06/08/2026 - 8:02
Uma nova Dodge Dakota era tudo o que faltava na linha da Ram (há anos uma marca independente dentro da organização do grupo Stellantis). Posicionada entre a compacta Rampage, que é uma Fiat Toro melhorada, e a 1500, que já é uma legítima Ram grandalhona, sentíamos a ausência de uma picape média, do porte de Hilux, S10, Ranger e Cia.
Agora, com a chegada da Ram Dakota, essa lacuna na linha finalmente foi preenchida. A nova picape tem quatro versões, com preços entre R$ 285.990 (R$ 250 mil em venda direta) e R$ 329.990, e veio com a missão de reviver e honrar no Brasil o legado da Dodge Dakota do século passado. Será que honra?
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O legado da Dodge Dakota
Entre 1998 e 2001, tivemos neste nicho de mercado a Dodge Dakota. Tinha plataforma americana, 5,46 metros de comprimento, 3,32 metros de entre-eixos e opções com motores 2.5 de 121 cv e V6 de 177, ambas a gasolina, com cabine simples ou estendida e câmbio sempre manual; depois, ganhou versões 2.5 a diesel de 115 cv e uma configuração V8 automática de 232 cv, mas nunca foi 4×4.

Já a nova Ram Dakota, que chegou no ano passado, tem 5,35 metros de comprimento, 3,18 metros de entre-eixos e tração sempre 4×4. Seu motor é italiano, a produção é argentina e ela foi calibrada por franceses e brasileiros. Porém, o mais chocante para os fãs mais “raiz” da marca é o fato de que a nova Dakota tem plataforma chinesa.
A China venceu?

Sim, agora, a receita é bem inusitada. Uma das marcas-símbolo americanas tem DNA chinês da Changan? Sim, como mostrei em minha análise há alguns meses, na disputa pelo mercado global, a China está vencendo (leia aqui).
(Ainda dentro do segmento, teremos a nova Amarok “brasileira”, uma “alemã” com base chinesa, bem diferente da Amarok com arquitetura de Ford Ranger hoje feita na África do Sul e vendida na Europa.)

A Dakota ter base chinesa não é necessariamente um problema, pois os chineses estão fazendo carros excelentes, muito melhores que os de pouquíssimo tempo atrás — embora não fosse o caso da picape que deu origem à Dakota, como pudemos ver na primeira Titano, que era bem ruim e exigiu um trabalho profundo de engenharia.

Então eles melhoraram, aprimoraram, reestilizaram e reempacotaram a Fiat Titano — e ela ficou tão boa que acharam que merecia até virar uma Ram Dakota, a exemplo do que já havia sido feito com Fiat Toro-Ram Rampage.
Uma Fiat Titano de (quase) luxo
A primeira coisa que me agradou nesta experiência de uma semana com a Dakota foi a profusão de botões: para todas as principais configurações do ar-condicionado, tração, auxílio de descida, controle de estabilidade, retrovisor, altura do farol, modo de direção, auxílio de manutenção em faixa…

Tudo fica muito mais fácil, principalmente quando estamos chacoalhando em uma estrada de terra — mas vale aqui deixar uma leve crítica ao design dos botões de assistente de faixa e de bloqueio do diferencial, que embora bonitos, ficam expostos e sujeitos a esbarrões.

Outro problema, mas nada grave, é que o passageiro tem certa dificuldade quando quer interferir no volume: precisa sair do Android Auto, clicar no canto direito da tela, e só aí ajustá-lo. Ou pedir para o motorista.
A Ram ainda merece um puxão de orelha pelo quadro de instrumentos que destoa do pacote, com design simples demais e bastante limitado nas opções de visualização, embora traga todas as informações necessárias e seja fácil de operar.

Do lado positivo, a Ram Dakota avaliada, a Laramie de R$ 322.990, ainda traz em sua lista de equipamentos itens como acendimento automático dos faróis, diversos ADAS, retrovisores externos com desembaçador, faróis full-LED com duplo projetor, freio de mão eletrônico, ACC, porta-luvas refrigerado, seis airbags, rodas aro 18, carregador por indução com ventilação, sistema de navegação nativo e muito mais.

Para quem viaja no banco traseiro, a situação também é ruim como em quase todas as picapes, com o encosto muito vertical e um espaço para as pernas que não é nenhuma maravilha. Por fim, a tampa da caçamba não despenca ao ser aberta e tem travamento elétrico central, um item importante para a segurança da carga e que nem sempre está presente.

O fator Ram — aos olhos e ao volante

Tudo muito bonito e confortável por dentro, mas, acima de tudo, o que essa Ram Dakota entrega, por meio do design, é um visual que chama muita atenção, com carroceria grande e encorpada e capô alto, garantindo um status que só as picapes da Ram têm. Na rua, ouvi muitos elogios à caminhonete — a bela cor “Vermelho Sunrise” ajudou.
Esse é o “fator Ram” visual, construído pela marca com suas picapes grandes e poderosas, que sempre se destacaram em meio à concorrência. Uma imagem que já está “pregada” à marca de modo quase definitivo.

Entretanto, o fator Ram não aparece tanto ao volante: enquanto a Rampage se diferenciou da Toro, entre outros motivos, e talvez principalmente, pela mecânica exclusiva e mais poderosa (2.0 turbo de 272 cv), no caso Titano-Dakota o 2.2 turbodiesel é o mesmo, assim como a transmissão automática de oito marchas.
No modo “Sport” e com a tração 4×2 (traseira), o ESP da Ram Dakota atua de forma incisiva, permitindo dirigir de modo agressivo no cascalho sem deixar a traseira desgarrar muito. Há também o modo integral sob demanda, quando a Dakota traciona as rodas dianteiras apenas se necessário, com intervenções imediatas. E, no uso off-road, caso o terreno seja mais complicado, ela ainda tem 4×4 Low (com reduzida) e bloqueio mecânico do diferencial traseiro.

Em termos de conforto ao rodar, as suspensões (independente duplo A na dianteira e eixo rígido com feixe de molas na traseira) pareceram sutilmente mais macias que as da Titano, para maior conforto. A distância do solo é de 22,9 cm.
Já o sistema de direção é sempre meio pesado demais, mesmo quando se ajusta para o modo mais leve. Vai agradar ao consumidor tradicional de picapes, mas cansa um pouco no uso mais urbano para quem espera um ajuste mais “chinês”.
Por fim, o consumo da Ram Dakota: o PBEV-Inmetro aponta para 9,7 km/l na cidade e 10,8 na estrada oficiais; durante o teste, consegui números similares na cidade (9,2 km/l), mas, na estrada, ela se saiu até melhor: foram 13 km/l andando a uma média de 110-120 km/h e 11 km/l a 130-140 km/h, enquanto em cerca de 30 quilômetros em estradas de terra, subindo e descendo morros, a Ram Dakota marcou entre 9,5 e 10 km/l.
Conclusão: não se engane (ou sim, mas conscientemente)
A Ram Dakota é uma picape média com mecânica e medidas clássicas, que não tem nada de muito especial fora o acabamento e a montagem excelentes, bem melhorados em relação à irmã Fiat Titano, e uma boa lista de equipamentos.
No fim, de modo geral, ela é uma picape média dentro da média (desculpem o trocadilho), mas que vale a pena pelo que parece ser — para muita gente, ela tem tudo o que se deseja: a cara invocada, com um capô alto e uma grade dianteira avantajada com o logotipo Ram. Para muitos, isso vale mais que qualquer outra coisa, pois garante um status que talvez nenhuma outra picape média propicie.
PS: a linha 2027 da RAM 1500 estreou com a versão Big Horn de R$ 350 mil; é uma diferença pequena, mas você leva uma Ram legítima e com motor poderoso. Já a Ram Dakota também tem a Big Horn 2027, mas os demais modelos são 2026 — ou seja, pode haver em breve pequenas mudanças. Vale pedir um desconto na 2026.

FICHA TÉCNICA
Ram Dakota 2.2 Turbodiesel
Preço básico: R$ 285.990 (Big Horn)
Carro avaliado: R$ 322.990 (Laramie)
Outras versões:
Dakota Warlock 2026: R$ 299.990,00
Dakota Laramie Night Edition 2026: R$ 329.990,00
Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 16V, turbo, injeção direta Cilindrada: 2.184 cm³ Combustível: diesel Potência: 200 cv a 3.500 rpm Torque: 450 Nm a 1.500 rpm Câmbio: automático, oito marchas Direção: elétrica Suspensão: duplo A (d) e eixo rígido com feixe de molas semielípticas (t) Freios: discos ventilados (d/t) Tração: 4×4 automática, modos 4×2, 4×4 e reduzida Dimensões: 5,357 m (c), 1,965 m (l), 1,823 m (a) Entre-eixos: 3,180 m Pneus: 265/60 R18 Caçamba: 1.210 litros ou 1.020 kg Tanque: 80 litros Peso: 2.150 kg 0-100 km/h: 9,9 s Velocidade máxima: 180 km/h Consumo cidade: 9,7 km/l Consumo estrada: 10,8 km/l NOTA GERAL: 8,2
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