Avaliação: VW Golf GTI é o melhor esportivo do Brasil

Com um retoque visual e 10 cavalos a mais, o Volkswagen Golf GTI mostra por que é um carro exclusivo para clientes exigentes

20591

Não é à toa que a Volkswagen se recusa a dar ouvidos aos fãs que vivem pedindo pela volta do Gol GTI. É porque, no paradigma dominante na Volks, para merecer as letrinhas “GTI” o carro tem que ser muito bom, muito acima da média. Por enquanto, o Golf continuará sendo o único carro da linha Volkswagen a receber o carimbo que identifica um Grã-Turismo com injeção eletrônica de combustível. Nos tempos do saudoso Gol GTI, a exigência era menor. E para mostrar que a esportividade é levada muito a sério, a Volks conseguiu melhorar ainda mais o Golf GTI na linha 2018.

Graças a um bom retoque visual na dianteira e na traseira, o Golf GTI ficou ainda mais vistoso. Os faróis ganharam expressão e a faixa vermelha que atravessa toda a área frontal lhe dá a esportividade na dose certa. As lanternas também ficaram mais vistosas, com design ultramoderno quando estão acesas. Para completar, o carro ganhou novas rodas de liga leve aro 18 (opcionais). Visualmente, o Golf GTI 2018 conseguiu equilibrar a sobriedade do design da Volkswagen com a chama da esportividade desejada por quem compra esse tipo de carro.

Pouco importa a cor. Seja branco, vermelho (cores sólidas) ou cinza (metálico), o Golf GTI faz bonito. Para quem quiser mais exclusividade ainda, existem duas cores exclusivas do carro: prata metálico e preto perolizado. Mas o bom mesmo desse carro é acelerar forte, desenhar curvas com segurança, frear com precisão, fazer ultrapassagens rápidas. Por isso, o Golf GTI 2018 recebeu uma pequena dose extra de potência no motor 2.0 TSI (turbo com injeção direta e indireta), passando de 220 para 230 cv. Bom para o consumidor brasileiro. Na Europa, entretanto, a Volkswagen decidiu encerrar a produção do Golf GTI nessa geração, devido ao maior rigor por eficiência energética – mas lá os europeus ainda contam com o GTI Performance (245 cv) e com o Golf R (310 cv).

Voltando ao Brasil, onde a realidade é bem diferente, o Golf GTI ganhou os cavalinhos extras por conta de ajuste eletrônico nos parâmetros do motor. A potência máxima surge a 4.700 rpm, mas ele roda sem grandes ruídos a 120 km/h, quando o ponteiro marca 2.200 rpm. As arrancadas e retomadas são excelentes, graças ao torque de 35,7 kgfm disponíveis a partir de 1.500 giros. Seu motor, combinado com o ótimo câmbio de seis marchas DSG (automatizado de dupla embreagem), proporciona uma condução muito prazerosa. Visto por fora, o Golf GTI passa um ar de robustez, mas suas relações de peso com potência e torque revelam um carro esbelto e dinâmico. São apenas 5,7 kg/cv e ótimos 36,9 kg/kgfm.

Os pneus largos e bem baixos assentam muito bem no chão. Mas sofrem nos pisos ruins das estradas brasileiras. Durante nossa avaliação, cortamos um pneu e danificamos uma roda por conta de obras mal sinalizadas na estrada numa viagem noturna. Esse é o tipo de incidente que deve estar previsto para um cliente de Golf GTI no Brasil – porém, a exclusividade do carro vale o risco. Fora os retoques visuais e o incremento de potência, não houve modificações mecânicas no Golf GTI 2018 em relação ao ano/modelo anterior. Aliás, estranhamos a demora da Volkswagen para lançar a linha 2018, pois ela só saiu quando a maioria dos carros já está na linha 2019. Vale ressaltar que, ao contrário dos demais Golf, o GTI manteve a suspensão traseira independente e bloqueio eletrônico do diferencial quando passou a ser produzido no Brasil, em 2016 (as outras versões adotaram eixo de torção).

Se os 10 cavalos a mais não fizeram tanta diferença num carro que já era bom, as mudanças internas deixaram o Golf GTI muito melhor. Ele agora vem equipado com o melhor sistema multimídia da linha Volkswagen, com todas as conectividades exigidas de um carro de quase R$ 144.000, e diversas configurações no quadro de instrumentos – por vezes, dá a impressão de você estar dirigindo um Audi. São tantas as opções que escolher uma delas é como parar na prateleira de pães do supermercado. A visualização dos instrumentos é ótima e a da tela da central multimídia de 8” também, porém alguns pequenos pênaltis continuam: não dá para entender por que a posição da entrada USB é tão ruim, de difícil acesso. Menos mal que as entradas dos SD-cards (dentro do porta-luvas) são bem acessíveis.

Também muito fácil é a seleção dos quatro modos de condução (Eco, Sport, Individual ou Normal), que mudam os parâmetros do motor, câmbio, suspensão e direção. O carro tem piloto automático adaptativo e auxílio de estacionamento. O mapa do navegador é um show à parte, mas um excesso de economia da Volkswagen tornou-o menos eficiente. Equipado com a tecnologia Here para mapas automotivos, ele poderia trazer também as informações de trânsito se esse item não fosse deixado de fora do Golf GTI brasileiro. O custo é de 10 dólares e certamente não pesaria tanto na conta. De qualquer forma, a dupla Android Auto/Apple CarPlay resolve esse problema.

Os bancos são revestidos em tecido “xadres Clark grafite” e acomodam bem, mas podem ser opcionalmente de couro. Com quatro portas, um bom bagageiro de 338 litros e um volante com excelente empunhadura, o Golf GTI 2.0 é tranquilamente o melhor carro esportivo nacional, pois também pode ser usado pela família. Dependendo do uso e dos caminhos a percorrer, talvez seja melhor resistir à tentação de comprar as rodas de 18” opcionais e ficar mesmo com as de 17”, que usam pneus de perfil um pouco mais alto (medidas 225/45). De resto, pouco importa se na Europa o Golf GTI teve que sair momentaneamente de linha – para a realidade do Brasil, é um carro e tanto.


Ficha técnica:

Volkswagen Golf GTI 2.0 TSI

Preço básico: R$ 143.790
Carro avaliado: R$ 163.690
Motor: 4 cilindros em linha 2.0, 16V, duplo comando variável, turbo, injeção direta e indireta
Cilindrada: 1984 cm³
Combustível: gasolina
Potência: 230 cv de 4.700 a 6.200 rpm
Torque: 35,7 kgfm de 1.500 a 4.600 rpm
Câmbio: automatizado, seis marchas, dupla embreagem
Direção: elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e multi-link (t)
Freios: disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,276 m (c), 1,799 m (l), 1,456 m (a)
Entre-eixos: 2,631 m
Pneus: 225/45 R17 (opcionais 225/40 R18)
Porta-malas: 338 litros
Tanque: 51 litros
Peso: 1.371 kg
0-100 km/h: 7s0
Vel. máxima: 238 km/h
Consumo cidade: 10,2 km/l
Consumo estrada: 12,1 km/l
Emissão de CO²: 122 g/km
Nota do Inmetro: C
Classificação na categoria: D (Médio)

blog comments powered by Disqus