Avaliação: Porsche 911 Carrera GTS é o melhor de todos os 911?

O 911 Carrera GTS oferece o espírito das pistas do fabricante em um superesportivo de rua. Mais potente que o Carrera S, vai de 0-100 km/h em menos de 4 segundos

13732

Poucos carros combinam números e letras de forma tão espetacular quanto o Porsche 911 Carrera GTS. Embora já tivesse guiado em outra ocasião o 911 Carrera S, posso garantir que esse nine-eleven Gran Turismo é um dos melhores 911 já concebidos. O GTS surgiu em 2010 mesclando toda a esportividade dos modelos de pista e de rua do fabricante. E a atual geração 991.2 foi lançada em janeiro de 2017. Os puristas devem ter arrancado os cabelos, pois ele foi um dos últimos a ingressar na era turbo, substituindo o motor aspirado de seis cilindros 3.8 Boxer pelo novo propulsor 3.0 biturbo, semelhante ao dos Carrera e Carrera S, com diferenças no tamanho dos turbocompressores, na pressão de trabalho de 1,1 bar e na calibração eletrônica. Esse veneno resultou em 450 cv e 56,1 kgfm. Ou seja: o GTS despeja 30 cv e 5,1 kgfm extras comparado ao Carrera S (420 cv e 51 kgfm).

Antes de receber as chaves, era difícil segurar a ansiedade — foi uma noite mal dormida. É impressionante como depois de mais de dez anos nessa profissão, certos carros me causam insônia. Enquanto não tomava assento, passei a observar as diferenças do 911 Carrera GTS. Entre elas estão o desenho do para-choque, as entradas de ar e a carroceria 4,4 cm mais larga comparada à do Carrera S. Enfim, minha inquietude só desapareceu ao dar a partida, com ele emitindo um berro grave, que virou borbulhante após a rotação cair.

Logo nos primeiros quilômetros notei que o 911 Carrera GTS é um 911 Carrera S anabolizado. À medida que pegávamos familiaridade, passei a provocá-lo e ele me respondeu com um soco no peito. Depois dessa recepção calorosa fiquei com o sentimento de respeito: esse Porsche é para consumidores já íntimos de superesportivos. A rapidez nas reações em qualquer faixa de giro impressiona, embora ele seja menos diabólico frente ao GT3 (que é praticamente o bólido da Porsche Cup dotado de motor aspirado de 500 cv), o GT3 RS e o GT2 RS (um carro de pista homologado para as ruas).

Dirigi-lo ouvindo o sopro dos turbocompressores junto da sinfonia produzida pelo sistema de escape é uma sensação dificilmente explicável. O câmbio PDK, de dupla embreagem e sete velocidades, é uma obra-prima da engenharia moderna por sua impressionante velocidade nas trocas. Aliás, esse 911 também é oferecido com caixa manual de sete marchas para a alegria dos tradicionalistas. Essa última permite acelerar de 0-100 km/h em 4,1 ou em 3,7 segundos com o PDK. Já a velocidade máxima é de 312 e 310 km/h, respectivamente.

Eu já estava convencido da grandeza desse Porsche. Porém, queria mais e decidi explorar os quatro modos de condução (Normal, Sport, Sport Plus e Individual). Eles podem ser escolhidos por meio do seletor giratório no volante, podendo alterar até 20 parâmetros: só para citar, mapeamento do motor/transmissão, rigidez dos coxins do motor, som do escapamento, ativação do controle de largada, comportamento do Porsche Torque Vectoring Plus (bloqueio do diferencial traseiro) e do Porsche Dynamic Chassi Control (diminuindo a inclinação da carroceria e a trepidação em pisos irregulares). Esse seletor ainda traz o Sport Response e, ao pressioná-lo, motor/transmissão se configuram por 20 segundos para entregar o máximo de desempenho. Uma experiência viciante.

A suspensão ativa fica macia ou mais firme dependendo do programa selecionado e esse Carrera me deixou embasbacado tamanha a sua precisão no contorno de curvas. O eixo traseiro direcional é um opcional de R$ 13.037 e ele ajuda nessa tarefa. Em baixas velocidades, as rodas dianteiras esterçam no sentido oposto das traseiras privilegiando um raio de giro menor e auxiliando em manobras. Já dirigindo mais rápido, o sistema vira as rodas no mesmo sentido, privilegiando a estabilidade e a agilidade.
O 911 Carrera GTS sofre no nosso asfalto, mas é até utilizável no dia-a-dia. Só é preciso tomar cuidado com valetas e lombadas. Confesso que um pedaço do meu coração se despedaçou ao sentir a frente enroscando em uma delas.

A tração é traseira e aconselho deixar todos os controles eletrônicos ligados, pois haja braço para segurá-lo – a tração integral também está disponível. Já as belíssimas rodas aro 20 usam porca central igual aos carros de corrida e o aperto é feito com torque de 100 NM ou 10,1 kgfm (força de um carro mil). Os potentes freios se encarregam de conter o ímpeto, com discos de 350 mm e pinças de seis pistões na frente, enquanto na traseira são de 330 mm e quatro pistões. Os freios de carbono-cerâmica são opcionais de R$ 49.300. Na despedida, após cinco dias de convivência, fui embora de carona com a sensação de que deixava o melhor de todos os Porsche 911.


Ficha técnica:

Porsche 911 Carrera GTS

Preço básico: R$ 516.000
Carro avaliado: R$ 694.000
Motor: 6 cilindros contrapostos (boxer) 3.0, 24V, biturbo, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 2981 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 450 cv a 6.500 rpm
Torque: 56,1 kgfm de 2.150 rpm a 5.000 rpm
Câmbio: automatizado de dupla embreagem, sete marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: traseira
Dimensões: 4,528 m (c), 1,852 m (l), 1,284 m (a)
Entre-eixos: 2,450 m
Pneus: 245/35 R20 (d) e 305/30 R20 (t)
Porta-malas: 125 litros
Tanque: 64 litros
Peso: 1.470 kg
0-100 km/h: 3s7
Velocidade máxima: 310 km/h
Consumo cidade: 8,2 km/l
Consumo estrada: 11 km/l
Emissão de CO²: 148 g/km
Nota do Inmetro: D
Classificação na categoria: B

blog comments powered by Disqus