Avaliação: Porsche Macan 2.0 preserva a tocada tipicamente alemã

Além de preservar a dirigibilidade típica dos modelos Porsche, é mais divertido do que o Cayenne, seu irmão maior

Um Porsche é sempre um Porsche. Não importa o ano, tampouco o modelo. E antes de você torcer o nariz para a dupla Cayenne e Macan, sugerimos guiá-los. Feito sobre a plataforma do Audi Q5, o prazer de dirigir entregue pelo Macan fica por conta da combinação do motor 2.0 turbo, desenvolvido de forma compartilhada no Grupo Volkswagen e produzido na fábrica da Audi em Györ, na Hungria, com o câmbio PDK (Porsche Doppelkupplung) de dupla embreagem e sete marchas.

Mais prazeroso do que o Cayenne ao volante, graças às dimensões menores, essa primeira versão do Macan oferece bons 252 cv e 37,7 kgfm. Seu 2.0 trabalha com 1,2 bar de pressão e o lag (atraso antes de o turbocompressor encher) não chega a incomodar. O Macan acorda para valer após 1.500 rpm e as trocas sequenciais realizadas acima de 4.000 rpm pelas borboletas de alumínio atrás do volante são acompanhadas de “pipocos”. Só o ronco do propulsor 4 cilindros não é tão empolgante em relação ao V6 3.0 de 360 cv do Macan GTS ou ao V6 3.6 de 440 cv do Macan Turbo com pacote performance. Embora tenha menos de 300 cv, espere por uma condução ágil cooperada pela transmisão PDK, com mudanças ou reduções rapidíssimas.

Além desse trabalho primoroso, dependendo da situação, ela engata o “ponto morto” eletrônico para diminuir tanto o consumo quanto as emissões. Também ajuda nessa tarefa o start-stop ao desligar o motor durante breves paradas, como nos semáforos. Toda essa dirigibilidade acertada traz uma direção rápida ao esterço, além da tração integral. Esse sistema deixa o Macan colado no chão e possui diferenciais dianteiro, traseiro e central dotado de embreagem multidisco controlada eletronicamente para distribuir o torque entre os dois eixos. Dirigindo de forma comedida ou nos congestionamentos, a força do motor vai para o eixo traseiro, enquanto ao afundar o pé no pedal do acelerador o torque é repartido à frente e atrás. Todo esse balé pode ser acompanhado por uma função no quadro de instrumentos.

Mesmo sendo um crossover, o Macan transmite pouca inclinação de carroceria nas curvas, graças ao bom trabalho das suspensões. E o conforto dos ocupantes desse Porsche é garantido pelo esmero no acabamento e no silêncio interno. Destaque para a posição de dirigir, bem como para a última versão do Porsche Comunication Management (PCM) trazendo tela de 7” sensível ao toque e conectividade Apple CarPlay. Quem viaja atrás encontra bom espaço para as pernas e joelhos. Entretanto, o quinto ocupante dificilmente encontrará uma posição cômoda, devido ao túnel central elevado por conta do sistema de tração. O Macan não nega o seu DNA da Porsche. Um tremendo crossover, sim, mas não custa lembrar que muito provavelmente ele passará por uma reestilização no próximo ano, com atualizações estéticas no exterior e no interior. Mesmo assim, vale comprar.


Ficha técnica:

Porsche Macan

Preço básico: R$ 344.000
Carro avaliado: R$ 344.000
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, turbo, duplo comando, injeção direta, start-stop
Cilindrada: 1984 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 252 cv a 5.000 rpm
Torque: 37,7 kgfm a 1.600 rpm
Câmbio: automatizada, dupla embreagem, sete marchas
Direção: eletro-hidráulica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: discos ventilados (d/t)
Tração: integral
Dimensões: 4,681 m (c), 1,923 m (l), 1,624 m (a)
Entre-eixos: 2,807 m
Pneus: 235/55 R19 (d) e 255/50 R19 (t)
Porta-malas: 500 litros
Tanque: 65 litros
Peso: 1.770 kg
0-100 km/h: 6s7
Velocidade máxima: 229 km/h
Consumo cidade: 8,0 km/l
Consumo estrada: 9,0 km/l
Emissão de CO2: 162 g/km
Nota do Inmetro: D
Classificação na categoria: C (Utilitário Esportivo Grande)