versão SUV (na medida tradicional, até a cobertura). Então, você só sentirá falta de espaço se transportar objetos altos, que iriam acima da linha dos vidros – nada grave.

Em movimento, não leva tempo para se acostumar aos comandos, objetivos e intuitivos como em todo Audi. O sistema MMI touch aposentou o conjunto de rodinha e touchpad, liberando espaço para um porta-objetos extra no console central – mas, como de costume, às vezes ele rouba mais atenção do que devia do motorista. O quadro de instrumentos digital permite várias configurações, mas só o mapa do GPS nativo aparece ali, e a conexão Android Auto ainda é apenas por cabo.

Mecânica impecável

Construído na base MLB Evo, o Audi Q5 Sportback, apesar do visual invocado, não tem pretensões esportivas – isso é papel das linhas S e RS, que devem chegar em breve. Mas, com um motor 2.0 turbo de 249 cv e 37,7 kgfm desde as 1.600 rpm, fica longe de decepcionar, obviamente. O carro é pesado, com quase duas toneladas, mas as acelerações e as retomadas são suficientemente vigorosas e o silêncio na cabine realmente impressiona. Em uma tocada mais esportiva, a direção é bastante direta e as reações do câmbio de dupla embreagem aos comandos via aleta no volante, imediatas.

A tração integral quattro, sob demanda, aciona o eixo traseiro se necessário, e as suspensões multibraços, tanto na dianteira quanto na traseira, são um destaque, equilibrando perfeitamente dinâmica e conforto: as curvas rápidas são contornadas sem excessiva inclinação da carroceria, ao mesmo tempo que superam terrenos acidentados sem reclamar, com silêncio e conforto surpreendentes. Fora do asfalto, o único susto veio quando acionei o modo off-road: na verdade, ele é para situações de lama, e desativa o controle de estabilidade; não para altas velocidades em estrada de terra com pedriscos. Há, ainda, assistente para descidas.

Dirigindo à noite, os faróis full-LED são incríveis, com um assistente de luz alta que apaga só parte do facho para não ofuscar os demais motoristas. Há, ainda, alerta de ponto cego (ativo), ACC com stop & go, alertas de colisão, tráfego cruzado e saída do carro (ao abrir a porta, avisa se vêm carros ou ciclistas)…

De negativo, faltam alguns sistemas de direção semiautônoma mais ativos e estacionamento automático, e o consumo é alto. Mesmo com injeção direta e indireta e sistemas que, para poupar combustível, desacoplam o câmbio e agora até desligam o motor com o carro em movimento, entre 55 e 160 km/h, não passamos de 10 km/l na estrada, e, na cidade, a melhor marca foi de 8 km/l – em um percurso quase todo plano, com pista livre e velocidade constante.

Audi Q5 Sportback S Line Black

Preço básico R$ 399.990
Carro avaliado R$ 470.390

Motor: quatro cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando variável, turbo, injeção direta e indireta, start-stop com desligamento em movimento
Cilindrada: 1984 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 249 cv de 5.000 a 6.000 rpm
Torque: 37,7 kgfm de 1.600 a 4.500 rpm
Câmbio: automatizada, dupla embreagem, sete marchas, roda livre
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: integral sob demanda
Dimensões: 4,689 m (c), 1,893 m (l), 1,660 m (a)
Entre-eixos: 2,819 m
Pneus: 255/45 R20
Porta-malas: 510 litros
Tanque: 70 litros
Peso: 1.930 kg
0-100 km/h: 6s3
Vel. máxima: 237 km/h
Consumo cidade: 7,8 km/l
Consumo estrada: 9,5 km/l
Emissão de CO2: 164 g/km
Consumo nota: D
Nota do Inmetro: D (estimada)
Classificação na categoria: D (Extra Grande, estimada)

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