Avaliação: Renault Koleos é um rival para o Hyundai Santa Fe

Na Europa, os modelos Logan, Sandero e Duster não têm o logo Renault. São vendidos com a marca romena de origem Dacia, de propriedade do fabricante francês. No Brasil, em uma estratégia diferente, garantem sucesso de vendas para a Renault – mas empobrecem sua imagem, atrapalhando o desempenho da marca em segmentos mais nobres. A Renault quer mudar isso já no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro. Além do Captur nacional, concorrente de Honda HR-V, Jeep Renegade & cia., mostrará o mais caro e sofisticado Koleos, que estreou no Salão de Pequim e foi lançado oficialmente em julho, em um test-drive nos arredores de Paris.

O Koleos é um legítimo Renault. Ou quase. Destinado principalmente aos mercados asiáticos e latinos, sua semelhança visual com o Kadjar vendido aos europeus não é fortuita. Fabricado pela Samsung Motors da Coreia do Sul (assim como o sedã Fluence), ele mostra um lado mais sofisticado da marca. Perde pouco da finesse do primo francês para ganhar porte e competitividade. De qualquer modo, será aqui um carro para valorizar a imagem da marca. E a enriquece a começar pelas linhas externas, talvez sua maior qualidade. O Koleos é um belo crossover.


A grade frontal é o destaque do “design poderoso” (powerful design), completado pela assinatura visual com luzes diurnas (DRL) em C e um inusitado friso cromado que as liga às tomadas de ar laterais (meramente estéticas) e também pelas belas rodas aro 18. O design sofisticado se repete na cabine – calcanhar de aquiles dos modelos de origem Dacia. Acabamento e ambiente são dignos dos crossovers alemães. O painel de instrumentos é digital e configurável, a iluminação ambiente tem LEDs coloridos, e as superfícies (onde não há couro) são emborrachadas (inclusive os painéis de porta traseiros).

Destaque também para a central multimídia com tela enorme (8,2”) multi-touch, que controla funções do veículo. Os bancos espaçosos têm aquecimento e ventilação e o teto panorâmico areja a cabine. Ainda há som Bose com 13 alto-falantes, porta-copos aquecidos/resfriados e partida remota, entre outros itens. O Koleos capricha também em tecnologias de segurança e semi-autônomas: tem assistente de permanência em faixa, frenagem de emergência automática, monitor de ponto cego, alerta de cansaço do motorista, leitor de placas, luz alta automática e até estaciona sozinho em vagas paralelas, perpendiculares ou 60 graus.

Só falta mesmo o piloto automático adaptativo (ACC), que terá em alguns mercados. Outro destaque é o porte avantajado. Com 4,673 m de comprimento e 2,705 m de entre-eixos, tem o tamanho de um Hyundai Santa Fe, um de seus alvos. Isso se reflete em amplo espaço, principalmente no banco traseiro, que ainda tem assoalho quase plano, saídas de ar próprias e tomadas USB (a marca não oferece sete lugares para garantir mais conforto ali atrás). Já o porta-malas de 550 litros (942 até o teto) tem tampa motorizada. E caso esteja com as mãos ocupadas, basta passar o pé debaixo do para-choque para abri-lo.

A abertura generosa das portas traseira é outro ponto positivo para o uso familiar. A mecânica é japonesa, emprestada da associada Nissan, desde a plataforma CMF-D, a do Nissan Qashqai, até o powertrain. O motor 2.5 aspirado não é dos mais eficientes, mas tem 170 cv e dá conta do recado, e a transmissão CVT é igual à do Nissan Kicks – quando se solicita mais de 50% do torque, passa a simular sete marchas para dar mais esportividade, e ainda há opção de modo manual. Apesar da valentia de SUV (leia ao final da reportagem), o rodar é de crossover.

Nos 110 km de estradinhas com curvas nos arredores do Palácio de Versalhes, a carroceria inclinou pouco, apesar de as suspensões garantirem uma boa dose de maciez e conforto. A direção elétrica é correta no peso e na precisão e as trocas entre as marchas simuladas são rápidas. Apesar de não serem tão realistas assim, cortam o tédio (principalmente sonoro) típico dos CVTs quando se dirige mais esportivamente. Já os freios são bem acertados, nem sensíveis demais, nem emborrachados em excesso.

A 120 km/h constantes, o conta-giros ficou abaixo de 2.000 rpm e o Koleos marcou 13,5 km/l. Nada mau para seu porte (o Santa Fe V6 de 270 cv dificilmente supera 10 km/l). A cabine é silenciosa, exceto nas esticadas, acima de 3.500 rpm. Mas nem é preciso passar disso em uma condução normal. No verão francês, a ventilação dos bancos aliviou o calor, mas a central multimídia com poucos botões rouba mais do que deveria de atenção do motorista (os botões no volante ajudam um pouco).

O painel de leitura clara (preferi o design clássico) lia as placas e mostrava o limite de velocidade para evitar multas. Nas paradas, o freio de mão elétrico automático se mostrou muito prático. E a possibilidade de “melhorar” o ronco do motor usando os alto-falantes do veículo é interessante. O Koleos deve chegar ao Brasil em janeiro. É um belo produto, mas seu êxito dependerá do preço. Se ficar na faixa de Toyota RAV4 e Honda CR-V (R$ 150.000), se destacará por ser mais refinado e tecnológico. Próximo do Santa Fe (R$ 175.500), fica mais difícil de emplacar.

Mais valente do que parece

O visual é chique, mas o Koleos é valente. Em um teste off-road, os bons ângulos de ataque e saída (19o e 23o) e os 21,3 cm livres do solo fizeram diferença. O maior destaque está no sistema 4×4. Um botão permite optar entre tração 4×2 (dianteira), 4×4 Auto (conforme necessário, com até 50% na traseira) e 4×4 Lock – que bloqueia 50% por eixo em situações difíceis. Falta só o assistente em descidas, que será adotado adiante. Não é para aventuras radicais, mas está acima da média.

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Ficha técnica:

Renault Koleos

Preço básico (estimado): R$ 149.990
Carro avaliado (estimado): R$ 149.990
Motor: 4 cilindros em linha 2.5, 16V
Cilindrada: 2488 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 170 cv a 6.000 rpm
Torque: 23,8 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio: automático continuamente variável (CVT), modo sequencial, sete marchas simuladas
Direção: elétrica
Suspensões: McPherson (d) e multilink (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira ou integral, bloqueio do diferencial central
Dimensões: 4,673 m (c), 1,843 m (l), 1,678 m (a)
Entre-eixos: 2,705 m
Pneus: 225/60 R18
Porta-malas: 550 litros (estimado) e 642 litros até o teto
Tanque: 60 litros
Peso: 1.607 kg
0-100 km/h: 12s0 (estimado)
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo cidade: 8,0 km/l*
Consumo estrada: 13,0*
Emissão de CO2: sem dados
Nota do Inmetro: não lançado no Brasil

*durante avaliação