Avaliação: Volvo XC40 entra na briga dos SUVs compactos premium

Com a estreia do novíssimo Volvo XC40, a marca sueca completa a sua gama de SUVs no mercado brasileiro

A Volvo prometeu fazer o melhor SUV compacto premium, e esse carro já pode ser visto nas concessionárias da marca no Brasil. Não sabemos se o novíssimo XC40 é o melhor SUV de sua categoria, mas uma coisa é inegável: o carro ficou excelente em termos de design, dinâmica, mecânica e segurança. Nosso primeiro contato com o Volvo XC40 foi nas estradas que ligam Itajaí e Florianópolis, em Santa Catarina, com direito a belas paisagens pelas praias da região. O carro foi lançado durante a etapa brasileira da regata mundial Volvo Ocean Race.

Com o XC40, a Volvo completa sua gama de SUVs, todos eles novíssimos. O primeiro a chegar foi o XC90 (2015), seguido do XC60 (2017). Mas, ao contrário desses dois, que são feitos na plataforma SPA, o XC40 é fabricado na plataforma CMA, para carros compactos. Modular e flexível, essa plataforma só é fixa do centro da roda dianteira até o início da coluna de direção. Todo o resto é flexível. Seis tipos de materiais foram usados na carroceria do carro, que tem entre-eixos e comprimento avantajado em relação aos seus principais rivais (Audi Q3, BMW X1 e Mercedes GLA). A distância entre-eixos é de 2,70 m, igual à de sedãs médios como Toyota Corolla e Honda Civic.

Segundo a Volvo, o XC40 não é um XC60 em tamanho menor. Em termos de design, não é mesmo, pois sua frente é diferenciada e a coluna C é muito mais larga. Dinamicamente, porém, o XC40 lembra muito o XC60. Aliás, assim como os irmãos maiores, o XC40 incorpora tecnologias de condução semi-autônomas. O carro tem para-choque traseiro integrado, faróis full LED em todas as versões, direcionais e com nivelamento do acho de acordo com a carga. O DRL traz o famoso martelo de Thor integrado e estilizado. Por dentro, o carro foi pensado para acomodar os mais diferentes objetos de um dia-a-dia urbano. Na lateral da porta cabe um laptop, por exemplo.

O acabamento é impecável. Tudo que parece couro é couro, tudo que parece alumínio é alumínio. A central multimídia é idêntica à dos Volvo XC60 e XC90. O display central, com tela tátil de 9”, fica em posição vertical, “para facilitar o uso do navegador”. Mas sua interface não é muito simples – a própria Volvo recomenda um curso de duas horas na concessionária antes de sair com o carro. O quadro de instrumentos tem tela TFT de 12,3” em todas as versões. O sistema de áudio com tecnologia air woofer possibilitou o aumento dos porta-objetos das portas. Entre os inúmeros itens de segurança do Volvo XC40, destaque para a nova geração do City Safety, que auxilia o condutor com frenagem automática quando identifica objetos (inclusive pessoas e animais) na pista. O piloto automático é adaptativo e a direção é semi-autônoma na versão mais cara. Já o alerta de faixa primeiro emite um aviso visual para o motorista; em seguida, atua na direção, fazendo força em sentido contrário.

O Volvo XC40 tem duas opções de motor: T4 de 192 cv com 30,6 kgfm e T5 de 255 cv com 35,7 kgfm. Ambas são 2.0 turbinadas; a diferença de potência vem do ajuste eletrônico feito pelo fabricante. O câmbio é automático sequencial de oito marchas. A versão de entrada usa o motor T4 e custa R$ 169.950. As outras duas utilizam o T5. A Momentum parte de R$ 194.950 e a R-Design custa R$ 214.950. Nas estradas catarinenses, dirigimos o XC40 Momentum, a versão intermediária, que utiliza pneus 235/50 R19 (as rodas são de 18” no T4 e de 20” no T5 R-Design). Como dissemos, o comportamento dinâmico do carro é excelente, com acelerações vigorosas e bastante conforto ao rodar. Porém, ao experimentar os modos de condução Comfort e Dynamic, percebemos um pequeno excesso de leveza no primeiro modo e de peso no segundo. Os outros modos são Eco, Off-Road e Individual. Além desses ajustes, que modificam os parâmetros do motor, da direção e do câmbio, as suspensões também podem ficar mais duras ou mais moles.

O mais estranho, porém, foi a falta de shift paddles na versão intermediária. Um carro de quase R$ 200 mil e com motor de 255 cv deve obrigatoriamente oferecer esse recurso (no XC40 disponível só na versão R-Design). É possível fazer trocas de marcha manuais na alavanca, porém é preciso puxá-la para trás e depois reduzir as marchas movendo-a para a esquerda e aumentar as marchas movendo-a para a direita. Não é muito prático. Além disso, quando volta-se para o modo Drive, o câmbio facilmente engata o ponto morto. De qualquer forma, a posição de dirigir é excelente e o acesso aos comandos é fácil. A partir da versão T5 Momentum, o XC40 pode vir com carregamento de celular por indução, câmera de ré, Drive Mode, teto branco e o interior com quatro opções de cores: cinza, vermelho, caramelo e preto.

Devido ao sucesso da pré-venda, que teve cerca de 1.000 unidades comercializadas, o XC40 já chegará como modelo 2019 para quem for adquirir a partir de agora. Mas nada mudou. O XC40 coloca a Volvo num novo patamar no mercado brasileiro, pois suas vendas anuais passarão de 4.000 para 6.000 unidades. Dos 2.000 XC40 previstos, metade já foi vendida. A garantia é de dois anos, com extensão de 12 meses por R4 2.990. Os preços de revisão serão fixos até 60.000 km, sendo R$ 3.597 para os 30.000 km e R$ 10.194 para o período completo. Com a chegada do Volvo XC40, o mercado fica mais competitivo. Os alemães Q3, X1 e GLA já não estão sozinhos na briga com ingleses, japoneses e americanos. O viking sueco entrou na guerra com disposição para matar.


Ficha técnica:

Volvo XC40 T5 Momentum

Preço básico: R$ 169.950
Carro avaliado: R$ 194.950
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, turbo, injeção direta
Cilindrada: 1969 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 255 cv cv a 5.500 rpm
Torque: 35,7 kgfm de 1.800 a 4.000 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multilink (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco (t)
Tração: integral
Dimensões: 4,425 m (c), 1,863 m (l), 1,652 m (a)
Entre-eixos: 2,702 m
Pneus: 235/50 R19
Porta-malas: 460 litros
Tanque: 54 litros
Peso: 1.762 kg
0-100 km/h: 6s4
Velocidade máxima: 230 km/h
Consumo cidade: 8,5 km/l
Consumo estrada: 10,8 km/l
Emissão de CO²: 145 g/km
Nota do Inmetro: D
Classificação na categoria: C (Utilitário Esportivo Compacto)