27/03/2026 - 9:37
A princípio, quando foi lançada, em 2023, a Ram Rampage pareceu ser uma ideia “duvidosa”: pegar a bem-sucedida Fiat Toro e fazer uma picape Ram a partir de sua base. O nome também é meio estranho, convenhamos: a sonoridade “Ram-Ram” não é lá essas coisas. Mas, depois de uma avaliação/teste de uma semana, tudo se encaixa melhor.
E não se trata apenas da minha opinião pessoal, pois o mercado respondeu positivamente à picape monobloco intermediária (Strada e Saveiro também são monobloco, mas outro mercado). A Rampage faz sucesso porque aprimorou a fórmula de sucesso do modelo que lhe serviu de base – é uma Fiat Toro de luxo, e não há nada de errado nisso.
+VW Tiguan R Line 2026 ou BYD Song Plus Premium: qual levar por R$ 300 mil?
+Avaliação: Fiat Toro Ranch 2026 mostra que nem todos precisam de uma picape média
Vendas da Rampage: o sucesso da picape monobloco no Brasil
Em 2024, primeiro ano cheio de vendas, a Rampage ficou no 6o lugar com 8,64% de participação entre as picapes intermediárias e as médias – considerando só as primeiras, ficou atrás só da Toro (sempre a líder absoluta) e da Chevrolet Montana (4a colocada). Em 2025, superou o modelo da Chevrolet e ficou em 5o lugar, com 9,76% das vendas – atrás só da Toro, sua irmã na linha de montagem da Stellantis em Goiana, Pernambuco.
Este ano, em janeiro e fevereiro, foram emplacadas mais de 4.030 unidades da Rampage, um crescimento superior a 17% em relação ao primeiro bimestre de 2025, e ela desponta na 4a posição, com 11,6% das vendas na mesma categoria de Picapes Grandes – a Fenabrave não diferencia as com construção em monobloco das sobre chassi. Só perde para a imbatível Toro, mais barata, e as médias “verdadeiras” Toyota Hilux e Ford Ranger.

Rampage vs Toro: quais as diferenças de medidas e design?
O consumidor, portanto, está provando que a Rampage foi uma ótima ideia. Ela tem o pedigree da marca americana, mas, diferentemente das gigantescas Ram 1500, 2500 e 3500 – que têm medidas generosas, as últimas na faixa dos seis metros de comprimento, exigindo CNH categoria C e as afastando das grandes capitais – é bem mais conveniente para um uso misto entre estrada e cidade.
Está claro que não se tratou apenas de uma troca de logotipo: além do desejado carneiro na grade dianteira, na carroceria e no interior, a Rampage ganhou um belo banho de engenharia: para começo de conversa, todas as medidas foram aumentadas para que a picape ficasse mais imponente e, portanto, mais “digna” do nome Ram.

São 5,028 m de comprimento, 1,886 m de largura, 1,780 m de altura, com 2,994 m de entre eixos e 26,4 cm de vão livre do solo entre os eixos. Para comparação, a Fiat Toro tem 4,945 m de comprimento, 1,849 m de largura, 1,677 m de altura, com entre-eixos de 2,982 m e vão livre de 21,1 cm.
O aumento nas medidas tem efeito principalmente visual, como dito. Aumenta bem discretamente a capacidade da caçamba – que sobe de 938 ou 1.010 quilos para 980 litros ou 1.015 quilos – e o conforto para um eventual terceiro passageiro no banco traseiro (na verdade, diminui a falta de conforto: como na Toro, o espaço limitado para as pernas e o encosto muito vertical é uma dos principais pontos negativos da Rampage).
Falando em visual, durante o desenvolvimento da picape no Brasil, uma regra era que “todas as características marcantes dos desenhos das desejadas Ram 1500, 2500 e 3500 tinham de estar visíveis nesta primeira Ram concebida fora da matriz”, como anunciou a marca no lançamento. E devo dizer que a missão foi cumprida.
Vale notar uma curiosidade: o engenhoso sistema da tampa da caçamba da Toro, que é dividida ao meio e se abre para os lados, foi abandonado na Rampage, que usa um sistema tradicional – mas com a conveniente trava elétrica e abertura a distância (a tampa não despenca; desce lentamente graças ao uso de amortecedores)
Engenharia e Robustez: o que mudou na base da Ram Rampage
A Ram Rampage também sofre mais uma série de modificações em sua base para ser mais robusta e luxuosa, como reforços estruturais com aços de alta resistência, coxins hidráulicos para filtrar vibrações (que na Toro são mais perceptíveis), direção mais direta e, ainda, para-brisa acústico e algumas camadas extras de materiais de vedação sonora para reduzir os ruídos na cabine (de fato, mais contido).
Além disso, mesmo mantendo suspensões com esquema McPherson na frente e multilink atrás, quase nada é intercambiável entre as duas: a Rampage recebe molas e amortecedores com carga específica, mangas de eixo e cubos de roda reforçados para aguentar o esforço extra lateral e o peso das rodas.
Versões e Preços: do luxo da Laramie à performance da R/T
(Atenção: os preços e versões mostrados aqui seguem as informações adiantadas para a linha 2027 pelos colegas do Autos Segredos, amplamente reproduzidos (e que a marca não desmentiu). Caso sejam diferentes das listadas abaixo, atualizaremos esta página.)
Dentro da cabine, apesar de alguns elementos em comum, como os comandos dos vidros e retrovisores, a transformação é enorme – mudam sistema multimídia, instrumentos, posição das saídas de ar, quase tudo… mas, principalmente, os materiais de acabamento, que, desde a versão de entrada Big Horn (R$ 228.990) a diesel já são bem superiores aos usados na Toro (e teriam mesmo que ser, por uma questão de posicionamento de mercado).
Desde a versão básica, a Rampage já tem itens como abertura remota da tampa traseira, ajuste elétrico de altura do farol, conectividade sem fio, ar-condicionado digital dual zone, capota marítima, carregador por indução, multimídia Uconnect de 12,3″, desembaçador da janela traseira, farol de neblina em LED com função cornering e faróis full LED com projetor, luz de direção dinâmica, partida remota, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro e seis airbags.

A intermediária Rebel a diesel (R$ 259.990) adiciona mimos como acendimento automático dos faróis, alerta de colisão com frenagem autônoma, alerta de saída de faixa, banco elétrico do motorista, comutação automática do farol alto, controle de cruzeiro adaptativo (ACC) com Stop & Go, retrovisor interno eletrocrômico, revestimento dos bancos em couro, sensor de chuva, detecção de tráfego traseiro cruzado, monitoramento de ponto cegos e airbag de joelho para o motorista.
Novidade da linha 2027, a Laramie 2.0 Hurricane 4 Flex (R$ 259.990) soma o motor flex, o poderoso 2.0 turbo de 272 cv e 400 Nm já usado no Jeep Compass Blackhawk (com alto desempenho, mas também com consumo elevado). Além dele, soma iluminação da cabine com LEDs, badges cromados, banco elétrico do passageiro, pneus 235/60R18, retrovisores externos com luz de cortesia com projeção “RAM” e sistema de som Premium com dez alto-falantes e subwoofer certificado pela Harman Kardon, entre outros itens.

Já a avaliada Laramie 2.2 a diesel (R$ 269.990) tem o mesmo pacote da Laramie flex, mas troca o motor a flex pelo a diesel.
Por fim, temos a topo de linha R/T (R$ 275.990), que também usa o novo motor flex e vem com badges escurecidos, capa do espelho retrovisor em preto brilhante, escapamento duplo esportivo, grade dianteira em preto brilhante e lanternas escurecidas em LED, além de ainda mais equipada, com extras como pneus 235/55R19 e revestimento das portas parcialmente em couro e suede e mais. Confira aqui todos os preços e equipamentos da Ram Rampage 2027.
Teste Drive: como anda o motor 2.2 turbodiesel da Rampage?
E como anda a Ram Rampage? Na versão avaliada, que tem o mesmo bom motor 2.2 turbodiesel da Toro, ela vai muito bem. Apesar de um certo turbo lag e de uma dose de patinação do conversor de torque, acelera de 0-100 km/h em 9,9 segundos e atinge a máxima de 196 km/h. São números mais que adequados para o uso comum, e quem quiser mais tem sempre a opção da versão R/T. nas retomadas e ultrapassagens, dá para adiantar as trocas de marcha usando as aletas ou a alavanca, mas ainda assim há um certo turbo lag.
A direção é ligeiramente mais direta que na Toro, para uma pegada mais esportiva, e tem um peso sempre correto, sem nunca ser leve demais. Os freios a disco nas quatro rodas são bastante eficientes mesmo em estradas de terra solta, onde o ABS tem atuação exemplar. As suspensões, porém, para uma melhor performance no uso fora de estrada, poderiam ter o curso um pouco mais longo, com maior articulação e contato/aderência com o solo – mas obviamente isso atrapalharia o lado mais urbano dela.
Falando em fora de estrada, apesar de não ser um “monstro” nesse uso, a tração integral sob demanda é muito bem-vinda, atuando sempre que necessário, e há a opção reduzida (4WD Low, na verdade usa a primeira marcha do câmbio automático, com relação bem reduzida, de 1:4,700), mas fica devendo o bloqueio do 4×4 por botão da Toro.
Por outro lado, a altura livre do solo, como vimos, é maior na Rampage a diesel, chegando a 26,4 cm entre os eixos (nas flex é 10 cm menor). Isso é bom para quem usa a picape fora de estrada, pois vai ter mais facilidade para superar obstáculos, mas, por outro lado, interfere negativamente na dinâmica, fazendo a cabine balançar demais: fiz a mesma viagem com a Toro e com a Rampage, e a minha filha só ficou enjoada na Ram.

Consumo da Ram Rampage Turbodiesel: é realmente econômica?
No consumo, a Rampage é a única Ram econômica. Afinal, as picapes gigantes, ainda mais a gasolina, dificilmente superam 5 km/l – e a versão R/T deste modelo não vai muito além disso, se dirigida com alguma dose de esportividade.
Já a versão avaliada, como o novo motor a diesel, facilmente supera 14 km/l na estrada a 120 km/h, ou 15 a 100 km/h — e, mesmo na pior hipótese, no pior trânsito, atravessando São Paulo às 17h, dirigi por uma hora e a média ficou em 8 km/l. Normalmente, no uso urbano mais leve, minhas médias ficaram entre os 10 e 11 km/l. Os números do teste foram similares aos do Inmetro na cidade (10,6 km/l), e discretamente melhores na estrada, onde o PBEV indica 13,3 km/l.
Vale a pena comprar a Ram Rampage 2027?
Alguns podem torcer o nariz para o fato de a Rampage nascer de um modelo da Fiat, mas ao menos a Toro compartilha plataforma com os Compass, Renegade e Commander, resultado de um grande trabalho conjunto da engenharia italiana e americana, e que serve muito bem há muitos anos a esses modelos da Jeep (não é o caso da nova Ram Dakota, que nasce de um modelo chinês).
A Fiat Toro é um sucesso absoluto por atender a quem não precisa de uma picape média – e fica mais feliz com um veículo com caçamba com construção por monobloco. Já a Ram Rampage leva essa fórmula um nível acima, somando mais robustez e altura livre do solo, para encarar mais desafios rurais, e com um boa dose de luxo e sofisticação extras, ampliando o alcance das marcas do grupo Stellantis.
Não é um carro perfeito. O motor a diesel é econômico e potente, mais meio moroso nas reações; a caçamba e a cabine têm muitos pontos positivos, mas os passageiros do banco traseiro sofrem com o aperto (crianças vão bem). Mas, vendo as opções do mercado, é um carro que se encaixou bem, e por isso está vendendo tão bem.

FICHA TÉCNICA
Ram Rampage 2.2 Turbodiesel Laramie
Preço básico: R$ 269.990 (linha 2027)
Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, injeção direta, turbocompressor variável (TGV) Cilindrada: 2.184 cm³ Combustível: Diesel S10 Potência: 200 cv a 3.500 rpm Torque: 450 Nm a 1.500 rpm Câmbio: automático, nove marchas Direção: elétrica Suspensões: McPherson (d) e multibraço (t) Freios: discos ventilados (d/t) Tração: 4X4 sob demanda com reduzida Dimensões: 5,028 m (c), 2,040 m (com retrovisores), 1.718 m (a) Entre-eixos: 2,994 m Pneus: 235/60 R18 Caçamba: 980 litros Tanque: 60 litros Peso: 1.951 kg 0-100 km/h: 9,9 s Velocidade máxima: 196 km/h Consumo cidade: 10,6 km/l Consumo estrada: 13,3 km/l
RESUMO: Uma picape para quem quer rodar no campo com muito luxo, mas não quer um veículo grande demais para a cidade.
NOTA GERAL: 8,5

























































