Avaliação: Volvo XC60 T8 é um carro para três desejos

Agora com uma poderosa configuração híbrida e com preço promocional, o XC60 T8 esbanja potência e quer reescrever a história dos carros eletrificados no segmento premium

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Quando os vikings decidiram expandir seu domínio das regiões nórdicas, o primeiro país a sofrer com suas violentas investidas foi a Inglaterra. A história se repete em proporções infinitamente menores no segmento de SUVs premium. A sueca Volvo, fazendo o papel dos vikings, declarou guerra à inglesa Land Rover. O alvo é o Range Rover Velar e a arma é o novo XC60 T8. Vendido apenas nessa configuração R-Design por R$ 299.950 (contra R$ 376.370 do Velar de entrada), o XC60 T8 é um carro híbrido com potência total de 407 cavalos.

Com o lançamento da versão T8 (que combina um motor 2.0 de 320 cv com um elétrico de 87 cv), a Volvo pretende liderar o mercado brasileiro de carros híbridos no segmento premium. O rival Velar não tem nenhuma versão híbrida, mas por suas características de luxo e esportividade, foi escolhido pelos “vikings” da Volvo para ser a sua “Inglaterra”. Outros carros estão na mira do XC60 híbrido: o Audi SQ5 TFSI (354 cv por R$ 397.990), o BMW X3 M40i (360 cv por R$ 397.950) e o Mercedes-AMG GLC 43 (367 cv por R$ 390.900). Porém, o Volvo XC60 quer se impor não só pela menor relação preço/potência (não confundir com peso/potência), mas sim por ser o único carro na faixa de R$ 300 mil que pode cumprir três desejos ao mesmo tempo.

Com dois cliques no botão dos modos de condução, o XC60 T8 pode ser um carro eletrificado (modos Hybrid e Pure), um 4×4 (modos AWD ou Off-Road) ou um SUV esportivo (modo Power). Para além disso, o carro ainda permite uma configuração individual. No modo Pure, o Volvo XC60 roda silenciosamente utilizando somente as baterias de íon de lítio que ficam acomodadas no assoalho do carro. Essas baterias localizadas no centro da carroceria já estavam previstas quando a Volvo criou a plataforma SPA (Scalable Product Architecture), a mesma do XC90, que também tem uma versão T8. No modo Hybrid, o XC60 T8 conseguiu marcar 19,2 km/l na cidade e 20 km/l na estrada nas medições de consumo do Inmetro (ganhou nota A no ranking geral e na categoria). Ele emite apenas 67 g/km de CO2 e pode rodar 40 km usando somente a energia da bateria sem recarregá-la. Não é grande coisa esse alcance.

Como um híbrido plug-in, o XC60 T8 pode ser carregado na tomada de 220V ou no Wall Box (uma caixa de energia especial para ser usada em casa e que custa R$ 6.000). Como todos os híbridos, ele também pode recarregar a bateria durante o uso, por meio da regeneração de energia nas frenagens. O Volvo XC60 traz ainda uma nova e belíssima alavanca de câmbio com acabamento em cristal com a posição B, logo após o D (Drive). Com o câmbio em B, o XC60 regenera maior quantidade de energia, inclusive nas desacelerações. É quando o motorista dirige com apenas um pedal, sem precisar usar o freio na maioria das vezes, pois o freio motor é otimizado. Claro que tudo isso exige uma nova forma de condução, mudando totalmente os paradigmas do motorista.

O quadro de instrumentos digital de 12,3” é maravilhoso. Quando utilizado nos modos Hybrid e Pure, mostra a velocidade no marcador da esquerda e a utilização de energia do lado direito. À medida em que o motorista pisa no pedal, um marcador vai reduzindo a parte que mostra a utilização das baterias elétricas e se aproxima de outro gráfico com uma gota – ao atingir a gota, é sinal de que o carro passa a usar o motor a gasolina. Ao contrário do Toyota Prius, por exemplo, o motorista pode manter o uso da bateria pela força que aplica no acelerador, chegando a 120 km/h somente no modo elétrico. Ainda nesse visor da direita existem mais dois marcadores – um do nível da bateria e outro da quantidade de energia recuperada.

O gráfico que começa na gota, entretanto, não é um contagiros, e sim um marcador da quantidade de potência utilizada pelo carro naquele momento. Para ver o contagiros, o motorista deve usar os modos AWD, Off-Road ou Power. No modo Power, o XC60 assume outra personalidade. Uma pisada no acelerador e ele ganha velocidades altas em pouquíssimo tempo (faz 0-100 em 5,3 segundos). Com a borboleta do volante, é possível ter uma condução muito prazerosa. Mesmo rápido, o XC60 é bastante estável nas curvas, por conta de seu equilíbrio de peso, da suspensão dianteira de duplo A e da traseira independente, mas o silêncio a bordo continua e a maciez ao rodar também. No modo AWD, o próprio carro distribui a tração de acordo com a necessidade; no Off-Road, a tração é 50/50, o limite de velocidade é de 20 km/h e o assistente de descida é automático.

Em termos de segurança, o XCV60 alerta e auxilia o esterçamento em caso de colisão frontal em velocidades de 60-140 km/h, além de recolocar o carro na faixa em certas situações. Quanto à direção semi-autônoma, o XC60 T8 R-Design auxilia em casos de saída de pista e a combinação do ACC com o Pilot Assist mantém o carro na faixa em curvas até 130 km/h. Quanto aos equipamentos de conforto, as novidades do XC60 T8 R-Design são: áudio Harman Kardon de 600W, banco do passageiro com memória, bancos dianteiros com apoio elétrico para as pernas e assento infantil no banco traseiro.

Os bancos são uma mistura de couro com camurça, muito confortáveis e anatômicos. A cor azul das fotos é exclusiva da versão R-Design. Por dentro, o interior é sempre preto. Quanto à multimídia, é a mesma central Sensus dos demais XC da Volvo, com tela tátil de 9” e conectividade Android Auto/Apple CarPlay (que ocupa só metade da tela porque ela é vertical). Em resumo: o XC60 T8 é um carro espetacular que vale por três. Os ingleses e alemães que se cuidem, pois os vikings estão chegando!


Ficha técnica:

Volvo XC60 T8 R-Design

Preço básico: R$ 299.950
Carro avaliado: R$ 299.950
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, turbo, injeção direta, duplo comando variável + elétrico
Cilindrada: 1969 cm³
Combustível: gasolina e/ou eletricidade
Potência: 407 cv a 5.700 rpm (320 cv no motor a combustão e 87 cv no elétrico)
Torque: 65,3 kgfm de 2.200 a 5.400 rpm (40,8 kgfm no motor a combustão e 24,5 kgfm no motor elétrico)
Câmbio: automático, oito marchas
Direção: elétrica
Suspensões: duplo A (d) e multi-link (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: integral
Dimensões: 4,688 m (c), 1,902 m (l), 1,658 m (a)
Entre-eixos: 2,865 m
Pneus: 225/40 R21
Porta-malas: 468 litros
Tanque: 70 litros
Peso: 2.174 kg
0-100 km/h: 5s3
Velocidade máxima: 230 km/h
Consumo cidade: 19,2 km/l
Consumo estrada: 20,0 km/l
Emissão de CO²: 67 g/km
Nota do Inmetro: A
Classificação na categoria: A (Utilitário Esportivo Grande 4×4)

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